Sumários

O Brasil de Machado de Assis: ficção e “Instinto de Nacionalidade” (2)

19 Novembro 2025, 17:00 • Susana Dores de Matos Viegas

Continuação aula anterior - ver bibliografia no sumário anterior


O Brasil de Machado de Assis: ficção e “Instinto de Nacionalidade” (1)

12 Novembro 2025, 17:00 • Susana Dores de Matos Viegas

Estas aulas terão como objetivo analisar um conjunto de ficções de Machado de Assis (1839-1908) à luz de algumas das ideias discutidas pelo autor no artigo “Notícia da atual literatura brasileira – Instinto de nacionalidade”, publicado em 1873 no jornal O Novo Mundo. A seleção de contos sobre a qual incidirá a reflexão distingue-se não apenas por atributos narrativos e formais no contexto da obra do autor, mas também por ocupar um lugar de charneira na história do Brasil e da literatura brasileira do séc. XIX, entre a Lei do Ventre Livre e a Lei Áurea, o apogeu e fim do Segundo Reinado e a Proclamação da República.

Como concilia Machado o “instinto de nacionalidade” com a história colonial da literatura brasileira e a sua própria filiação a modelos portugueses, europeus e mundiais? Que traços encontramos na sua ficção de tensões sociopolíticas, do sistema de classes e da cultura material e intelectual do Brasil oitocentista? Que imagens do Rio de Janeiro (cidade e sociedade) são formuladas na sua obra, permitindo-nos, hoje, um vislumbre e uma releitura do passado? Estas são algumas das perguntas que orientarão a leitura e o debate ao longo das sessões.

Textos para leitura prévia:

Machado de Assis. Contos Completos de Machado de Assis, Vols. 1 e 2, organização, introdução e notas de Amândio Reis (Lisboa: E-Primatur, 2024 e 2025). (selecção)

 

Outra bibliografia:

Baptista, A. B. “A emenda de Séneca: Machado de Assis e a forma do conto”, in M. de Assis, Um Homem Célebre: antologia de contos (Lisboa: Cotovia, 2005), pp. 281–282.

Crestani, Jaison Luís. Machado de Assis no Jornal das Famílias (EDUSP –Editora da Universidade de São Paulo/Nankin, 2012)

Dixon, Paul. Os Contos de Machado de Assis: Mais do que Sonha a Filosofia (Porto Alegre: Movimento, 1992).

Fischer, Luís Augusto. “Contos de Machado: Da Ética à Estética”, in Machado de Assis: Uma Revisão, org. Antonio Carlos Secchin, José Maurício Gomes de Almeida, e Ronaldes de Melo e Souza (Rio de Janeiro: In-Fólio, 1998), pp 147–166.

Gledson, John, “Papéis Avulsos: um livro brasileiro?”, in M. de Assis, Papéis Avulsos (São Paulo: Penguin, 2011).

Sousa, José Galante de (1955), Bibliografia de Machado de Assis (Rio de Janeiro: I.N.L, 1955).


Os povos indígenas e a diversidade no Brasil-nação – continuação e conclusão.

5 Novembro 2025, 17:00 • Susana Dores de Matos Viegas

O que falámos na aula anterior pode ser pensado a partir das reflexões sobre o Brasil-nação se centrar numa projeção futura, de uma “prometida utopia” como formula Zarur, em detrimento da atenção ao passado.

A relação entre esse esquecimento do “índio” e o menor ênfase na diversidade é feita contrastar com a revolução operada pela Constituição brasileira de 1988 que fundou uma proposta de um Brasil plural.

Na segunda parte da aula iremos visionar um excerto do documentário As Guerras da Conquista e os alunos irão debater o texto de Pacheco de Oliveira (2016) apresentado na aula anterior.

 

Leituras prévias à aula:

Oliveira, João Pacheco. 2016. “O nascimento do Brasil: revisão de um paradigma historiográfico”. O nascimento do Brasil e outros ensaios: "Pacificação", regime tutelar e formação de alteridades. Contracapa. Rio de Janeiro. pp. 45-74.

 

Documentário para visionamento prévio à aula:

As Guerras da Conquista 2019

Roteiro e Direção: Luiz Bolognesi Co-roteiro: Felipe Milanez

https://www.youtube.com/watch?v=VeMlSgnVDZ4

 

Restantes referências bibliográficas para Módulo 1:

Almeida, Maria Regina Celestino de. 2016 (2011). Os índios na História do Brasil. FGV de bolso. Série História. RJ. Capítulo 1 e Capítulo 4.

Monteiro, John, no prelo. “Entre o etnocídio e a etnogênese: identidades indígenas coloniais”. In Fauto, Carlos e Monteiro, John (org). Tempos índios: história e narrativas do Novo Mundo. Assírio e Alvim. Lisboa. Pp. 25-65

Viegas, Susana de Matos. 2015. “Espaços missionários transformados: a apropriação da terra pelos índios numa aldeia jesuítica da costa Atlântica (século XVIII-XIX)”. In Viegas, Susana de Matos, Amoroso, Marta e Vieira, José Glebson (org.) “Dossiê Transformações das Territorialidades Ameríndias nas Terras Baixas (Brasil)”. Revista de Antropologia. São Paulo. Volume 58 (1): 64-104.

Viveiros de Castro. Eduardo. 1992. “O mármore e a Murta: sobre a inconstância da alma selvagem.” Revista de Antropologia. Vol. 35: 21-74.

Zarur, George de Cerqueira Leite. 2004. “A idéia de Brasil: etnia e construção da nação no pensamento social brasileiro” in A utopia brasileira: povo e elite. Intertextos. Abaré/FLASCO. Brasília.

 


Os povos indígenas e a diversidade no Brasil-nação

29 Outubro 2025, 17:00 • Susana Dores de Matos Viegas

Nesta aula refletimos sobre o lugar dos povos indígenas na construção do Brasil-nação e na política colonial. O objetivo da aula é compreender o ponto de vista da historiografia crítica, assim como das recentes inflexões resultantes dos diálogos entre história e antropologia na compreensão do lugar indígena na história do período colonial brasileiro. Partimos de uma apresentação geral sobre a situação dos povos indígenas no contexto contemporâneo para de seguida compreender as leituras de Manuela Carneiro da Cunha (2011) e Pacheco de Oliveira (2016) sobre o esquecimento do índio nos ensaios que fundaram o Brasil-nação.

 

Texto de leitura prévia à aula

Carneiro da Cunha, Manuela. 2011. “índios como tema do pensamento social no Brasil”. In Botelho, A. E Schwarz, L.M. (org). Agenda Brasileira: temas de uma sociedade em mudança. Companhia das Letras. São Paulo

 

Bibliografia

Carneiro da Cunha, Manuela. 1998 (1992). “Política Indigenista no século XIX”. in Cunha, Manuela Carneiro da (org.). História dos Índios no Brasil. Companhia das Letras. SP: 133-154.

Oliveira, João Pacheco. 2016. “O nascimento do Brasil: revisão de um paradigma historiográfico”. O nascimento do Brasil e outros ensaios: "Pacificação", regime tutelar e formação de alteridades. Contracapa. Rio de Janeiro. pp. 45-74.

Oliveira, João Pacheco. 2016. “As mortes do indígena no Império do Brasil: o indianismo, a formação da nacionalidade e seus esquecimentos”. O nascimento do Brasil e outros ensaios: "Pacificação", regime tutelar e formação de alteridades. Contracapa. Rio de Janeiro. pp. 75-116.

Perrone-Moisés, Beatriz. 1998 "Índios livres e índios escravos: os princípios da legislação indigenista do período colonial (século XVI a XVIII)" in Cunha, Manuela Carneiro da (org). História dos Índios no Brasil. Companhia das Letras. SP: 115-132.

 


As representações dos povos americanos nas fontes do período colonial

22 Outubro 2025, 17:00 • Susana Dores de Matos Viegas

Nesta aula iremos referir-nos à reflexão sobre os povos indígenas na história do período colonial. Serão debatidas e compreendidas de forma crítica as visões dicotómicas da humanidade do Novo Mundo (amigos/inimigos, aliados e civilizados/bárbaros, ferozes, indomáveis)

 

Texto de leitura prévia à aula

Almeida, Maria Regina Celestino de. 2017. “A atuação dos indígenas na história do Brasil: revisões historiográficas.” Revista Brasileira de História. Vol 37 (75): 17-38.

 

Bibliografia

Almeida, Maria Regina Celestino de. 2016 (2011). Os índios na História do Brasil. FGV de bolso. Série História. RJ. Capítulo 1 e Capítulo

Domingues, Ângela. 2024. A dinâmica imperial portuguesa e os povos nativos da Amazónia colonial: novos caminhos da historiografia brasileira. In Brasil, África e Ásia na monarquia portuguesa (séculos XVI-XVIII) / [organização] Roberto Guedes, Antonio Carlos Jucá de Sampaio, Isabele de Mattos Pereira de Melo. - 1.ed. - Rio de Janeiro : Mauad X. pp. 431-452.