Do rosto à conflitualidade interna e externa na espécie humana

20 Março 2018, 14:00 Anabela Rodrigues Drago Miguens Mendes

 

MARÇO                       3ª FEIRA                                        9ª Aula

 

20

 

Finalmente despertámos para a realidade. Essa realidade é a aproximação do primeiro teste. A aula foi concorrida e muito participada. Poderia ser sempre assim?

Discutimos o que nos diz Darwin sobre o Amor, a Alegria, a Boa Disposição, os Sentimentos Ternos e a Devoção. Tudo emoções e sentimentos que nos animaram.

Compreendemos uma vez mais que existe uma estrutura emocional de base que é comum a todos nós, que se pode revelar em alguns animais, mas não em todos da mesma maneiras, e que sobre esse magma fervente que integra a nossa estrutura corporal incluindo a mente, se exerce como influência por parte de culturas e formas de sociabilização que criam entre nós diferenças territorialmente localizadas. Estas, por sua vez, disseminam-se à medida que atravessamos o planeta em busca de melhores condições de vida, em busca de felicidade.

No tempo de Darwin a circulação humana de terra em terra, de país em país, de continente em continente já era razoável, mas ainda não acelerada como é hoje. Os motivos que levam os seres humanos a partir de um território e a chegar a outro território são múltiplos, e cada vez mais esses motivos são nefastos. Apesar disso, verificamos que existem manifestações comportamentais de natureza social e cultural que afirmam um grupo de pessoas, uma comunidade, face a outras.

Acreditamos sem reserva que, hoje mais do que nunca, estamos definidos como espécie. A evolução da ciência genética, por exemplo, contribui para que nos conheçamos melhor, para que nos tratemos melhor, para que possamos identificar através de genes específicos, aspectos caracteriais do nosso ser, aquilo a que chamaríamos os bons e os maus genes. As particularidades sociológicas, culturais, religiosas, de natureza antropológica, que também nos caracterizam nem sempre recebem a melhor compreensão da parte daqueles que nos antagonizam. Essa conflitualidade, essa não-aceitação gera e antecipa diferença que em si nos faz conflituar.

É disto que fala o reportório teatral de muitos séculos, a ocidente e a oriente. Revermo-nos em espectáculos que nos fazem rir, chorar, que em nós criam revolta ou apaziguamento mais não é do que termos a oportunidade de face a outros (os que connosco espectam e os que para nós representam) sermos capazes de em vez de barreiras entre a cena e a plateia, conseguirmos criar pontes.

 

Leituras recomendadas:

- DARWIN, Charles 2006, A Expressão das Emoções no Homem e nos Animais, trad. José Miguel Silva, Lisboa: Relógio D’Água, 163-179, 217-231, 233-257, 321-337.

FRAZZETTO, Giovanni 2014, Como Sentimos – O que a Neurociência pode – ou não – dizer sobre as nossas emoções, Lisboa: Bertrand Editora.

- MENDES, Anabela, Notas para uma sociologia das artes do espectáculo – Reflexão sobre a utilização de parâmetros cognitivos aplicados a públicos de teatro e outras artes in: Maria Helena Serôdio (Dir.), Sinais de Cena 17, Junho de 2012, 60-69.

 

Youtube - Kathakali

https://www.youtube.com/watch?v=xGMRmoR7GPk