Sumários
O poema ideográfico
8 Outubro 2020, 17:00 • ALVA MARTINEZ TEIXEIRO
O cânone construtivo do Concretismo.
A organização dinâmica do poema concreto. O poema ideográfico: a distinção estabelecida por Apollinaire entre a compreensão sintético-ideográfica e a analítico-discursiva e a proposta de ‘ideograma poético’ de Ezra Pound.
Análise de um poema de Ferreira Gullar de 1957: a condensação da natureza-morta gullariana no poema visual. A associação de ideias sintético-ideográfica.
Exposição oral (individual) da (micro)antologia crítica realizada a partir da obra Xadrez de estrelas de Haroldo de Campos dos alunos Huang Liying e Raphael Jeremias.
Bibliografia:
AGUILAR, Gonzalo (2005): Poesia concreta brasileira: as vanguardas na encruzilhada modernista (São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo).
GULLAR, Ferreira (1987): Toda poesia (Rio de Janeiro: José Olympio [4ª ed.]).
A tentativa de "eruditizar" a comunicação de massas
1 Outubro 2020, 17:00 • ALVA MARTINEZ TEIXEIRO
A continuidade do estilo de intervenção poético-cultural do Concretismo na cultura brasileira contemporânea.
A crise do verso na poesia francesa do século XIX e o “encerramento” do ciclo histórico e formal do verso proposto pela poesia concreta. A crise da harmonia entre o poeta, a palavra e o mundo na metrópole e a viabilidade do verso: a experiência urbana na poesia de Baudelaire e dos poetas concretos.
A viabilidade e as possibilidades da poesia na nova paisagem tecnológica: a adopção de padrões não-verbais (do outdoor e do cartaz), da linguagem publicitária, da linguagem dos mass media e de modos de comunicação alicerçados em bases internacionais.
A procura da experiência ‘instantânea’ na comunicação e na receção da poesia. A tentativa de “eruditizar” a comunicação de massas e não de “massificar” a produção erudita da poesia concreta, de acordo com o Professor Paulo Franchetti.
Análise do poema "beba coca cola", de Décio Pignatari.
Bibliografia:
BARBOSA, João Alexandre (1990): A leitura do intervalo (São Paulo: Iluminuras). Disponível em:
FRANCHETTI, Paulo: «Poesia e técnica: poesia concreta». Disponível em:
SEVCENKO, Nicolau (1992): Orfeu extático na metrópole (São Paulo: Companhia das Letras).
Pensar o Brasil moderno: a poesia e a cidade
24 Setembro 2020, 17:00 • ALVA MARTINEZ TEIXEIRO
A tradição e a transgressão no cânone literário brasileiro. A centralidade da antitradição.
As imagens da 'cidade tentacular' e da 'cidade prisão' na literatura ocidental moderna.A visão da cidade e a experiência da modernidade no Primeiro Modernismo e no Concretismo: a (neo)vanguarda, o fascínio e o desconcerto nos retratos urbanos.
O Grupo do Concretismo: a especificidade do poético e a crise do verso. As relações entre o poeta, a palavra e o mundo no espaço urbano: a crise irreversível do verso.
A paisagem tecnológica moderna e a recusa do sublime.
Bibliografia:
AGUILAR, Gonzalo (2005): Poesia concreta brasileira: as vanguardas na encruzilhada modernista (São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo).
CAMPOS, Augusto de; PIGNATARI, Décio; CAMPOS, Haroldo de (1965): Teoria da poesia concreta: textos críticos e manifestos 1950-1960 (São Paulo: Atelier Editorial).
GULLAR, Ferreira (1977): Tentativa de compreensão: arte concreta, arte neoconcreta – Uma contribuição brasileira (Rio de Janeiro: Museu de Arte Moderna).
Apresentação do programa
17 Setembro 2020, 17:00 • ALVA MARTINEZ TEIXEIRO
Início do seminário. Apresentação do programa a lecionar e do processo de avaliação, assim como dos principais conteúdos e perspetivas de análise do seminário.
Objectivos de aprendizagem (conhecimentos, aptidões e competências a desenvolver pelos estudantes)
Pretende-se a aquisição de uma visão de conjunto das relações interartísticas entre o visual e o verbal na poesia e ficção brasileira da segunda metade do século XX e do século XXI, através da reflexão a respeito de temas, problemas e conceitos inerentes à escrita de certas obras e autores relevantes. Nesta ordem de ideias, procura-se a compreensão do desenvolvimento e do impacto dos diálogos interartísticos e intergenéricos, contemporâneos e pós-modernos nas artes e na cultura brasileira – discriminando várias tendências estéticas e ideológicas –, assim como o aperfeiçoamento das capacidades de interpretação, de análise e de síntese.
Conteúdos programáticos
| GÉNERO E GÉNEROS O programa pretende determinar um percurso aprofundado das relações interartísticas e intergenéricas, entre o visual e o verbal, na poesia e ficção brasileira desde a década de 50 do século passado até aos nossos dias, a partir da reflexão a respeito de três tópicos críticos basilares, assim como através da leitura e da análise de certos textos representativos: 1) Pensar o Brasil moderno. Concretismo e Neoconcretismo: teorização, polemização e experimentação. 2) Reinventar a (anti)tradição: o Pós-Concretismo. As (re)escritas poéticas da fusão interartística. 3) Repensar as potencialidades da literatura: a ficção pós-moderna. A “literatura exigente”: expressão híbrida e contaminação interartística. |
Além das três obras de leitura obrigatória – Xadrez de estrelas: percurso textual 1949-1974, de H. de Campos, Antologia, de A. Antunes e Bénédicte vê o mar, de L. Erber –, será fornecida aos alunos, na Plataforma Moodle, uma antologia de ensaios e textos literários.
Metodologias de ensino (avaliação incluída)
Esta unidade curricular parte de uma perspetiva interdisciplinar e utiliza uma metodologia eclética. Segue-se um modelo mais dialógico que expositivo, privilegiando-se, por isso, a participação oral informada. Os estudantes são estimulados a fazerem a sua própria pesquisa a propósito dos diferentes tópicos estudados, colocando em aula os seus resultados.
Assim, a organização das aulas é teórico-prática, apoiada em análise de textos, leituras, apresentação e discussão de matérias resultantes das leituras.
A avaliação consiste na participação ativa e na apresentação individual (30%) e na realização de um trabalho de iniciação à investigação (70%) onde o aluno desenvolverá um tema relacionado com as relações interartísticas, entre o visual e o verbal, na poesia ou na ficção brasileira dos séculos XX e XXI ou com a literatura brasileira contemporânea.
A distribuição dos trabalhos de apresentação individual está disponível na Plataforma Moodle.
O trabalho de iniciação à investigação é um trabalho de análise e interpretação crítica de uma obra – ou um conjunto de textos – da literatura brasileira do século XX ou XXI. Os alunos devem acordar com a professora durante as primeiras semanas de aulas a obra ou os textos escolhido(s) para a realização do trabalho de investigação final.
O trabalho terá entre 4500 e 5000 palavras (incluindo bibliografia). Terá que ser entregue até ao dia 10 de janeiro. O trabalho deverá incluir uma seção final designada “Bibliografia” que incluirá, por sua vez, dez referências, de obras – monografias científicas, artigos académicos ou histórias da literatura brasileira, entre outros – que devem ser selecionadas ad hoc, consultadas e citadas ao longo do trabalho.
Bibliografia
AA.VV. (2004): A linha que nunca termina: pensando Paulo Leminski (Rio de Janeiro: Lamparina).
AA.VV. (1998): Cadernos de Literatura Brasileira – Ferreira Gullar, 6.
AA.VV. (2007): Concerto das Artes (Porto: Campo das Letras).
AA.VV. (2007): Entre a palavra e a imagem (A Coruña / Lisboa: Fundación Luís Seoane / Câmara Municipal de Lisboa).
AA.VV. (2009): Ideas recibidas: un vocabulario para la cultura artística contemporánea (Barcelona: MACBA).
AA.VV. (2011): Novas leituras da ficção brasileira do século XXI (São Paulo: Mackenzie).
AA.VV. (2000): Ve-las palabras, le-las formas (Santiago de Compostela: CGAC).
AGUILAR, G. (2005): Poesia concreta brasileira: as vanguardas na encruzilhada modernista (São Paulo: EDUSP).
ALCÂNTARA, S. Silveira de (2010): Arnaldo Antunes, trovador multimídia. Tese de Doutoramento em Literatura Brasileira, apresentada à Universidade de Brasília, Brasília.
PERRONE-MOISÉS, L. (2016): Mutações da literatura no século XXI (São Paulo: Companhia das Letras).
Horário de atendimento aos alunos:
Acompanhamento por e-mail. Sessões de atendimento/acompanhamento online em horário fixo – todas as sextas-feiras das 13.30 às 14.30h. (sujeita a marcação prévia) – ou marcadas individualmente com os alunos.
Observações:
Os estudantes-trabalhadores e quaisquer outros que, por uma razão justificada e devidamente documentada, não possam assistir regularmente às aulas deverão contactar a professora durante a primeira ou a segunda semana de aulas para planificação conjunta das actividades a desenvolver e do acompanhamento necessário.
O número de alunos inscritos pode levar a pequenas modificações do programa.