aula 2
27 Setembro 2017, 16:00 • Ivo José de Castro
História da CT dos último 200 anos, com um olhar sobre o caso português.
1ª época: A sistematização de Lachmann. CT como reconstrução de originais desaparecidos, a partir de afinidades entre cópias existentes e de variantes cuja origem comum pode ser conjecturada. A reconstrução não se faz mais com base no iudicium , como faziam os filólogos antigos, mas com base no stemma codicum, que estabelece a genealogia das cópias através dos seus erros comuns, produzidos no arquétipo ou subarquétipos. O princípio da monogénese do erro comum admite ressalvas: lectio difficilior (piège à copiste). A reconstrução do original, que resulta em edições de compromisso entre os manuscritos existentes, é um procedimento comum às várias disciplinas filológicas (literárias, linguísticas, arqueológicas, etno-antropológicas e históricas), que gradualmente se desmembram durante o séc. XIX. Nações: Alemanha (textos bíblicos, greco-latinos: síntese de Paul Maas 1927), França (românicos: Gaston Paris).
2ª época: a crítica de Bédier 1929 ao lachmannismo não sai do quadro epistemológico da CT reconstitutiva do original ausente; por isso, não é uma revolução, mas uma adaptação. Diz: não é possível os estemas serem todos bífidos; se o parecem, isso deve-se a vícios na aplicação do método. Em vez de reconstituir um original perdido com tal método vicioso, mais vale publicar em separado cada uma das cópias, que são manuscritos autênticos e com existência histórica. A edição bédieriana publica conservadoramente apenas um membro da tradição manuscrita. Nação francesa, com seguimento anglo-americano.