Wong Kar Wai: a forma musical de "In the Mood for Love" (1999)

2 Dezembro 2019, 14:00 Fernando Guerreiro

1. Wong Kar Wai como realzador da 2ª "nova vaga" do cinema de Hong Kong: 1.1. um modelo narrativo não-linear, fragmentado, com estrutura de "puzzle"; 1.2. uma concepção arquitectónica de forma; 1.3. uma imagem ornamental (David Bordwell), palimpsesto, caligráfica; 1.4. um cinema do pensamento (relação com "O Último Ano em Marienbad" de Alain Resnais);
2. plano temático: a dupla questão do sujeito e do território=cidade; 2.1. figuras da "angústia do tempo" (Audrey Yue); 2.2. a "nostalgia"  (sentimento do "déjà disparu", Ackbar Abbas);
3. o dispositivo narrativo do filme: 3.1. organização por camadas a que falta um centro; um trabalho da "forma" estruturado pelo "vazio" ("segredo"), de acordo com o desenho (dinâmica) da "espiral" (relação com "Vertigo" de Alfred Hitchcock); 3.2. dispositivo (enunciativo) da repetição com  variação (modulação da "falha" estruturante): o motivo do "ensaio", repetir até que dê certo (pequenas "epifanias" (David Bordwell); 3.3. forma-fluxo musical: mais um cinema do "tempo" do que do "movimento" (a "imagem-cristal" (Deleuze); 3.4. a "imagem-pintura" (tapeçaria, miniatura): um cinema do fotograma.
* projecção de entrevista de Stanley Kwan sobre Maggie Cheung, de um clipd e Wong Kar Wai sobre o melodrama de Xangai dos anos 30, da abertura de "Chunking Express" (1994) e do trailer ocidental de "In the Mood for Love" (a canção-tema por Bryan Ferry)