Rostos em gradação
10 Abril 2018, 14:00 • Anabela Rodrigues Drago Miguens Mendes
Hoje dedicámos o nosso tempo a ver parte do making of do filme Shirin de Abbas Kiarostami, através do qual pudemos descobrir verdades ocultas de rostos que já antes viramos dessa obra cinematográfica. Ao passarmos para os bastidores do filme, quebrou-se a magia do mesmo. Adquirimos, porém, outra sabedoria que Kiarostami fez passar para as suas actrizes: serem autênticas na expressão das suas emoções, recorrerem às suas próprias histórias de vida sem medo e por elas deixando-se contaminar. Shirin reviveria assim nestas mulheres que a nós, espectadoras e espectadores, já haviam antes tocado. Duplamente convocadas as nossas histórias de amor recriavam-se pela arte da vida que o filme configura de forma singela e com meios reduzidos.
Estivemos afinal a ver como um realizador fantástico, sem grandes condições para a produção de um filme, transforma a cave da casa onde habita num estúdio, e nos consegue envolver através das suas mulheres-actrizes numa história de amor pungente guardada na memória cultural de um povo. Kiarostami já não está entre nós, mas estão os seus filmes sempre delicados e poéticos. O Irão de Kiarostami é uma filigrana subtil.
Filme visionado:
KIAROSTAMI, Abbas, Shirin, DVD, 2008, em farsi com legendas em inglês, 91 min. acrescido do making of de Hamideh Razavi, 27 min.