Sumários
Aragão/Catalunha: entre a Ibéria e o império mediterrâneo disputas na Sicília, na Itália e nos Balcãs.
21 Maio 2026, 12:30 • Rodrigo Furtado
1. A formação do reino de Aragão e a emergência catalã.
1.1 A autonomia do condado de de Aragão com Ramiro I (1035): a assimilação de Ribagorza (1043); a união com Navarra (1076-1134). O fechamento ao mar; a expansão para Saragoça (1118).
1.2 A constelação de condados catalães:
o a autonomia desde o século X.
o A hegemonia do condado de Barcelona. A abertura geográfica ao mar – as relações com o sul de França e com as cidades de Itália.
o Integração precoce em redes eclesiásticas e jurídicas do mundo carolíngio (uso do rito romano, adoção de direito escrito, influência cluniacense). A relação com o mundo franco.
2. União dinástica entre Aragão e Catalunha (1137): potencialidades e limites.
2.1 1137: casamento de Petronila de Aragão com Raimundo Berenguer IV de Barcelona: união pessoal e dinástica (não fusão política).
2.2 Raimundo Berenguer IV assume o governo como princeps e dominus de Aragão.
2.3 Potencialidades:
- articulação de recursos militares aragoneses com capitais e redes mercantis catalãs;
- abertura ao Mediterrâneo (via Barcelona);
- A vantagem sobre as cidades italianas rivais: dimensão; demografia; recursos; guerra.
2.4 Limites:
o tensões regionais (resistência da nobreza aragonesa ao predomínio catalão);
o separação de línguas, direito e identidade institucional. Respeito pelas autonomias locais.
2.5 Os campos de expansão:
o conquista de Valência e Maiorca: afirmação peninsular e acesso ao mar;
o entre o Rossilhão e a embocadura do Ródano;
o a expansão pelo Mediterrâneo.
3. Conquista de Valência e Maiorca: afirmação peninsular e acesso ao mar.
3.1 Jaime I (1213–1276): campanhas decisivas sobre territórios muçulmanos: Valência (1238) e Maiorca (1229).
3.2 Início da construção de uma economia marítima de escala regional, com centros em Barcelona, Palma e Valência
4. O nascimento do “império marítimo catalão”. A disputa pelo Mediterrâneo.
4.1 Expansão:
- Sul da França: a disputa até à foz do Ródano – Rossilhão, Montpellier, Toulouse, Provença.
- Ocupação da Sicília (1282): resultado da revolta anti-angevina (Vésperas Sicilianas) - Pedro III (1279-1285) torna-se rei da Sicília.
- Ocupação da Córsega e Sardenha (investidura papal em 1297; conquista em 1323–1326).
- A intervenção nos Balcãs: Atenas e Neopátria (1311-1389).
4.2 Catalunha torna-se núcleo de uma rede comercial e militar mediterrânea:
- consolidação de rotas com Génova, Pisa, Marselha e Alexandria;
- a rivalidade com Nápoles;
- presença de consulados (consulats de mar) e estruturas diplomáticas.
- Multiplicação dos fluxos de prata, trigo e têxteis
4.3 Modelo imperial: baseado mais no controlo de portos e rotas do que em conquistas territoriais.
Rodrigo Furtado
Bibliografia:
Abulafia, D. (2012), The Great Sea: a human history of the Mediterranean, Oxford, 334-384.
Fynn-Paul, J. (2024), ‘The Iberian Economy in Global Perspective, 700–1500’, An economic history of the Iberian Peninsula, 700-2000, Cambridge, 221-247.
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Laliena Corbera, C. (2012), ‘La metamorfosis del estado feudal: las estructuras institucionales de la Corona de Aragón en el periodo de expansión (1208–1283)’, In Á. Sesma Muñoz (Ed.), La Corona de Aragón en el centro de su historia (1208–1458), Zaragoza: Gobierno de Aragón, 65-93.
Luis Corral, F. (2014), ‘Conquistas cristianas y evolución del mapa político peninsular en la Plena Edad Media (1035-1300)’, Historia de la España Medieval, Salamanca, 155-184.
Minieri, J. L. (2024), ‘The Crown of Aragon and the Mediterranean’, Encyclopedia of the Global Middle Ages. Bloomsbury.
Sabaté, F. (Ed.). (2017), The Crown of Aragon: A Singular Mediterranean Empire, Leiden: Brill.
Salrach, J. M. (1995), La Corona de Aragón: plenitud y crisis: de Pedro el Grande a Juan II (1276–1479), Madrid: Temas de Hoy.
Sánchez Martínez, M. (2003), Pagar al rey en la Corona de Aragón durante el siglo XIV: estudios sobre fiscalidad y finanzas reales y urbanas, Barcelona: CSIC.
Sesma Muñoz, Á., dir. (2010), La Corona de Aragón en el centro de su historia (1208–1458): la monarquía aragonesa y los reinos de la Corona, Zaragoza: Gobierno de Aragón.
Fernando III, Afonso X e o sonho imperial: o projecto ideológico alfonsino.
19 Maio 2026, 12:30 • Rodrigo Furtado
1. A ideia imperial na Hispânia.
1.1 A hegemonia leonesa/castelhana.
- Afonso VI: imperator totius Hispanie (após 1085).
- Afonso VII: imperator totius Hispanie (1135).
- Não equivalia ao Sacro Império; primazia entre reis peninsulares; hegemonia política; superioridade simbólica.
- Translatio imperii: ideologia imperial castelhana: ligada à memória do reino visigótico como herdeiro do Império romano na Hispânia;
1.2 A menor insistência na ideia imperial:
o A divisão de Leão e Castela (1157-1230).
o A pressão almôada (1145-1212). As Navas de Tolosa (1212).
2. Unificação de 1230: Fernando III e a fusão Leão-Castela.
2.1 O casamento Afonso IX de Leão – Berenguela de Castela (1197) – herdeira do irmão, Henrique I;
2.2 Em 1230, Fernando III herda Leão e já reinava em Castela:
2.3 Marco simbólico da transição para um novo ciclo de centralização régia e expansão (Andaluzia, Múrcia, Algarve):
- A chegada ao Guadalquivir: a conquista de Sevilha (1248).
2.4 O casamento de Fernando III e Beatriz da Suábia (1219).
3. Recuperar a reivindicação imperial.
3.1 A ausência de imperador no Sacro Império (1250-1272).
· Morte de Frederico II (1250): colapso da autoridade imperial; início do Grande Interregno.
- quem sucederia aos Hohenstaufen? Aprovação papal + eleição pelos príncipes alemães.
- Hostilidade papal aos Staufen: procura de candidatos alternativos.
- Afonso como solução intermédia: descendente dos Staufen; exterior à política alemã e italiana.
3.2 A herança germânica de Afonso X: os Hohenstaufen. Filipe da Suábia e a reclamação do título imperial – Rei dos Romanos; Rei da Germânia (1198-1208). 4 filhas.
· Permite a Afonso apresentar-se como herdeiro legítimo da tradição imperial germânica.
- O papa Alexandre IV reconhece Afonso como duque legítimo da Suábia (1255).
- Afonso torna-se candidato imperial plausível;
4. O projecto imperial de Afonso X.
4.1 Pisa e o início da candidatura (1256).
· Pisa era uma república marítima apoiante dos Hohenstaufen; vazio imperial ameaçava os interesses pisanos;
· Porque escolhem Afonso? Legitimidade dinástica + distância da política alemã; Castela-Leão era o maior reino cristão peninsular; projectos africanos e mediterrânos; isto interessava directamente a Pisa.
· Março de 1256; Sória: delegação pisana proclama Afonso “rei dos Romanos”; faz-lhe homenagem solene (entrega espada; cruz; Antigo e Novo Testamento) – imitatio imperii.
4.2 Problemas:
· Juridicamente os pisanos não tinham autoridade legal para eleger um imperador;
· Gesto era simbólico/diplomático.
· Início da candidatura imperial; adopção do título “Rei dos Romanos”
4.3 A partir de 1256:
· enormes recursos são investidos: diplomacia; subornos eleitorais; viagens; propaganda
5. O investimento ideológico: ligar Castela à sucessão universal de Roma + integrar a Hispânia na história providencial do mundo.
5.1 General Estoria: história universal da humanidade.
- organiza toda a história humana desde a Criação até ao presente.
- Castela deixa de ser apenas um reino peninsular; torna-se actor central da história universal.
5.2 Estoria de España: história providencial da Hispânia. Translatio imperii querida por Deus.
5.3 Castelhano em vez do latim. Língua imperial
5.4 Projecto cultural alfonsino: traduzir; compilar; ordenar todo o conhecimento disponível.
6. O fracasso.
6.1 Afonso nunca obtém eleição efectiva; coroação imperial.
6.2 Consequências internas
· obsessão imperial contribuiu para crise financeira; revoltas internas;
· Candidatura imperial foi politicamente ruinosa;
6.3 Criação de uma nova visão universal da História centrada em Castela e nos reis de Castela: concepção “imperial” da cultura castelhana.
Rodrigo Furtado
Bibliografia:
Fernández-Ordóñez, I (2020), ‘The Imperium in Alfonso X’s Historiography’, The Medieval Chronicle 13, Brill, 1–32.
Salvador Martínez, H. (2010), ‘The Quest for the Imperial Crown’, Alfonso X, the Learned: A Biography, Brill, 121–147.
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González Jiménez, M. (2006). Fernando III el Santo: El rey que marcó el destino de España. Sevilla: Fundación José Manuel Lara.
Holt, E. L., & Witcombe, T. (Eds.). (2020). The Sword and the Cross: Castile-León in the Era of Fernando III. Leiden: Brill.
Ladero Quesada, M. A. (1999). “El sistema impositivo en Castilla y León (siglos X–XIII).” Edad Media: Revista de Historia, 2, 113–150.
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Luis Corral, F. (2014), ‘Conquistas cristianas y evolución del mapa político peninsular en la Plena Edad Media (1035-1300)’, Historia de la España Medieval, Salamanca, 155-184.
Martínez Díez, G. (1995). Alfonso VIII, rey de Castilla y Toledo (1158–1214). Burgos: La Olmeda.
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O’Callaghan, J. F. (2003). Reconquest and Crusade in Medieval Spain. Philadelphia: University of Pennsylvania Press.
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Reilly, B. F. (1992). The Contest of Christian and Muslim Spain, 1031–1157. Oxford: Blackwel.
Reilly, B. F. (1993). The Medieval Spains. Cambridge: Cambridge University Press.
Shadis, M. (2009). Berenguela of Castile (1180–1246) and Political Women in the High Middle Ages. New York: Palgrave Macmillan.
Torres Sevilla-Quiñones de León, M. (1999). Linajes nobiliarios en León y Castilla (siglos IX–XIII). Valladolid: Junta de Castilla y León.
Valdeón Baruque, J. (2006). La Reconquista: El concepto de España, unidad y diversidad. Madrid: Espasa Calpe.
A segunda ‘romanização’ da Hispânia: Compostela, Cluny e cruzada.
14 Maio 2026, 12:30 • Rodrigo Furtado
I. Entretanto na Europa.
1. Os apelos contínuos à reforma da Igreja nos ss. X-XI. Combate a:
o simonia;
o interferência laica;
o confusão entre clero e o não-clero.
2. Cluny (910)
· Guilherme da Aquitânia.
· Libertas ecclesiae: liberdade de eleição abacial; autonomia face a senhores; território que permitisse autonomia; protecção papal.
· purificação da vida monástica – afirmação do lugar especial do clero;
· o imperialismo religioso e patrimonial de Cluny.
3. A Reforma chega a Roma: a “Reforma Gregoriana.
· os papas da reforma – Leão IX (1048-1054), Nicolau II (1059-1061), Gregório VII (1073-1085) e Urbano II (1088-1099).
· autonomização da Igreja em relação aos poderes seculares: a superioridade do poder espiritual.
· liberdade e a centralização papal:
o sucessor directo de Pedro; cabeça da Cristandade;
o Dictatus papae (1075): supremacia papal; direito de depor imperadores; exclusividade da autoridade romana.
· moralização, melhor preparação e separação do clero
· reforma da escrita e imposição da letra carolina.
4. As cruzadas.
· Urbano II em Clermont (1095): libertar Jerusalém; ajudar cristãos orientais; peregrinação armada; indulgência; compromisso penitencial.
· Conquista de Jerusalém (1099): Grande triunfo simbólico do papado; confirmação da liderança papal.
· nova ideia de guerra santa:
o autorização papal;
o indulgência;
o voto;
o enquadramento penitencial;
o integração universal da Cristandade latina.
II. A segunda “Romanização”.
1. O caminho de Santiago.
1.1 A “invenção” do túmulo do apóstolo (820-830).
1.2 Peregrinação internacional antes de Cluny
o peregrino alemão (c. 930);
o bispo Godescalco de Le Puy (950–951);
o Hugo de Vermandois (959);
o Simeão da Arménia (983-984).
1.3 Desenvolvimento do “Caminho Francês” (ss. XI–XII): Papel dos reis: constroem igrejas; criam hospitais; financiam infraestruturas; apresentam Santiago como patrono da Hispânia (patronus et dominus totius Hispaniae).
1.4 A diocese de Iria e a transferência para Santiago (1095): uma igreja apostólica.
1.5 Diego Gelmírez (1101-1140), o arcebispado de Compostela (1120-).
1.6 A disputa em torno de Braga: a disputa da herança romano-visigótica.
2. Influência de Cluny (na esteira de Sancho III e Fernando I):
2.1 Na esteira de Sancho III.
2.2 Pagamento de um censo anual de 1000 áureos (Fernando I) e 2000 áureos (Afonso VI).
2.3 O que procura Cluny?
· participação nos benefícios económicos;
· influência política;
· acesso às parias;
· presença nas rotas peregrinas.
2.4 O que procuram os reis peninsulares?
3. Reforma eclesiástica
3.1 Concílio de Coyanza (1055): reorganização da Igreja; garantir a independência da igreja; a moral eclesiástica.
3.2 O concílio de Burgos e o rito romano (1080).
3.3 A reforma monástica: a Regra de São Bento. Os primeiros mosteiros: San Juan de la Peña (1071); San Isidro de las Dueñas (1073), San Zoilo de Carrión (1076); adopção dos costumes por Sahagún (1079). Idem: Pendorada, Paço de Sousa, Santo Tirso, Tibães, Pombeiro.
3.4 A restauração de dioceses: Braga (1071); Coimbra (1080); Porto (1112).
3.5 Os bispos francos:
· Bernardo de Sedirac, arcebispo de Toledo (1086-1125);
· Geraldo de Moissac, arcebispo de Braga (1096-1109)
· Maurício Burdino, bispo de Coimbra (1099-1109), arcebispo de Braga (1109-1118);
· Hugo, bispo do Porto (1114-1136)
4. A “cruzada hispânica”.
4.1 A Reconquista já seria uma guerra santa antes das Cruzadas (Claudio Sánchez-Albornoz; Ramón Menéndez Pidal
· Crónicas asturianas: apresentam os reis asturianos como herdeiros dos Godos; defendem recuperação da Hispania perdida.
· Elementos “proto-cruzadísticos”: pedido do auxílio divino; guerra contra inimigos da fé.
· Antes do final do séc. XI: não há indulgência papal; não há voto de cruzado; não há equivalência plena entre combate e peregrinação penitencial.
4.2 A proto-cruzada de Barbastro (1064). Alexandre II concede benefícios espirituais. Participação transpirenaica.
4.3 A atracção de guerreiros francos: a casa de Borgonha.
4.4 A ideologia de cruzada vem sobretudo do papado reformador: s. XII.
4.5 As primeiras ordens militares ibéricas: Calatrava (1158); Santiago (c. 1160); Avis (antes 1176; assoc. Calatrava em 1187).
Rodrigo Furtado
Bibliografia:
Rucquoi, A. (2010), ‘Cluny, el Camino Francés y la Reforma Gregoriana’, Medievalismo 20, 97–122.
Whalen, B. (2017), ‘Reform and Crusade’, The Medieval Papacy, Bloomsbury, 86–110.
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Flori, J. (2001), La Guerre sainte. La formation de l'idée de croisade dans l'Occident chrétien, Paris: Aubier-Flammarion.
Henriet, P. (2017), ‘Cluny and Spain before Alfonso VI: remarks and propositions’, Journal of Medieval Iberian Studies 9(2), 206–219.
Montenegro Valentín, J. (2009), ‘La alianza de Alfonso VI con Cluny y la abolición del rito mozárabe en los reinos de León y Castilla: una nueva valoración’, Iacobus 25–26, 47–62.
Riley-Smith, J. (1986), The First Crusade and the Idea of Crusading, London and Philadelphia: Athlone / University of Pennsylvania Press.
Riley-Smith, J. (1987), The Crusades: A Short History, London and New Haven: Athlone / Yale University Press.
Riley-Smith, J. (Ed.) (1991), The Atlas of the Crusades, London and New York: Times Books / Facts on File.
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Riley-Smith, J., & Riley-Smith, L. (1981), The Crusades: Idea and Reality, 1095–1274, London: Edward Arnold.
Saranyana Closa, J. I., et al. (Eds.) (2006). La reforma gregoriana y su proyección en la cristiandad occidental (siglos XI–XII), Pamplona: Gobierno de Navarra – Institución Príncipe de Viana.
Sirantoine, H. (2013), Imperator Hispaniae, Madrid: Casa de Velázquez.
Sirantoine, H. (2023), ‘Nos ancêtres les Wisigoths ou Comment justifier la “Reconquête” chrétienne de la péninsule Ibérique au Moyen Âge (VIIIe–XVe siècles)’, Quand l'Histoire sert à faire la guerre, Montréal, Leméac, 193–212.
Sirantoine, H. (2023), ‘When Being King Was Not Enough: Imperatores in Medieval Iberia (Ninth to Twelfth Century)’, Gli spazi del potere: strategie e attributi dell'imperialità – Les espaces de la puissance: stratégies et marqueurs de l'impérialité, Potenza: Basilicata University Press, 157–179.
O horizonte imperial de Fernando I/Sancha e AfonsoVI: recomposições ideológicas.
12 Maio 2026, 12:30 • Rodrigo Furtado
1. Fernando I (1029/1037–1065): consolidação e abertura europeia.
1.1 Batalha de Tamarón (1037).
1.2 Unificação política Leão/Castela: a construção de um bloco político cristão no norte-noroeste peninsular.
1.3 Sancha de Castela: coroada com Fernando I em Leão – elo de transmissão da legitimidade visigótica para a dinastia Jiména.
1.4 O mundo muçulmano: as primeiras taifas (1031-final do s. XI/início do s. XII). O pagamento de párias.
1.5 As conquistas: Lamego (1057), Viseu (1058), Coimbra (1064).
1.6 Divisão do reino: Sancho II, Afonso VI e Garcia.
2. Afonso VI (1065–1109): expansão e ideologia imperial.
2.1 Reunificação e expansão:
o A morte de Sancha de Leão (1067).
o As guerras internas: o afastamento de Garcia (1071); Sancho II e Zamora (1072).
o 1085: conquista de Toledo: simbologia e estratégia.
2.2 Título imperial: imperator totius Hispaniae.
2.3 A reabertura à Europa transpirenaica:
o Alianças matrimoniais: Casamento com Constança da Borgonha e a relação com Cluny.
o A constituição do “partido borgonhês”: Raimundo e Henrique. A constituição de novos condados no ocidente.
2.4 A hegemonia leonesa/castelhana.
- projecto falhado de Afonso VI: a ausência de herdeiro; a união fracassada de Urraca e Afonso I de Aragão.
- Afonso VII: imperator totius Hispanie (1135) – a vassalagem de Navarra, Aragão e Portugal.
- A divisão de Leão e Castela (1157-1230). As regências de Afonso VIII e de Henrique I.
3. Expansão territorial e novas fronteiras.
3.1 A conquista de Toledo (1085).
3.2 O controlo do Tejo
o Santarém (1093-1111); Lisboa (1093-1094?).
o O avanço Almorávida no final do século XI.
o Conquista da bacia do Tejo e consolidação do controlo sobre a Meseta sul com Afonso VII (séculos XI–XII). Integração dos territórios de Alcântara, Trujillo e Cáceres.
3.3 O difícil controlo do Guadiana: Calatrava (1147); Badajoz (1169).
4. Controlo do espaço: redistribuição do poder pelo rei.
4.1 Os concelhos e a organização do espaço em termos locais (forais): Ávila (1085-1090), Salamanca (1102), Ciudad Rodrigo (1105).
o confirmação de autonomias.
o concelhos actuam como agentes administrativos, judiciais e fiscais.
o organizar o território, distribuir terras, e garantir autoridade em zonas fronteiriças ou instáveis.
4.2 Crescimento de casas nobres (e.g. Trava, Lara, Haro, Meneses-Albuquerque, Castro). Relação ambígua com o poder régio: apoio militar vs. autonomia judicial, militar, fiscal.
4.3 O papel das cortes (1188) e da negociação entre rei e aristocracia em contextos de guerra, impostos e sucessão.
Rodrigo Furtado
Bibliografia:
Barton, S. (2008), ‘Spain in the eleventh century’, The new Cambridge Medieval history ca. 1024-ca.1198, vol. 4.2, Cambridge, 154-190.
Luis Corral, F. (2014), ‘Conquistas cristianas y evolución del mapa político peninsular en la Plena Edad Media (1035-1300)’, Historia de la España Medieval, Salamanca, 155-184.
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Elorza, J. C., Vaquero, L., Castillo, B., & Negro, I. (Eds.) (2012), Alfonso VI y su legado: Actas del Congreso Internacional “IX Centenario de Alfonso VI (1109–2009)”, León: Instituto Leonés de Cultura
Gambra, A. (1997), Alfonso VI: Cancillería, Curia e Imperio, 2 vols., León: Centro de Estudios e Investigación “San Isidoro”.
Henriet, P. (2017), ‘Cluny and Spain before Alfonso VI: remarks and propositions’, Journal of Medieval Iberian Studies 9(2), 206–219.
Klinka, E. (2008), ‘Sancha, infanta y reina de León’, e-Spania 5.
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Montenegro Valentín, J. (2010), ‘La crisis sucesoria en las postrimerías del reinado de Alfonso VI de León y Castilla: el partido Borgoñón’, Estudios de Historia de España 12(2), 369–388.
Reilly, B. F. (1992), The Contest of Christian and Muslim Spain, 1031–1157. Oxford: Blackwell.
Reilly, B. F., & Doubleday, S. R. (2024), León and Galicia Under Queen Sancha and King Fernando I. Philadelphia: University of Pennsylvania Press.
Sánchez Candeira, A. (1999), Castilla y León en el siglo XI: Estudio del reinado de Fernando I. Madrid: Real Academia de la Historia.
Saranyana Closa, J. I., et al. (Eds.) (2006). La reforma gregoriana y su proyección en la cristiandad occidental (siglos XI–XII). Pamplona: Gobierno de Navarra – Institución Príncipe de Viana.
Novas centralidades e recomposições políticas: Pamplona e o “império” de Sancho III.
7 Maio 2026, 12:30 • Rodrigo Furtado
1. Leão: capital simbólica e transição urbana.
1.1 A mudança da corte de Oviedo para Leão (início do século X) marca uma viragem estratégica:
o dinâmica de alargamento até à fronteira do Douro: o movimento de presúrias;
o vontade de se reconectar com símbolos urbanos e episcopais romanos.
1.2 Leão é construída como “Toledo do Norte”.
1.3 Estrutura administrativa frágil e multipolar.
o Administração reduzida: provável inexistência de chancelaria permanente.
o Poder régio dependia das aristocracias regionais, locais e de fronteira.
o Condes. Funções: liderança militar; justiça local; controlo territorial.
o A partir do séc. X: cargos tornam-se hereditários.
1.4 A partir da morte de Ramiro II (951): fragilização do poder em Leão.
o sucessões; guerras civis; revoltas aristocráticas;
o progressiva autonomização do condado de Castela;
o as incursões de Al-Mansur (977-1002).
2. A fronteira como zona de negociação.
2.1 Zonas fronteiriças sem demarcação precisa:
o espaço de guerra limitada (expedições sazonais, escaramuças, fortificação de vilas);
o espaço de diplomacia (emissários, tratados, parias);
2.2 Fronteiras como zonas de oportunidade política, não apenas de conflito.
3. O reino de Pamplona na viragem do milénio
3.1 A região do Nordeste:
o a fragilidade da romanização
o fragilidade de estruturas políticas
o desinteresse muçulmano (que ainda chegam a Pamplona no s. VIII, mas estabilizam no Ebro já no início do s. IX)
o presença carolíngia nos Pirinéus e na Catalunha (conq. Barcelona em 801).
3.2 Século X: Pamplona como pequeno reino regional. A vizinhança com os condados aragoneses e catalães.
3.3 Consolidação do território frente aos condados aragoneses e catalães;
o afirmação sobre a Rioja e o vale do Ebro; o controlo de Aragão pelo casamento de Garcia I e Andregoto Galindes (mid-930s?).
o articulação diplomática com Leão: a imitação ideológica; o neogoticismo de Sancho II (970-994).
o os mosteiros da Rioja: San Millán de la Cogolla e Albelda. A reorganização do espaço.
4. Sancho III "o Maior" (1004–1035): ambição e construção hegemónica
4.1 Sequência das incursões de Al-Mansur (977-1002) – o último esforço califal para avançar para o Norte.
4.2 Contexto da crise do califado (1009-1031) e da fragilidade sucessória em Leão (Afonso V e Bermudo III).
4.3 Reunificação e expansão:
- herda Pamplona (com Aragão) e expande o controlo sobre Ribagorza;
- casa com Muniadona de Castela. O assassínio de Garcia Sanches de Castela (1028) e a disputa pelo poder; Sancho III torna-se regente em Castela: a sucessão de Fernando;
- intervém em Leão:
- o casamento de Urraca Garcez e Afonso V de Leão;
- a “tutoria” de Urraca (e Sancho III) sobre Bermudo III (1027);
- a intervenção na instabilidade leonesa e a presença em León (1032).
- o casamento entre Fernando de Castela e Sancha de Leão (1032); e de Bermudo III de Leão e Jimena Sánchez de Pamplona (1034-5).
4.2 Assunção de uma ideologia imperial:
- recuperação da linguagem de unidade peninsular e herança visigótica
- Sancho III e a recriação de uma monarquia pan-peninsular cristã.
5. Fragmentação após Sancho III: divisão do reino e recomposição política
5.1 Quando morre (1035), divisão dos seus domínios entre os filhos:
o Garcia Sánchez III: Pamplona;
o Ramiro: Aragão;
o Gonçalo: Sobrarbe e Ribagorza;
o Fernando: Castela.
5.2 A reorganização do mapa peninsular.
Rodrigo Furtado
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