Os primeiros contactos entre os congoleses e os portugueses e o Cristianismo. Convidado: Prof. Carlos Almeida

29 Março 2022, 14:00 José Augusto Nunes da Silva Horta

Convidado: Prof. Carlos Almeida.
Os primeiros contactos entre os portugueses, os congoleses e o Cristianismo. Uma interpretação da relação e da crónica de Rui de Pina.

Do modo de dizer e de pensar próprios da mundividência cristã de Pina às percepções kongo que os seus textos permitem reconstituir. 
1. Vinculação do que vem do outro lado do mar como do outro mundo. A cruz já é um símbolo a que se reconhece poder.

 O poder trazido pelo ritual do baptismo e pela ligação à cruz trazida do outro mundo são testados pelo soberano do Kongo, na guerra. A cruz é reconhecida como mais poderosa que os outros objectos que eram cultuados localmente.

2. Centração no soberano do Kongo (o Manikongo) da interpretação da relação com os cristãos, e na recepção dos novos saberes que trazem. Manipulação desses acontecimentos para reforço do seu poder, não como uma agenda subentendida mas que decorre da sua leitura dos acontecimentos e do reconhecimento por todos desse benefício. 

 Proposta de uma aliança fundada no acesso a padres, a bens e novos saberes. Não se trata apenas do Manikongo querer ser cristão e de converter todos os seus ao Cristianismo (visão de Rui de Pina e dos portugueses), mas sim de um todo, de que fazem parte o que artificialmente dividimos em religião, economia, política...  A agenda do soberano do Kongo é autónoma daquilo que o rei de Portugal está a pensar sobre a relação que quer ter com o rei do Congo.