Os heróis cansados de John Woo (1)

21 Outubro 2019, 14:00 Fernando Guerreiro

1. John Woo no quadro do cinema de Hong Kong dos anos 70/90: ecletismo de influências ("I'm not very chinese"), passando ao lado da 1ª "Nova Vaga";
2. Entre o "cinema de acção" e o "melodrama masculino" :2.1. heroicização (romantização) de heróis contudo  quebrados, divididos e nostálgicos; 2.2. crise de valores e da narrativa: deslocação do plano do simbólico - relações de hierarquia=verticais - para o plano do imaginário -relações horizontais, de irmandade (entre iguais) ("romance of brotherhood"); 2.3 a exclusão (não-articulação) do pólo feminino; 2.4. função da "forma" : transcender/sublimar "falhas" dos personagens;
3. um Cinema do excesso (atracções) caracterizado por um "hiper-formalismo: estilo "florido"( barroco) e elegíaco; 3.1. tensão entre linearidade narrativa e materialidade das imagens; 3.2. cinema da continuidade: fluidez da forma(vd. uso do "slow motion" e do grande-plano) e carácter performativo da percepção;
4. "The Killer" (1989)
4.1. "heroicização" do personagem (Ah Jong) e primado da forma:  heroísmo (masculino) e sacrifício (masoquismo homo-erótico, feminização);um "noir (kitsche) róseo-pop" (presença do modelo do "melodrama musical" dos anos 50/60);
4.2. personagens divididos e figura(s) do "Duplo" nu universo fechado (de especularidade letal e imaginária) masculino; a "cegueira" de Jenny (a cantora) como sintoma (somatização) da crise de valores e de identidade(s) do filme; figuas do "vazio";
4.3.  será eficaz a redenção pelo sacrifício? Qualquer "aura" só póstuma. como "fantasma" (Ah Jong).
* projecção dos 15mn iniciais de "Le Samourai" de Jean-Pierre Melville (1967)