Sumários

O espiritismo kardecista no Brasil: abordagens antropológicas

23 Abril 2025, 17:00 • Maria Clara Ferreira de Almeida Saraiva

Nesta aula pretende-se familiar os estudantes com a história e a realidade contemporânea do espiritismo kardecista no Brasil, através de diferentes abordagens produzidas na antropologia brasileira. Dar-se-á destaque às dinâmicas de definição do espiritismo, tanto no campo das ciências sociais como no campo religioso do país.

Textos para leitura prévia e debate em sala de aula:

Camurça, Marcelo. 2017. “A teoria do ‘continuum mediúnico’ de Cândido Procópio Camargo nos anos 1960-1970: atualizações e transformações contemporâneas”. Religare, 14 (1): 5-27.

Giumbelli, Emerson. 1997. “Heresia, doença, crime ou religião: o Espiritismo no discurso de médicos e cientistas sociais”. Revista de Antropologia, 40 (2): 31-82.

Giumbelli, Emerson. 2003. “O ‘baixo espiritismo’ e a história dos cultos mediúnicos”. Horizontes Antropológicos, 9 (19): 247-281.

Lewgoy, Bernardo. 2001. “Chico Xavier e a cultura brasileira”. Revista de Antropologia, 44 (1): 53-116.

Stoll, Sandra Jacqueline. 2002. “Religião, ciência ou auto-ajuda? Trajetos do Espiritismo no Brasil”. Revista de Antropologia, 45 (2): 361-402.

 


O Corpo da Nação: Beleza, Raça e Hierarquias Sociais no Brasil

9 Abril 2025, 17:00 • Maria Clara Ferreira de Almeida Saraiva

A relação entre raça, beleza e identidade nacional é um tema central para compreender as dinâmicas sociais e culturais do Brasil. Nesta aula iremos investigar como os discursos estéticos e as práticas de intervenções corporais, em especial por meio da cirurgia plástica, são mobilizados para promover um modelo específico de corpo que simbolize a nação brasileira. Por meio de uma abordagem que combina a etnografia da indústria da beleza no Brasil com a análise cultural da ideia de mestiçagem como elemento fundacional da identidade nacional, e dialogando com contribuições de intelectuais como Gilberto Freyre, examinaremos como as representações estéticas refletem e perpetuam hierarquias sociais e raciais.

Além disso, propomos um exercício de produção de conhecimento colaborativo para refletir conjuntamente sobre duas questões centrais:

1) De que maneira as concepções estéticas contribuem para a manutenção de sistemas de exclusão social, ao mesmo tempo que oferecem a promessa de mobilidade social por meio da transformação corporal?

2) Como, no contexto transnacional, o corpo se torna simultaneamente um campo de disputa por inclusão social e um instrumento de exclusão racial e econômica?

Esta aula busca, assim, estimular um debate crítico sobre os processos simbólicos e materiais que sustentam as desigualdades no Brasil e as suas implicações no cenário global.

 

 

Textos para leitura prévia e debate em sala de aula:

Pussetti C., Rohden F., Roca A. 2021. Biotecnologias, transformações corporais e subjetivas: saberes, práticas e desigualdades. Porto Alegre: ABA e UFRGS Edições.

 

Edmonds A., Sanabria E. 2016 Entre saúde e aprimoramento: a engenharia do corpo por meio de cirurgias plásticas e terapias hormonais
no Brasil. História, Ciências, Saúde – Manguinhos, Rio de Janeiro, 23(1):193-210.

 

Jarrín A. C. 2011 Os Novos Arquitetos da Miscigenação: o legado eugênico na cirurgia plástica brasileira. Revista Magistro 1(1):64-74.

 



Da invisibilidade da cor à ação afirmativa: ciências sociais e políticas públicas

2 Abril 2025, 17:00 • Maria Clara Ferreira de Almeida Saraiva

Nesta aula discutiremos as propostas analíticas de Florestan Fernandes Vs Gilberto Freyre, e examinaremos os trânsitos entre ideologias comuns, análises sociais e políticas públicas relativas a desigualdades raciais, com ênfase na viragem que ocorreu no final do seéc XX e início do XXI relativamente a propostas de mitigação das desigualdades.  

 

  Textos para leitura prévia e debate em sala de aula:

 Maio, Marcos Chor . 2019. Amazônia, desenvolvimento e relações raciais na antropologia de Charles Wagley (1940-1950). Revista de História , v. 178, p. 1-31. https://www.revistas.usp.br/revhistoria/article/view/149358/157256 

Maio, Marcos Chor . 2014. O Contraponto Paulista: Florestan Fernandes, Oracy Nogueira e o Projeto Unesco de relações raciais. Antíteses (Londrina) , v. 7, p. 10-39.https://www.redalyc.org/pdf/1933/193331342002.pdf

Santos, Claudio Pereira dos, e Livio Sansone. (Org.). 2017. Projeto UNESCO no Brasil: textos críticos. Salvador: EDUFBA,.    https://biblioteca.clacso.edu.ar/Brasil/ceao-ufba/20130403104247/projeto.pdf

Santos RV ; Maio, Marcos Chor . 2005. Antropologia, raça e os dilemas das identidades na era da genômica. História, Ciências, Saúde-Manguinhos , v. 12, p. 447-468.  https://doi.org/10.1590/S0104-59702005000200011


Raça, racialismo, racismo e “lusotropicalismo”

26 Março 2025, 17:00 • Maria Clara Ferreira de Almeida Saraiva

Nesta aula discutiremos o legado do escravismo no Brasil e as desigualdades estruturais racializadas numa perspectiva comparativa; discutiremos também teorias racialistas em voga entre cientistas brasileiros do século XX, a ideologia do "branqueamento", e as doutrinas do lusotropicalismo. 

 

Texto para leitura prévia e debate em sala de aula:

 

Bastos, Cristiana. 1998. Tristes trópicos e alegres luso-tropicalismos: das notas de viagem em Lévi-Strauss e Gilberto Freyre. Análise Social, 33(146_147), 415–432. https://doi.org/10.31447/AS00032573.1998146.11

Claudio Pereira dos Santos e Livio Sansone. (Org.). 2007. Projeto UNESCO no Brasil: textos críticos. Salvador: EDUFBA,   pp 38-60 (capitulo roberto motta sobre gilberto freyre e rene ribeiro)  https://biblioteca.clacso.edu.ar/Brasil/ceao-ufba/20130403104247/projeto.pdf

Souza, Vanderley Sebastião de. 2024. O Brasil da mitologia racial: eugenia, racismo e utopias nacionais no Modernismo brasileiro dos anos 1920. História (São Paulo), v.43, e20230007    https://doi.org/10.1590/1980-4369e20230007. 

(complementar)  

STEPAN, Nancy. “A Eugenia no Brasil – 1917 a 1940”. 2004. In: HOCHMAN, Gilberto. & ARMUS, Diego (orgs). Cuidar, Controlar, Curar: ensaios históricos sobre saúde e doença na América Latina e Caribe. Rio de Janeiro: Ed.Fiocruz. pp. 331-391.

 

Souza,  Vanderlei Sebastião de. 2012. Retratos da nação: os ‘tipos antropológicos’ do Brasil nos estudos de Edgard Roquette-Pinto, 1910-1920. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas, v. 7, n. 3, p. 645-669, set.-dez. 2012.   https://www.scielo.br/j/bgoeldi/a/QhJTqrB8vf73c7gk4qbFSfz/?format=pdf&lang=pt

 


Os dois Brasis: Casa & Rua

19 Março 2025, 17:00 • Maria Clara Ferreira de Almeida Saraiva

Esta aula abordará a dicotomia ‘casa/rua’ tal como ela é apresentada na obra de alguns dos grandes analistas brasileiros: nomeadamente, Gilberto Freyre, Caio Prado Júnior e Roberto Da Matta.

Textos para leitura prévia e debate em sala de aula:

Da Matta, Roberto. 1997. A Casa & a Rua. Espaço, Cidadania, Mulher e Morte no Brasil, esp. pp. 19-68. RJ: Rocco.

 

Leituras complementares

Da Matta, Roberto. 1997. ‘Sabe com quem está falando? Um ensaio sobre a distinção entre indivíduo e pessoa no Brasil’ in Carnavais, Malandros e Heróis. Para uma sociologia do dilema brasileiro, pp. 187-259. RJ: Rocco.

Pina-Cabral, João. 2007. ‘A pessoa e o dilema brasileiro: uma perspectiva anticesurista’ Novos Estudos CEBRAP 78, pp. 95-112.

Pina-Cabral, João e Vanda A. Silva. 2013. Gente Livre. Consideração e pessoa no Baixo Sul da Bahia, esp. pp. 13-50. SP: Terceiro Nome.