Sumários
A vingança e o perspetivismo (e/ou relativismo) narrativo em Nada a dizer
14 Março 2017, 17:00 • ALVA MARTINEZ TEIXEIRO
Foi marcada a aula de reposição (devida à ausência da professora que, entre os dias 5 e 12 de março, se encontrava na Universidade Mohammed V de Rabat – Missão de Ensino na Licenciatura de Estudos Portugueses, ao abrigo do Protocolo UL – UM5 – CICL) no dia 30 de março (17h, sala 5.2): palestra dos escritores Rodrigo Ciríaco e Paulo Emílio Azevedo.
A transformação do discurso narrativo derivada da traição, entendida como evento relacional e que, portanto, exige uma resposta: a vingança e a autoanálise em Nada a dizer.
A acentuação do perspetivismo provocada pelo protagonismo da traição e da vingança: a instauração no texto da incerteza. A incerteza entendida como natureza ética do texto (Anderson da Mata).
A complexa e paradoxal proposta diegética: a impossibilidade da confiabilidade a respeito do narrado e a confiança instaurada na relação narradora-leitor.
A presença do grotesco como filtro narrativo do adultério. A negação da excecionalidade do adultério (e das convenções ficcionais do romance ocidental): o fastio e o vazio da experiência (Blanchot, Foucault).
A segunda estratégia da vingança: o retrato distorcido de Paulo (personagem da narradora) no romance. O princípio de alteridade no retrato de Paulo. A negação das “metanarrativas” (Lyotard): o questionamento dos ideais e do engajamento político de Paulo e a subtil construção da alteridade.
Entrega da recensão crítica e exposição oral (individual) sobre a obra Paraísos artificiais de P. H. Brito da aluna Mónica Cunha.
Bibliografia:
HARVEY, David (2006): Condição pós-moderna: uma pesquisa sobre as origens da mudança cultural (Rio de Janeiro: Edições Loyola [15ª ed.]).
LYOTARD, Jean-François (1979): Le condition postmoderne – rapport sur le savoir (Paris: Les Éditions de Minuit).
MATA, Anderson da (2010): As fraturas no projeto de uma literatura nacional: representação na narrativa brasileira contemporânea. Tese de Doutoramento na área de Literatura e práticas sociais, Universidade de Brasília. Disponível em:
http://repositorio.unb.br/bitstream/10482/8262/1/2010_AndersonLuisNdaMata.pdf
PEN, Marcelo. “Ilustrada”. Folha de São Paulo 06/03/2010. Disponível em: http://vigna.com.br/livnadacri/. Acesso em: março 2012.
Not Taught.
7 Março 2017, 17:00 • ALVA MARTINEZ TEIXEIRO
Devido à ausência da professora (que, entre os dias 5 e 12 de março, se encontrará na Universidade Mohammed V de Rabat – Missão de Ensino na Licenciatura de Estudos Portugueses, ao abrigo do Protocolo UL – UM5 – CICL), no dia 7 de março não haverá aulas.
Reposição da aula: a data da aula de reposição será marcada com os alunos após o regresso da professora.
Not Taught.
28 Fevereiro 2017, 17:00 • ALVA MARTINEZ TEIXEIRO
A aula não foi lecionada por coincidir com um feriado (férias de Carnaval).
O narrador problemático no romance Nada a dizer de Elvira Vigna
21 Fevereiro 2017, 17:00 • ALVA MARTINEZ TEIXEIRO
Devido à ausência da professora (que, entre os dias 5 e 12 de março, se encontrará na Universidade Mohammed V de Rabat – Missão de Ensino na Licenciatura de Estudos Portugueses, ao abrigo do Protocolo UL – UM5 – CICL), no dia 7 de março não haverá aulas.
Reposição da aula: a data da aula de reposição será marcada com os alunos após o regresso da professora.
O narrador na obra de Elvira Vigna. A procura de um narrador “existente na vida real, frágil e individualizado” (Ginzburg). A absorção na estrutura textual do romance da crise do homem do século XX. O repensar doloroso, a possibilidade de aprofundamento infinito das dúvidas no romance e a suspeita a respeito da ingenuidade trágica do Realismo (Féher Ferenc).
O pacto narrativo de linhagem machadiana: a suspensão da credulidade do leitor. O caráter problemático da narradora ‘não-confiável’ de Nada a dizer. A transgressão da ‘tradição da antitradição’ (Machado de Assis, Graciliano Ramos, etc): a concessão da voz narrativa (numa história de adultério) a uma mulher. Os narradores contrários ou alheios à tradição patriarcal brasileira presentes no romance contemporâneo (Ginzburg).
A transgressão de uma convenção emergente na narrativa pós-moderna brasileira: a atribuição da voz narrativa a uma mulher jovem.
A vingança como catalisador diegético no romance Nada a dizer.
Bibliografia:
ALVES, Cristiane da Silva (2015): “Do caso ao ocaso: uma leitura de Nada a dizer de Elvira Vigna” in GOMES, Gínia Maria (Org.): Século XXI: perspetivas para a literatura brasileira (Frederico Westphalen: Editora URI): 145-160.
Disponível em:
BOOTH, Wayne (1982): The Rhetoric of Fiction (Chicago: University of Chicago Press [2ª ed.]).
GINZBURG, Jaime (2012): «O narrador na literatura brasileira contemporânea» in Tintas. Quaderni di letterature iberiche e iberoamericane, 2, pp. 199-221.
FEHÉR, Ferenc (1997): O romance está morrendo? (São Paulo: Paz Terra).
Apresentação do programa
14 Fevereiro 2017, 17:00 • ALVA MARTINEZ TEIXEIRO
Início do seminário. Apresentação do programa a lecionar e do processo de avaliação, assim como dos principais conteúdos e perspetivas de análise do seminário.
Objectivos de aprendizagem (conhecimentos, aptidões e competências a desenvolver pelos estudantes):
Pretende-se a aquisição de uma visão de conjunto da ficção brasileira do século XXI através da reflexão a respeito de temas, problemas e conceitos inerentes à escrita de certas obras e autores relevantes. Nesta ordem de ideias, procura-se a compreensão do desenvolvimento dos processos literários contemporâneo e pós-moderno no Brasil – e discriminar várias tendências estéticas e ideológicas – e o aperfeiçoamento das capacidades de interpretação, de análise e de síntese.
Conteúdos programáticos:
“A narrativa brasileira no século XXI: reinventando a (anti)tradição”
O programa pretende determinar um percurso aprofundado (entre outros muitos possíveis) e uma avaliação da ficção brasileira do século XXI, a partir da reflexão a respeito de três tópicos críticos significativos, assim como através da leitura e da análise de certos textos e autores representativos.
1) A (neo)ficção social: da classe A à classe E (E. Vigna: Nada a dizer; P. H. Britto: Paraísos artificiais; F. Torres: Fim; J. P. Cuenca: Corpo presente; A. P. Maia: Carvão animal).
2) Ficção e intelectualismo: hibridismo, reflexividade, ensaísmo (L. Erber: Esquilos de Pavlov; R. Naves: A calma dos dias; N. Ramos: Ó; E. A. Ferreira: O mendigo que sabia de cor os adágios de Erasmo de Rotterdam).
3) Ficção e deslocamento: viagens, reconhecimentos e estranhamentos (R. Lísias: O livro dos mandarins; T. Salem-Levy: A chave da casa; B. Carvalho: Mongólia; L. Ruffato: Estive em Lisboa e lembrei de você).
Metodologias de ensino (avaliação incluída):
Esta unidade curricular parte de uma perspetiva interdisciplinar e utiliza uma metodologia eclética. Segue-se um modelo mais dialógico que expositivo, privilegiando-se, por isso, a participação oral informada. Os estudantes são estimulados a fazerem a sua própria pesquisa a propósito dos diferentes tópicos estudados, colocando em aula os seus resultados.
Assim, a organização das aulas é teórico-prática, apoiada em análise de textos, leituras, apresentação e discussão de matérias resultantes das leituras.
No caso dos alunos de mestrado, a avaliação consiste na participação ativa e na apresentação individual (30%) e na realização de um trabalho de investigação (70%) onde o aluno desenvolverá um tema relacionado com a narrativa brasileira do século XXI.
No caso dos alunos de doutoramento, a avaliação consiste na participação ativa e na apresentação individual (20%) e na realização de um trabalho de investigação (65%), onde o aluno desenvolverá um tema relacionado com a narrativa brasileira do século XXI, ponderando as técnicas de investigação que alicerçam a sua elaboração (15%).
A distribuição dos trabalhos de apresentação individual está disponível na Plataforma Moodle.
Data de entrega do trabalho de investigação (10 páginas): 20 de junho. Os alunos devem acordar com a professora durante a primeira ou a segunda semana de aulas a obra escolhida para a realização do trabalho de investigação final.
Bibliografia
CARNEIRO, F. (2010): No país do presente – Ficção brasileira no início do século XXI (Rio de Janeiro: Rocco).
CHIARELLI, S., DEALTRY, G. & VIDAL, P. [Orgs.] (2013): O futuro pelo retrovisor: inquietudes da literatura brasileira contemporânea (Rio de Janeiro: Rocco).
PEREIRA, H. B. C. [Org.] (2009): Ficção brasileira no século XXI (São Paulo: Mackenzie).
RESENDE, B. & FINAZZI AGRÒ, E. [Orgs.] (2014): Possibilidades da nova escrita literária no Brasil (Rio de Janeiro: Revan).
SILVA, J. C. da, MARTINS, J. O. & GONÇALVES, M. [Orgs.] (2011): Pensar a literatura no século XXI (Braga: ALETHEIA/UCP).
VILLARINO PARDO, C. & RUFFATO, L. [Orgs.] (2011): O conto brasileiro contemporâneo (Santiago de Compostela: Laiovento).
Além dos três romances de leitura obrigatória – Nada a dizer de E. Vigna, Esquilos de Pavlov de L. Erber, Mongólia de B. Carvalho –, durante o semestre será fornecida aos alunos (na Plataforma Moodle) uma antologia ad hoc de breves ensaios e artigos destinada a ilustrar e problematizar os referidos tópicos e obras.
Horário de atendimento aos alunos:
Acompanhamento por e-mail. Sessões de atendimento/acompanhamento em horário fixo – todas as terças-feiras das 15.30 às 17h. (sujeita a marcação prévia) – ou marcadas individualmente com os alunos.
Observações:
Os estudantes-trabalhadores e quaisquer outros que, por uma razão justificada e devidamente documentada, não possam assistir regularmente às aulas deverão contactar a professora durante a primeira ou a segunda semana de aulas para planificação conjunta das actividades a desenvolver e do acompanhamento necessário.
O número de alunos inscritos pode levar a pequenas modificações do programa.
Avaliação prévia de conhecimentos dos alunos da turma.