Sumários
II. Sobre Sentido e Denotação - 4
10 Março 2026, 13:00 • António José Teiga Zilhão
Análise e discussão do ensaio de Gottlob Frege Sobre Sentido e Denotação (Ueber Sinn und Bedeutung) de 1892 - 4
XIX) Determinação de se a denotação de uma oração subordinada condicional no contexto de uma frase condicional complexa é sempre constituída por um valor de verdade. Divisão desta determinação na análise de dois sub-casos distintos. Sub-caso A): O caso das frases condicionais que não contêm qualquer termo singular determinado. Neste caso, estas frases têm como função exprimir generalidade (por exemplo, nómica) e apenas a frase no seu todo exprime um pensamento, não o fazendo as orações constituintes; estas orações têm então apenas denotação indirecta, não denotando por isso quaisquer valores de verdade; há que notar, a este respeito, que muitas frases de aparência gramatical substantiva ou adjectiva são, na realidade, frases condicionais usadas para exprimir generalidade. Sub-caso B): O caso das frases condicionais nas quais ambas as orações constituintes, subordinante e subordinada, contêm um termo singular determinado. Neste caso, estas frases são frases condicionais genuínas e ambas as orações que as compõem exprimem pensamentos completos; ambas as orações denotam então valores de verdade e o valor de verdade da frase condicional completa obtém-se por composição vero-funcional a partir dos valores de verdade das orações constituintes. XX) Determinação da questão acima no caso das orações subordinadas conjuntivas e de alguns tipos de orações subordinadas concessivas: nestes casos, as orações subordinadas têm um pensamento completo como sentido; elas denotam, por isso, um valor de verdade; também aqui o valor de verdade da frase completa se obtém por composição vero-funcional a partir dos valores de verdade das orações constituintes. XXI) Distinção entre sentido e tonalidade de uma frase. XXII) Análise de alguns casos de difícil decisão: estes são ou i) aqueles casos nos quais, além do pensamento que prima facie exprimem, as orações subordinadas estão também associadas a pensamentos colaterais, não sendo claro se estes fazem ou não parte do sentido da frase completa ou ii) aqueles casos nos quais as orações subordinadas desempenham, em simultâneo, dois papéis semânticos, estando, nomeadamente, associadas a duas denotações, uma directa (um valor de verdade) e outra indirecta (um pensamento). XXIII) Análise dos casos das orações subordinadas de causalidade: as frases complexas nas quais a oração subordinante e a oração subordinada estabelecem um nexo de causalidade devem ser consideradas como entimemas, i,e., como argumentos nos quais uma das premissas - tipicamente, a premissa universal de carácter nómico - está subentendida mas não formulada; nestes casos tão-pouco é possível considerar que as orações subordinante e subordinada denotam, cada uma delas, um valor de verdade. XXIV) Conclusão do ensaio SSeD: esta constitui uma recapitulação da solução de Frege para o enigma da identidade, i.e., da tese de que, no estabelecimento de uma relação de identidade do género 'a=b', apesar de ser condição da verdade da frase que exprime a identidade que os termos partilhem a mesma denotação, estes não deixam, por isso, de diferir no seu sentido; esta diferença de sentido permite, por sua vez, explicar por que é que o estabelecimento de uma identidade pode conter um valor cognitivo genuíno e fecundo.
II. Sobre Sentido e Denotação - 3
5 Março 2026, 13:00 • António José Teiga Zilhão
II. Sobre Sentido e Denotação - 2
3 Março 2026, 13:00 • António José Teiga Zilhão
Análise e discussão do ensaio de Gottlob Frege Sobre Sentido e Denotação (Ueber Sinn und Bedeutung) de 1892 - 2
VIII) Distinção entre denotação (Bedeutung), sentido (Sinn) e representação (Vorstellung). Esta distinção corre paralela à distinção estabelecida por Frege entre dimensões ontológicas distintas: enquanto que o que constitui a denotação ou o sentido de termos ou frases são entidades que pertencem a dimensões ontológicas objectivas (materiais ou abstractas), isto é, dimensões ontológicas preenchidas por objectos, físicos ou abstractos, funções ou pensamentos, as representações são entidades que pertencem a uma dimensão ontológica subjectiva ou mental, i.e., as representações são os conteúdos de consciência suscitados de modo privado na mente de cada um em associação com o contacto com a denotação e/ou o sentido das frases e dos termos que as constituem. IX) Assim sendo, a denotação e o sentido de um termo ou de uma frase completa são o mesmo para todos; já as representações a eles associadas variam de uns para outros e não é possível comparar as representações de uns com as de outros. X) Aplicação da distinção sentido/denotação a frases afirmativas completas: o sentido de uma frase afirmativa completa é o pensamento que ela exprime; a denotação de uma frase afirmativa completa é um valor de verdade. XI) Distinção entre uso cognitivo e uso artístico das frases de uma qualquer língua: no primeiro caso, as frases declarativas completas têm sentido e denotação; no segundo caso, as frases declarativas completas apenas têm sentido mas não têm (ou, pelo menos, não têm que ter) denotação. XII) Justificação da tese de que a denotação de uma frase declarativa completa seria um valor de verdade: a) A consideração de que a denotação de uma frase é um valor de verdade permite salvaguardar o princípio leibniziano de que a substituição de termos co-denotativos numa frase declarativa completa não afecta o valor de verdade da mesma; b) A consideração de que a denotação de uma frase declarativa completa é um valor de verdade permite salvaguardar a composição funcional de frases complexas, i.e., quando uma frase complexa contém outras frases mais simples como seus constituintes, a substituição destas na frase complexa por frases que denotam o mesmo valor de verdade permite salvaguardar o valor de verdade da frase complexa. XIII) A conjunção das teses de que frases declarativas completas têm uma denotação e de que a mesma seria um valor de verdade arrasta consigo duas consequências contra-intuitivas, a saber: a) Todas as frases declarativas verdadeiras têm a mesma denotação - o Verdadeiro; b) Uma frase declarativa completa seria, na realidade, um nome próprio para um valor de verdade. XIV) Estas consequências devem, todavia, ser consideradas em associação com o princípio do contexto: de acordo com o mesmo, um juízo deve ser visto não como uma composição construída a partir de partes independentes e subsistentes por si, mas antes como uma decomposição retrogressiva de um aspecto do Verdadeiro (um pensamento) em partes constituintes que o estruturam. XV) Refutação da hipótese de que a verdade poderia ser um predicado que se aplicaria a frases tomadas como sujeitos de predicação: o acto judicativo em si já constitui um modo de tomar um conteúdo proposicional como verdadeiro; neste sentido, um juízo que atribuísse a propriedade da verdade a um conteúdo judicativo específico seria, simplesmente, redundante.II. Sobre Sentido e Denotação - 1
26 Fevereiro 2026, 13:00 • António José Teiga Zilhão
Análise e discussão do ensaio de Gottlob Frege Sobre Sentido e Denotação (Ueber Sinn und Bedeutung) de 1892 - 1
I) Consideração de diferentes modos possíveis de entender a relação de igualdade: i) como uma relação entre sinais (que indicaria acerca de dois sinais que estes designariam o mesmo objecto); ii) como uma relação entre objectos (que indicaria acerca de dois objectos que estes seriam, na verdade, o mesmo). II) Argumento que milita contra o segundo entendimento e a favor do primeiro: nos casos em que frases do tipo 'a=b' fossem verdadeiras, a diferença em valor cognitivo entre as mesmas e frases do tipo 'a=a' ficaria, no âmbito do segundo entendimento, por explicar. III) Argumento que milita contra o primeiro entendimento: o conhecimento que, com frequência, pretendemos exprimir por meio do uso de frases de igualdade verdadeiras do tipo 'a=b' é conhecimento substantivo com valor cognitivo real e não conhecimento linguístico acerca do modo como usamos os sinais 'a' e 'b'. IV) Solução para o problema: para além de uma denotação (Bedeutung) - o objecto designado -, termos singulares (nomes ou descrições definidas) têm também um sentido (Sinn), o qual consiste no modo específico como a denotação dos mesmos é capturada; ora, a descoberta, expressa numa frase do tipo 'a=b', de que dois sentidos distintos estão associados a uma mesma denotação é, frequentemente, uma descoberta com um conteúdo cognitivo significativo (empírico ou matemático) e não uma descoberta de âmbito meramente linguístico; neste sentido, a relação de igualdade não é, tipicamente, uma relação entre sinais. V) Relação entre sinal, denotação e sentido: qualquer sinal pertencente a um sistema consistente tem um sentido e qualquer denotação é sempre capturada através de um sentido específico; mas daqui não se segue que todo o sentido específico capture uma denotação - com efeito, existem sentidos aos quais nenhuma denotação corresponde. VI) Distinção entre denotação habitual e denotação indirecta e entre sentido habitual e sentido indirecto. VII) A denotação indirecta de um termo singular é o seu sentido habitual.
I. Função e Conceito - 3
24 Fevereiro 2026, 13:00 • António José Teiga Zilhão