Como se comporta o nosso corpo quando nos alegramos, quando amamos?

6 Março 2018, 14:00 Anabela Rodrigues Drago Miguens Mendes

MARÇO                       3ª FEIRA                                         5ª Aula

 

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Saída de Campo: Sacro – Efabulações em torno de mapas intensivos, coreografia de Sara Anjo, Galeria Zé dos Bois, Rua do Século, nº 9, Porta 5, sábado, 3 de Maio das 21:30.

 

Dedicámos uma primeira parte da aula ao comentário do espectáculo que vimos juntos no sábado à noite.

Debatemo-nos com o significado do conceito de performance na sua dimensão mais geral e que corresponde a uma manifestação artística que articula diversas formas de expressão. No presente caso claramente a dança seria a favorita, uma vez que se tratava de uma coreografia. A par do movimento e repouso dos dois corpos em cena, associava-se a presença de uma outra intérprete responsável pela sonoplastia e por execução musical em instrumento de cordas. Havia ainda operação de luz. Poderíamos completar esta enunciação com os figurinos que acompanhámos e também com o cenário que nos foi dado ver. O conceito de performance estaria portanto integrado no desempenho de várias artes e técnicas.

 

Como espectáculo de dança, Sacro – Efabulações em torno de mapas intensivos é uma representação coreográfica criada a partir de um osso do nosso corpo. É ao sacro que se deve a materialização de um espectáculo artístico que integra todo um corpo. Esta integração inclui também a espectacularidade da voz como órgão desencadeador de emoções. Dele faz ainda parte o processo respiratório em várias valências. Pudemos contemplar em pormenor os efeitos de uma caminhada artística que constrói relações afectivas a partir de notação de movimento criada por oposição, por repetição, por singularização consciente do osso eleito.

O espectáculo a que assistimos desenvolve-se a partir de uma ideia nascida do nosso esqueleto. Passaremos nós a ficar mais atentos às chamadas cinco vértebras sagradas, ao cóccix e ao sacro depois de termos visto o espectáculo criado por Sara Anjo? A mais comum relação com esta parte da nossa estrutura óssea costuma ser através da dor. A dor no fundo das costas está normalmente relacionada com ela. De dor não tivemos qualquer vislumbre.

 

Deixo aqui um louvor a todas as alunas e a todos os alunos que corajosamente atravessaram a noite e a tempestade para estarem num lugar com poucas condições.


Verifiquei que o entusiasmo na escolha de alguns capítulos do livro de Giovanni Frazzetto não trouxe uma preparação aturada no sentido de tornar claro um juízo de valor sobre a matéria lida.

Na verdade, o autor que se aplica na agilização do conhecimento das Neurociências para leitores leigos nessa área, utiliza a sua própria experiência e a de outros para iluminar cada uma das emoções por si escolhidas.

Que ouvimos nós da parte da Teresa Amorim sobre as suas experiências com a alegria? A meu pedido tivemos então o prazer de a escutar sobre um acontecimento que a comoveu até às lágrimas.

É sobre as experiências de cada um que, capítulo a capítulo, o livro Como Sentimos – O que a Neurociência nos pode – ou não – dizer sobre as nossas emoções se pode tornar num elemento de trabalho precioso.

Esta obra pode ajudar-nos a entender o que se passa no nosso cérebro relativamente às várias emoções por que passamos. Resumir cada capítulo é sempre uma possibilidade, no entanto, não é disso que nos devemos ocupar em aula. Cada um fará a sua leitura em casa e adaptá-la-á às suas próprias emoções. Interessa-nos o acompanhamento de relatos de outros para que sejamos capazes de fazer os nossos. O nosso objectivo é tornarmo-nos melhores espectadores. A Sociologia das Artes do Espectáculo comporta esta componente de activação de uma melhor espectação a partir da análise dos nossos próprios comportamentos, reacções, emoções, sentimentos. Ver um espectáculo parte de nós e a nós volta.

 

Tivemos ainda a apresentação da Helena que seguiu outra opção para nos falar do amor. Ainda sob uma perspectiva de resumo, ela trouxe, porém, ao discurso, pensadores como Roland Barthes (Fragmentos de um discurso amoroso) e Jacques Derridas que, não sendo mencionados pelo neurocientista italiano, enriqueceram a sua apresentação. Haverá da parte desta aluna uma síntese da sua exposição na próxima aula.

 

Terminaremos a nossa abordagem a esta obra com o capítulo dedicado ao luto.

 

Leituras recomendadas:

- FRAZZETTO, Giovanni 2014, Como Sentimos – O que a Neurociência nos pode – ou não – dizer sobre as nossas emoções, Lisboa: Bertrand Editora, pp. 15-56; 57-97; 98-137; 176-213.

- MENDES, Anabela, Notas para uma sociologia das artes do espectáculo – Reflexão sobre a utilização de parâmetros cognitivos aplicados a públicos de teatro e outras artes in: Maria Helena Serôdio (dir.), Sinais de Cena 17, Junho de 2012, 60-69.

 

https://www.viralagenda.com/pt/events/470710/sacro-efabulacoes-em-torno-de-mapas-intensivos-de-sara-anjo

 

https://www.google.pt/search?q=sacro&dcr=0&tbm=isch&tbo=u&source=univ&sa=X&ved=0ahUKEwiXsovD99zZAhXxx1kKHRHNBdMQsAQINQ&biw=1440&bih=794