Sumários

2.º teste; 1.ª chamada

28 Maio 2026, 12:30 Rodrigo Furtado

2.º teste; 1.ª chamada


Palcos ibéricos e mediterrâneos da Guerra dos Cem Anos os Trastâmara e os Avis. Caspe.

26 Maio 2026, 12:30 Rodrigo Furtado

 

    Introdução.

1.     Transição do século XIV para o XV marcada por conflitos sucessórios nas três principais monarquias cristãs ibéricas.

2.     Guerras peninsulares articulam-se com dinâmicas europeias, sobretudo com a Guerra dos Cem Anos e a política papal.

 

II.             A Guerra dos Cem Anos (1337-1453).

1.     Um conflito dinástico: Valois vs. Plantageneta.

2.     Um conflito pelo controlo da costa Atlântica da França: o território entre a Gasconha e a Normandia.


III.           Pedro I de Castela e a Guerra Civil (1350–1369)

1.     Pedro I (1350–1369): centralização, contestação interna, instabilidade social; a deposição  por Henrique de Trastâmara com apoio francês.

1.1  Conflito enquadra-se na Guerra dos Cem Anos:

1.2  Pedro I aliado da Inglaterra (Príncipe Negro);

1.3  Henrique II apoiado pela França (Bertrand du Guesclin).

1.4  Batalha de Nájera (1367): vitória de Pedro I com apoio inglês, mas sem capital político.

1.5  1369: Pedro é assassinado; Henrique II inaugura a dinastia Trastâmara com base na aliança com a nobreza.

1.6  Dependência militar de Castela face a potências externas e introduziu novos equilíbrios aristocráticos.


IV.           Conflito de 1383–1385 em Portugal

1.     Morte de D. Fernando I de Portugal sem herdeiro varão; pretendente: D. Beatriz, casada com João I de Castela (Trastâmara).

2.     Resistência interna liderada por João, Mestre de Avis, com apoio da burguesia lisboeta.

3.     Alianças externas:

3.1   Castela com França;

3.2   Portugal com Inglaterra (Tratado de Windsor, 1386).

4.     O conflito insere-se no mesmo ciclo de recomposição dinástica e de guerra cruzada com interesses europeus.

 

V.             Crise dinástica aragonesa e compromisso de Caspe

1.     Morte de Martinho I de Aragão (1410) sem descendência crise de sucessão.

1.1  Várias candidaturas (Jaime de Urgel e Fernando de Trastâmara).

1.2  Compromisso de Caspe (1412): nomeação de Fernando de Antequera (Trastâmara) como rei de Aragão (Fernando I).

 

2.     Início da presença castelhana na monarquia aragonesa, reforço da dinastia Trastâmara.

2.1  Consequência: reorientação da política aragonesa e integração parcial com a diplomacia castelhana.

2.2  A resolução de Caspe marca um ponto de viragem no equilíbrio peninsular e antecipa a união dinástica dos Reis Católicos.

Rodrigo Furtado

Bibliografia:

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Aragão/Catalunha: entre a Ibéria e o império mediterrâneo disputas na Sicília, na Itália e nos Balcãs.

21 Maio 2026, 12:30 Rodrigo Furtado


1. A formação do reino de Aragão e a emergência catalã.

1.1  A autonomia do condado de de Aragão com Ramiro I (1035): a assimilação de Ribagorza (1043); a união com Navarra (1076-1134). O fechamento ao mar; a expansão para Saragoça (1118).

1.2  A constelação de condados catalães:

o   a autonomia desde o século X.

o   A hegemonia do condado de Barcelona. A abertura geográfica ao mar – as relações com o sul de França e com as cidades de Itália.

o   Integração precoce em redes eclesiásticas e jurídicas do mundo carolíngio (uso do rito romano, adoção de direito escrito, influência cluniacense). A relação com o mundo franco.

 

2. União dinástica entre Aragão e Catalunha (1137): potencialidades e limites.

2.1  1137: casamento de Petronila de Aragão com Raimundo Berenguer IV de Barcelona: união pessoal e dinástica (não fusão política).

2.2  Raimundo Berenguer IV assume o governo como princeps e dominus de Aragão.

2.3  Potencialidades:

    • articulação de recursos militares aragoneses com capitais e redes mercantis catalãs;
    • abertura ao Mediterrâneo (via Barcelona);
    • A vantagem sobre as cidades italianas rivais: dimensão; demografia; recursos; guerra.

 

2.4  Limites:

o   tensões regionais (resistência da nobreza aragonesa ao predomínio catalão);

o   separação de línguas, direito e identidade institucional. Respeito pelas autonomias locais.

2.5  Os campos de expansão:

o   conquista de Valência e Maiorca: afirmação peninsular e acesso ao mar;

o   entre o Rossilhão e a embocadura do Ródano;

o   a expansão pelo Mediterrâneo.

 

3. Conquista de Valência e Maiorca: afirmação peninsular e acesso ao mar.

3.1  Jaime I (1213–1276): campanhas decisivas sobre territórios muçulmanos: Valência (1238) e Maiorca (1229).

3.2  Início da construção de uma economia marítima de escala regional, com centros em Barcelona, Palma e Valência

 

4.     O nascimento do “império marítimo catalão”. A disputa pelo Mediterrâneo.

4.1  Expansão:

  • Sul da França: a disputa até à foz do Ródano – Rossilhão, Montpellier, Toulouse, Provença.
  • Ocupação da Sicília (1282): resultado da revolta anti-angevina (Vésperas Sicilianas) - Pedro III (1279-1285) torna-se rei da Sicília.
  • Ocupação da Córsega e Sardenha (investidura papal em 1297; conquista em 1323–1326).
  • A intervenção nos Balcãs: Atenas e Neopátria (1311-1389).

 

4.2  Catalunha torna-se núcleo de uma rede comercial e militar mediterrânea:

  • consolidação de rotas com Génova, Pisa, Marselha e Alexandria;
  • a rivalidade com Nápoles;
  • presença de consulados (consulats de mar) e estruturas diplomáticas.
  • Multiplicação dos fluxos de prata, trigo e têxteis

4.3  Modelo imperial: baseado mais no controlo de portos e rotas do que em conquistas territoriais.

Rodrigo Furtado

Bibliografia:

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Fernando III, Afonso X e o sonho imperial: o projecto ideológico alfonsino.

19 Maio 2026, 12:30 Rodrigo Furtado

1.     A ideia imperial na Hispânia.

1.1  A hegemonia leonesa/castelhana.

    • Afonso VI: imperator totius Hispanie (após 1085).
    • Afonso VII: imperator totius Hispanie (1135).
    • Não equivalia ao Sacro Império; primazia entre reis peninsulares; hegemonia política; superioridade simbólica.
    • Translatio imperii: ideologia imperial castelhana: ligada à memória do reino visigótico como herdeiro do Império romano na Hispânia;

 

1.2  A menor insistência na ideia imperial:

o   A divisão de Leão e Castela (1157-1230).

o   A pressão almôada (1145-1212). As Navas de Tolosa (1212).

 

2.     Unificação de 1230: Fernando III e a fusão Leão-Castela.

2.1  O casamento Afonso IX de Leão – Berenguela de Castela (1197) – herdeira do irmão, Henrique I;

2.2  Em 1230, Fernando III herda Leão e já reinava em Castela:

2.3  Marco simbólico da transição para um novo ciclo de centralização régia e expansão (Andaluzia, Múrcia, Algarve):


    • A chegada ao Guadalquivir: a conquista de Sevilha (1248).

 

2.4   O casamento de Fernando III e Beatriz da Suábia (1219).

 

3.     Recuperar a reivindicação imperial.

3.1  A ausência de imperador no Sacro Império (1250-1272).

·       Morte de Frederico II (1250): colapso da autoridade imperial; início do Grande Interregno.

  • quem sucederia aos Hohenstaufen? Aprovação papal + eleição pelos príncipes alemães.
  • Hostilidade papal aos Staufen: procura de candidatos alternativos.
  • Afonso como solução intermédia: descendente dos Staufen; exterior à política alemã e italiana.

3.2  A herança germânica de Afonso X: os Hohenstaufen. Filipe da Suábia e a reclamação do título imperial – Rei dos Romanos; Rei da Germânia (1198-1208). 4 filhas.

·       Permite a Afonso apresentar-se como herdeiro legítimo da tradição imperial germânica.

  • O papa Alexandre IV reconhece Afonso como duque legítimo da Suábia (1255).
  • Afonso torna-se candidato imperial plausível;

4.     O projecto imperial de Afonso X.

4.1  Pisa e o início da candidatura (1256).

·       Pisa era uma república marítima apoiante dos Hohenstaufen; vazio imperial ameaçava os interesses pisanos;

·       Porque escolhem Afonso? Legitimidade dinástica + distância da política alemã; Castela-Leão era o maior reino cristão peninsular; projectos africanos e mediterrânos; isto interessava directamente a Pisa.

·       Março de 1256; Sória: delegação pisana proclama Afonso “rei dos Romanos”; faz-lhe homenagem solene (entrega espada; cruz; Antigo e Novo Testamento) – imitatio imperii.

4.2  Problemas:

·       Juridicamente os pisanos não tinham autoridade legal para eleger um imperador;

·       Gesto era simbólico/diplomático.

·       Início da candidatura imperial; adopção do título “Rei dos Romanos”

4.3  A partir de 1256:

·       enormes recursos são investidos: diplomacia; subornos eleitorais; viagens; propaganda

 

5.     O investimento ideológico: ligar Castela à sucessão universal de Roma + integrar a Hispânia na história providencial do mundo.

5.1  General Estoria: história universal da humanidade.

  • organiza toda a história humana desde a Criação até ao presente.
  • Castela deixa de ser apenas um reino peninsular; torna-se actor central da história universal.

 

5.2  Estoria de España: história providencial da Hispânia. Translatio imperii querida por Deus.

5.3  Castelhano em vez do latim. Língua imperial

5.4  Projecto cultural alfonsino: traduzir;  compilar; ordenar todo o conhecimento disponível.

 

6.     O fracasso.

6.1  Afonso nunca obtém eleição efectiva; coroação imperial.

6.2  Consequências internas

·       obsessão imperial contribuiu para crise financeira; revoltas internas;

·       Candidatura imperial foi politicamente ruinosa;

6.3  Criação de uma nova visão universal da História centrada em Castela e nos reis de Castela: concepção “imperial” da cultura castelhana.

Rodrigo Furtado

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Valdeón Baruque, J. (2006). La Reconquista: El concepto de España, unidad y diversidad. Madrid: Espasa Calpe.


A segunda ‘romanização’ da Hispânia: Compostela, Cluny e cruzada.

14 Maio 2026, 12:30 Rodrigo Furtado


I.               Entretanto na Europa.

 

1.     Os apelos contínuos à reforma da Igreja nos ss. X-XI. Combate a:

o   simonia;

o   interferência laica;

o   confusão entre clero e o não-clero.

2.     Cluny (910)

·       Guilherme da Aquitânia.

·       Libertas ecclesiae: liberdade de eleição abacial; autonomia face a senhores; território que permitisse autonomia; protecção papal.

·       purificação da vida monástica – afirmação do lugar especial do clero;

·       o imperialismo religioso e patrimonial de Cluny.

 

3.     A Reforma chega a Roma: a “Reforma Gregoriana.

·       os papas da reforma – Leão IX (1048-1054), Nicolau II (1059-1061), Gregório VII (1073-1085) e Urbano II (1088-1099).

·       autonomização da Igreja em relação aos poderes seculares: a superioridade do poder espiritual.

·       liberdade e a centralização papal:

o   sucessor directo de Pedro; cabeça da Cristandade;

o   Dictatus papae (1075): supremacia papal; direito de depor imperadores; exclusividade da autoridade romana.

·       moralização, melhor preparação e separação do clero

·       reforma da escrita e imposição da letra carolina.

4.     As cruzadas.

·       Urbano II em Clermont (1095): libertar Jerusalém; ajudar cristãos orientais; peregrinação armada; indulgência; compromisso penitencial.

·       Conquista de Jerusalém (1099): Grande triunfo simbólico do papado; confirmação da liderança papal.

·       nova ideia de guerra santa:

o   autorização papal;

o   indulgência;

o   voto;

o   enquadramento penitencial;

o   integração universal da Cristandade latina.

 

II. A segunda “Romanização”.

 

1.     O caminho de Santiago.

1.1   A “invenção” do túmulo do apóstolo (820-830).

1.2   Peregrinação internacional antes de Cluny

o   peregrino alemão (c. 930);

o   bispo Godescalco de Le Puy (950–951);

o   Hugo de Vermandois (959);

o   Simeão da Arménia (983-984).

1.3   Desenvolvimento do “Caminho Francês” (ss. XI–XII): Papel dos reis: constroem igrejas; criam hospitais; financiam infraestruturas; apresentam Santiago como patrono da Hispânia (patronus et dominus totius Hispaniae).

1.4   A diocese de Iria e a transferência para Santiago (1095): uma igreja apostólica.

1.5    Diego Gelmírez (1101-1140), o arcebispado de Compostela (1120-).

1.6   A disputa em torno de Braga: a disputa da herança romano-visigótica.

 

2.     Influência de Cluny (na esteira de Sancho III e Fernando I):

2.1    Na esteira de Sancho III.

2.2   Pagamento de um censo anual de 1000 áureos (Fernando I) e 2000 áureos (Afonso VI).

2.3   O que procura Cluny?

·       participação nos benefícios económicos;

·       influência política;

·       acesso às parias;

·       presença nas rotas peregrinas.

2.4   O que procuram os reis peninsulares?

 

3.     Reforma eclesiástica

3.1   Concílio de Coyanza (1055): reorganização da Igreja; garantir a independência da igreja; a moral eclesiástica.

3.2   O concílio de Burgos e o rito romano (1080).

3.3   A reforma monástica: a Regra de São Bento. Os primeiros mosteiros: San Juan de la Peña (1071); San Isidro de las Dueñas (1073), San Zoilo de Carrión (1076); adopção dos costumes por Sahagún (1079). Idem: Pendorada, Paço de Sousa, Santo Tirso, Tibães, Pombeiro.

3.4   A restauração de dioceses: Braga (1071); Coimbra (1080); Porto (1112).

3.5   Os bispos francos:

·      Bernardo de Sedirac, arcebispo de Toledo (1086-1125);

·      Geraldo de Moissac, arcebispo de Braga (1096-1109)

·      Maurício Burdino, bispo de Coimbra (1099-1109), arcebispo de Braga (1109-1118);

·      Hugo, bispo do Porto (1114-1136)

 

 

4.     A “cruzada hispânica”.

4.1   A Reconquista já seria uma guerra santa antes das Cruzadas (Claudio Sánchez-Albornoz; Ramón Menéndez Pidal

·       Crónicas asturianas: apresentam os reis asturianos como herdeiros dos Godos; defendem recuperação da Hispania perdida.

·       Elementos “proto-cruzadísticos”: pedido do auxílio divino; guerra contra inimigos da fé.

·       Antes do final do séc. XI: não há indulgência papal; não há voto de cruzado; não há equivalência plena entre combate e peregrinação penitencial.

4.2   A proto-cruzada de Barbastro (1064). Alexandre II concede benefícios espirituais. Participação transpirenaica.

4.3   A atracção de guerreiros francos: a casa de Borgonha.

4.4   A ideologia de cruzada vem sobretudo do papado reformador: s. XII.

4.5   As primeiras ordens militares ibéricas: Calatrava (1158); Santiago (c. 1160); Avis (antes 1176; assoc. Calatrava em 1187).

Rodrigo Furtado

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