II. Confirmação - 7

30 Abril 2021, 09:30 António José Teiga Zilhão

6. Confirmação ou Corroboração? 

6.1. Os dois conceitos de probabilidade usados por Carnap em Logical Foundations of Probability: Probabilidade1 e Probabilidade2. 

6.1.1. Probabilidade1 como um conceito lógico-epistémico de probabilidade; Probabilidade2 como um conceito empírico-objectivo (frequentista) de probabilidade. 
6.2. O conceito de confirmação introduzido por Carnap como um conceito tributário do conceito de Probabilidade1: a confirmação como valor elevado da probabilidade posterior da teoria, dada a evidência.
6.3. Crítica de Popper ao conceito de confirmação de Carnap e sua defesa da contenção de que uma medida quantitativa da confirmação não pode ser dada por um valor probabilístico. 
6.4. Teoria popperiana da Probabilidade.
6.4.1. O conceito propensista de probabilidade introduzido por Popper; 
6.4.1.1. Caracterização do conceito propensista de probabilidade. 
6.4.1.2. O conceito propensista de probabilidade de Popper constitui uma alternativa ao conceito de Probabilidade2 de Carnap, mas não ao seu conceito de Probabilidade1. 
6.4.2. O conceito de probabilidade usado por Popper no âmbito da sua teoria da avaliação epistémica continua a ser o conceito de Probabilidade1 de Carnap. 
6.5. Teoria popperiana da Corroboração. 
6.5.1. Os conceitos de corroboração e de grau de corroboração como a alternativa apresentada por Popper aos conceitos de confirmação e de grau de confirmação introduzidos por Carnap em  Logical Foundations of Probability: a corroboração de uma hipótese como uma função do seu desempenho preditivo, da sua informatividade e da sua testabilidade.   
6.5.2. Introdução por Popper, nos anos 50 do séc. XX, de duas medidas quantitativas de avaliação epistémica: uma medida quantitativa do poder explicativo de uma teoria e uma medida quantitativa da corroboração da teoria pela evidência; ambas estas medidas constituem funções contínuas de valores reais entre -1 e 1 que tomam como argumentos os valores de p(E|H), de p(E) e de p(H), sendo que estes devem nelas ser entendidos como valores de Probabilidade1.  
6.5.3 Verificação de que nenhuma destas medidas quantitativas introduzidas por Popper é capaz de dar conta dos desideratos da informatividade e da testabilidade introduzidos por ele próprio como sendo constitutivos do conceito de corroboração; contra as suas próprias intenções, a medida quantitativa da corroboração que Popper introduz deixa-se, na realidade, reconduzir a uma medida quantitativa da confirmação. 
6.5.4. O projecto de reconstruir uma medida quantitativa da corroboração que faça jus às intenções originais de Popper é provavelmente irrealizável: os conceitos de sucesso preditivo e de elevada informatividade parecem ser incompatíveis entre si; isto significa que o conceito de corroboração introduzido por Popper se encontra sobrecarregado com desideratos teóricos mutuamente inconsistentes.    
6.6. Conclusão da discussão: a corroboração popperiana não constitui uma alternativa real à confirmação bayesiana.