Sumários
Gestão da Avaliação - 5
21 Maio 2026, 13:00 • António José Teiga Zilhão
Apresentação pelos estudantes dos ensaios finais e discussão dos mesmos - II:
4) Márcia Banora: "Será a relação de identidade uma relação entre objectos?"
5) Rodrigo Gonçalves: "Será o projecto fregeano da Lingua Characterica vulnerável ao Teorema da Incompletude de Goedel?"
6) Pedro Lomba: "Serão nomes próprios, em última análise, descrições definidas?"
Conclusão do curso de Elementos de Semântica Filosófica de 2026.
Gestão da Avaliação - 4
19 Maio 2026, 13:00 • António José Teiga Zilhão
Apresentação pelos estudantes dos ensaios finais e discussão dos mesmos - I:
1) Filipa Bogalho: "Serão conceitos funções?"
2) António Martins: "Serão compatíveis os conceitos de conceito de Kant e Frege?"
3) Vicente Rasteiro: "Constituirão as funções heterógradas uma violação da hierarquia ontológica fregeana?"
Gestão da Avaliação - 3
14 Maio 2026, 13:00 • António José Teiga Zilhão
Entrega dos ensaios finais.
Marcação do calendário de discussões orais.
VI. O Pensamento: uma Investigação Lógica - 5
12 Maio 2026, 13:00 • António José Teiga Zilhão
Análise e discussão do ensaio de Gottlob Frege O Pensamento: uma Investigação Lógica ( Der Gedanke: eine logische Untersuchung) de 1918/19 - 5.
VI. 27. O argumento anti-céptico de Frege (conclusão). x) existindo outros portadores de conteúdos de consciência distintos de mim, os seus conteúdos de consciência, os quais, por definição, não são acessíveis à minha consciência, terão igualmente que existir; xi) todavia, não sendo dados à minha consciência, os conteúdos de consciência de outros portadores de conteúdos de consciência podem ser objecto de pensamentos que eu consigo capturar (eu posso, por exemplo, capturar pensamentos acerca da dor de outrem, apesar de as dores de outrem não poderem ser conteúdos da minha consciência); xii) daqui segue-se que, através do pensamento, eu posso relacionar-me cognitivamente com entidades que não constituem conteúdos (ideias, segundo a terminologia fregeana) dados à minha consciência; xiii) se, através do pensamento, eu posso relacionar-me cognitivamente com entidades que não são dadas à minha consciência (os conteúdos de consciência de outrem), então não há qualquer razão para restringir ao âmbito dos conteúdos de consciência de outrem as entidades que não são dadas à minha consciência e que podem ser objecto de pensamentos que eu posso capturar; xiv) deste modo, não há qualquer razão para que, através do pensamento, eu não possa relacionar-me cognitivamente com outros objectos, os quais, mesmo que dando origem a conteúdos de consciência meus por intermédio da percepção sensorial, existam independentemente desses conteúdos e das percepções sensoriais que lhes dão origem; xv) estes objectos são os objectos físicos; xvi) neste sentido, é o pensamento que torna possível a constituição de um mundo físico distinto e independente dos meus conteúdos de consciência; na realidade, aquilo a que chamamos 'factos' não são senão pensamentos verdadeiros; xvii) mas, se factos, sendo pensamentos verdadeiros, são essencialmente distintos e independentes dos meus conteúdos de consciência, então eles deverão também ser essencialmente distintos e independentes dos conteúdos de consciência de outrem; xviii) neste sentido, os mesmos factos deverão estar disponíveis para todos aqueles que tenham a capacidade de relacionar-se cognitivamente com pensamentos verdadeiros, ou seja, é o pensamento que torna possível a constituição de um mundo externo, comum a todos os seres pensantes; xix) deste modo, o trabalho da Ciência consiste na descoberta, tratamento e sistematização de pensamentos verdadeiros; xx) assim sendo, e embora existindo a-temporalmente e a-espacialmente, e, portanto, fora do mundo físico (o qual gera percepções sensoriais em nós mas não pensamentos), os pensamentos não deixam de agir sobre o mundo físico; xxi) fazem-no em consequência da sua captura por seres que, simultaneamente,: a) são pensantes, b) encontram-se em interacção causal com o mundo físico e c) são portadores de conteúdos de consciência; estes seres somos nós; xxii) com efeito, as decisões que tais seres tomam, e as acções a que elas dão origem, são, de uma forma geral, intermediadas por meio de pensamentos; xxiii) assim, o Pensamento actua sobre o mundo físico por intermédio da acção sobre ele dos seres pensantes (i.e., de nós).
VI. O Pensamento: uma Investigação Lógica - 4
7 Maio 2026, 13:00 • António José Teiga Zilhão
Análise e discussão do ensaio de Gottlob Frege O Pensamento: uma Investigação Lógica ( Der Gedanke: eine logische Untersuchung) de 1918/19 - 4
VI.27. O argumento anti-céptico de Frege: i) por definição, os conteúdos de consciência ou ideias não são entidades independentes, i.e., eles necessitam de um portador para existirem; ii) da necessária existência de um portador dos conteúdos de consciência que existem, decorre a seguinte consequência disjuntiva: ou o portador das ideias que existem não é, ele próprio, uma ideia ou conteúdo de consciência, ou o portador das ideias que existem é, também ele, um conteúdo de consciência ou ideia; iii) mas, se o portador dos conteúdos de consciência que existem for, ele próprio, uma ideia ou conteúdo de consciência, então duas consequências se seguem: por um lado, haverá pelo menos uma ideia que terá, ela própria, a capacidade de ser portadora de outras ideias; por outro lado, terá que existir um seu portador; iv) mas, desta segunda consequência, segue-se que a mesma questão terá que voltar a colocar-se para o portador do portador dos meus conteúdos de consciência; e assim sucessivamente ad infinitum, incorrendo-se então numa regressão ao infinito de portadores; v) deste modo, caso se queira evitar uma regressão ao infinito de portadores, segue-se, por silogismo disjuntivo, que é necessário que os portadores de conteúdos de consciência ou ideias não sejam eles próprios conteúdos de consciência ou ideias e que, portanto, existam como uma entidade externa aos mesmos, e não como mais um deles (mesmo que, entre estes, se encontrem ideias do portador; mas estas devem, todavia, ser distinguidas da entidade que as alberga); vi) daqui segue-se que eu, enquanto portador dos meus conteúdos de consciência, sou uma entidade externa aos mesmos; vii) mas, enquanto entidade externa aos conteúdos de consciência e seu portador, eu terei que existir num mundo povoado por objectos que, como eu, não necessitam de portadores para existirem; viii) esse mundo é o mundo físico (espácio-temporal); ix) ora, com toda a probabilidade, nesse mundo, entre os objectos que nele existem, existem outras entidades independentes semelhantes a mim, as quais, tal como eu, são também portadores de conteúdos de consciência.