Sumários

Paradoxos semânticos (2)

12 Abril 2018, 10:00 Ricardo Santos

A teoria da verdade de Kripke. A crítica de Kripke às soluções hierárquicas: nenhuma barreira sintáctica ou semântica à possibilidade de uma frase ser paradoxal é viável. Falhas de valor de verdade: frases que falham no propósito de expressar uma proposição e que, por isso, nas circunstâncias em que foram proferidas, não são verdadeiras nem falsas. Necessidade de uma semântica para as conectivas com três valores (K3 de Kleene ou o método das supervalorações). Discussão preliminar da questão de saber como se comportam as frases-V na presença de frases defeituosas ou indefinidas. Diferentes concepções da verdade: deflacionismo (a verdade serve apenas para a ascensão semântica e é completamente transparente) ou substantivismo (a verdade é correspondência). Questão final: se a frase mentirosa é semanticamente defeituosa, é correcto dizer que ela não é verdadeira – tendo em conta que, ao dizê-lo, poderemos estar a asseverar a própria frase mentirosa? Asseverabilidade e verdade devem coincidir.

 


Paradoxos semânticos (1)

5 Abril 2018, 10:00 Ricardo Santos

Apresentação de algumas versões intuitivas do paradoxo do mentiroso. Aspectos centrais da teoria da verdade de Tarski: o papel fundamental das frases-V enquanto “definições parciais” de verdade; a Convenção V enquanto condição de adequação. Análise tarskiana das condições geradoras do paradoxo: qualquer linguagem que seja capaz de nomear todas as suas frases, que contenha o seu próprio predicado de verdade, na qual todas as frases-V sejam verdadeiras e cuja lógica seja clássica é uma linguagem inconsistente. O lema da diagonalização e o teorema da indefinibilidade da verdade. A linguagem natural é inconsistente? A solução hierárquica para linguagens formalizadas. Avaliação da solução hierárquica.


Vagueza (2)

22 Março 2018, 10:00 Ricardo Santos

Contextualismo. A ideia central: a extensão de um predicado vago varia com o contexto e isso pode explicar a aparente falta de limites exactos. Em cada contexto, o predicado é sempre interpretado de maneira a respeitar a tolerância a pequenas diferenças. A marcha forçada: saltos com retractação. Tese importante: se todo o falante competente salta algures, então a premissa indutiva não é verdadeira. Objecção principal: a teoria diz que há um ponto de corte, mas que nenhum ponto da série é o ponto de corte.

Epistemicismo. A vagueza é epistémica, e não semântica: há um ponto de corte, mas ele é incognoscível. Preserva a bivalência e a lógica clássica. O sorites é válido, mas a premissa indutiva é falsa. O conhecimento humano como conhecimento não-exacto, que requer sempre uma margem de erro. Uma crença a respeito de um caso de fronteira só poderia ser verdadeira por sorte. A teoria implica um externismo semântico radical: diferenças minúsculas e indetectáveis no uso (por terceiros) de um predicado podem modificar o seu significado e, logo, o seu ponto de corte. Objecção principal: a inverosimilhança dos pontos de corte.


Vagueza (1)

15 Março 2018, 10:00 Ricardo Santos

O fenómeno da vagueza. Exemplos típicos e factos característicos: ausência de limites exactos, casos de fronteira, paradoxalidade. As tarefas de uma teoria da vagueza. O Paradoxo Sorites – análise preliminar. Primeira Sugestão: rejeitar a bivalência. Lógicas com três valores. Duas objecções: 1) A teoria prevê avaliações semânticas de frases compostas que não parecem estar correctas. 2) A teoria substitui a fronteira clássica entre verdadeiro e falso, considerada inaceitável, por duas outras fronteiras: uma entre o verdadeiro e o indefinido, e outra entre o indefinido e o falso. Outra Sugestão: Graus de Verdade. Lógica fuzzy. Objecções: 1) Implausibilidade de declarar o modus ponens inválido. 2) A suposta vantagem de evitar o estabelecimento de limites exactos poderá ser ilusória. O Supervalorativismo. Caracterização da semântica supervalorativista. Preservação das verdades lógicas clássicas. Diagnóstico: o sorites é válido, mas a premissa indutiva é falsa. Papel fundamental do operador de clareza (ou de determinação) – a sua semântica e a sua lógica. Discussão da questão: Pode um objecto ser de uma maneira sem ser claramente dessa maneira?


Existência (2)

8 Março 2018, 10:00 Ricardo Santos

O problema das proposições existenciais negativas. Síntese dos elementos essenciais da solução clássica (de Russell e Quine). Objecções à solução clássica. Os argumentos de Kripke contra o descritivismo (tese da equivalência ou substituibilidade de nomes próprios por descrições definidas). O meinonguianismo e a lógica livre como alternativas à solução clássica. Apresentação breve de Alexius Meinong (1853-1920). A influência de Meinong sobre o jovem Russell (visível sobretudo em The Principles of Mathematics, 1903). A tese central de que alguns objectos não existem. O problema da caracterização e o princípio de compreensão ingénuo como resposta: para qualquer conjunto de propriedades, há um objecto único que tem essas, e só essas, propriedades. Problemas para o princípio de compreensão ingénuo: (i) paradoxo dos objectos incompletos, (ii) objectos que violam o princípio da não-contradição, (iii) proliferação de objectos existentes. A primeira estratégia de restrição do princípio de compreensão: Parsons (1980) e a distinção entre propriedades nucleares e extra-nucleares. Pouca clareza da distinção. O caso duvidoso da propriedade de ser idêntico a Parsons (ou: a essência individual de Parsons): é uma propriedade nuclear? Consequências indesejáveis de ambas as respostas possíveis. A segunda estratégia de restrição do princípio de compreensão: a distinção entre dois modos de predicação, viz. a exemplificação e a codificação (Zalta, Fine). O princípio de compreensão define objectos que codificam propriedades sem que tenham de as exemplificar. Resolução dos problemas. Custos ontológicos da solução. As críticas de Russell e de Quine ao meinonguianismo.