Sumários
O horizonte imperial de Fernando I/Sancha e AfonsoVI: recomposições ideológicas.
12 Maio 2026, 12:30 • Rodrigo Furtado
1. Fernando I (1029/1037–1065): consolidação e abertura europeia.
1.1 Batalha de Tamarón (1037).
1.2 Unificação política Leão/Castela: a construção de um bloco político cristão no norte-noroeste peninsular.
1.3 Sancha de Castela: coroada com Fernando I em Leão – elo de transmissão da legitimidade visigótica para a dinastia Jiména.
1.4 O mundo muçulmano: as primeiras taifas (1031-final do s. XI/início do s. XII). O pagamento de párias.
1.5 As conquistas: Lamego (1057), Viseu (1058), Coimbra (1064).
1.6 Divisão do reino: Sancho II, Afonso VI e Garcia.
2. Afonso VI (1065–1109): expansão e ideologia imperial.
2.1 Reunificação e expansão:
o A morte de Sancha de Leão (1067).
o As guerras internas: o afastamento de Garcia (1071); Sancho II e Zamora (1072).
o 1085: conquista de Toledo: simbologia e estratégia.
2.2 Título imperial: imperator totius Hispaniae.
2.3 A reabertura à Europa transpirenaica:
o Alianças matrimoniais: Casamento com Constança da Borgonha e a relação com Cluny.
o A constituição do “partido borgonhês”: Raimundo e Henrique. A constituição de novos condados no ocidente.
2.4 A hegemonia leonesa/castelhana.
- projecto falhado de Afonso VI: a ausência de herdeiro; a união fracassada de Urraca e Afonso I de Aragão.
- Afonso VII: imperator totius Hispanie (1135) – a vassalagem de Navarra, Aragão e Portugal.
- A divisão de Leão e Castela (1157-1230). As regências de Afonso VIII e de Henrique I.
3. Expansão territorial e novas fronteiras.
3.1 A conquista de Toledo (1085).
3.2 O controlo do Tejo
o Santarém (1093-1111); Lisboa (1093-1094?).
o O avanço Almorávida no final do século XI.
o Conquista da bacia do Tejo e consolidação do controlo sobre a Meseta sul com Afonso VII (séculos XI–XII). Integração dos territórios de Alcântara, Trujillo e Cáceres.
3.3 O difícil controlo do Guadiana: Calatrava (1147); Badajoz (1169).
4. Controlo do espaço: redistribuição do poder pelo rei.
4.1 Os concelhos e a organização do espaço em termos locais (forais): Ávila (1085-1090), Salamanca (1102), Ciudad Rodrigo (1105).
o confirmação de autonomias.
o concelhos actuam como agentes administrativos, judiciais e fiscais.
o organizar o território, distribuir terras, e garantir autoridade em zonas fronteiriças ou instáveis.
4.2 Crescimento de casas nobres (e.g. Trava, Lara, Haro, Meneses-Albuquerque, Castro). Relação ambígua com o poder régio: apoio militar vs. autonomia judicial, militar, fiscal.
4.3 O papel das cortes (1188) e da negociação entre rei e aristocracia em contextos de guerra, impostos e sucessão.
Rodrigo Furtado
Bibliografia:
Barton, S. (2008), ‘Spain in the eleventh century’, The new Cambridge Medieval history ca. 1024-ca.1198, vol. 4.2, Cambridge, 154-190.
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Novas centralidades e recomposições políticas: Pamplona e o “império” de Sancho III.
7 Maio 2026, 12:30 • Rodrigo Furtado
1. Leão: capital simbólica e transição urbana.
1.1 A mudança da corte de Oviedo para Leão (início do século X) marca uma viragem estratégica:
o dinâmica de alargamento até à fronteira do Douro: o movimento de presúrias;
o vontade de se reconectar com símbolos urbanos e episcopais romanos.
1.2 Leão é construída como “Toledo do Norte”.
1.3 Estrutura administrativa frágil e multipolar.
o Administração reduzida: provável inexistência de chancelaria permanente.
o Poder régio dependia das aristocracias regionais, locais e de fronteira.
o Condes. Funções: liderança militar; justiça local; controlo territorial.
o A partir do séc. X: cargos tornam-se hereditários.
1.4 A partir da morte de Ramiro II (951): fragilização do poder em Leão.
o sucessões; guerras civis; revoltas aristocráticas;
o progressiva autonomização do condado de Castela;
o as incursões de Al-Mansur (977-1002).
2. A fronteira como zona de negociação.
2.1 Zonas fronteiriças sem demarcação precisa:
o espaço de guerra limitada (expedições sazonais, escaramuças, fortificação de vilas);
o espaço de diplomacia (emissários, tratados, parias);
2.2 Fronteiras como zonas de oportunidade política, não apenas de conflito.
3. O reino de Pamplona na viragem do milénio
3.1 A região do Nordeste:
o a fragilidade da romanização
o fragilidade de estruturas políticas
o desinteresse muçulmano (que ainda chegam a Pamplona no s. VIII, mas estabilizam no Ebro já no início do s. IX)
o presença carolíngia nos Pirinéus e na Catalunha (conq. Barcelona em 801).
3.2 Século X: Pamplona como pequeno reino regional. A vizinhança com os condados aragoneses e catalães.
3.3 Consolidação do território frente aos condados aragoneses e catalães;
o afirmação sobre a Rioja e o vale do Ebro; o controlo de Aragão pelo casamento de Garcia I e Andregoto Galindes (mid-930s?).
o articulação diplomática com Leão: a imitação ideológica; o neogoticismo de Sancho II (970-994).
o os mosteiros da Rioja: San Millán de la Cogolla e Albelda. A reorganização do espaço.
4. Sancho III "o Maior" (1004–1035): ambição e construção hegemónica
4.1 Sequência das incursões de Al-Mansur (977-1002) – o último esforço califal para avançar para o Norte.
4.2 Contexto da crise do califado (1009-1031) e da fragilidade sucessória em Leão (Afonso V e Bermudo III).
4.3 Reunificação e expansão:
- herda Pamplona (com Aragão) e expande o controlo sobre Ribagorza;
- casa com Muniadona de Castela. O assassínio de Garcia Sanches de Castela (1028) e a disputa pelo poder; Sancho III torna-se regente em Castela: a sucessão de Fernando;
- intervém em Leão:
- o casamento de Urraca Garcez e Afonso V de Leão;
- a “tutoria” de Urraca (e Sancho III) sobre Bermudo III (1027);
- a intervenção na instabilidade leonesa e a presença em León (1032).
- o casamento entre Fernando de Castela e Sancha de Leão (1032); e de Bermudo III de Leão e Jimena Sánchez de Pamplona (1034-5).
4.2 Assunção de uma ideologia imperial:
- recuperação da linguagem de unidade peninsular e herança visigótica
- Sancho III e a recriação de uma monarquia pan-peninsular cristã.
5. Fragmentação após Sancho III: divisão do reino e recomposição política
5.1 Quando morre (1035), divisão dos seus domínios entre os filhos:
o Garcia Sánchez III: Pamplona;
o Ramiro: Aragão;
o Gonçalo: Sobrarbe e Ribagorza;
o Fernando: Castela.
5.2 A reorganização do mapa peninsular.
Rodrigo Furtado
Bibliografia:
Collins, R. (1999), 'The Spanish kingdoms', The new Cambridge Medieval History 3. C. 900-c. 1024, Cambridge, 670-691.
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Martínez Díez, Gonzalo. (2007). Sancho III el Mayor, Rey de Pamplona, Rex Ibericus. Madrid: Marcial Pons Historia.
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A invenção das Astúrias: de Toledo a Oviedo e Santiago Afonso III, 883 e a ficção da reconquista.
5 Maio 2026, 12:30 • Rodrigo Furtado
1. As Astúrias “antes do reino”.
1.1 A autonomia periférica do norte da Península: Ástures, Cântabros, Rucones. A falta de unidade étnica. A frágil romanização do Norte: a rede urbana; a língua.
1.2 A fraca visigotização: a submissão sob Leovigildo, num território fragmentado.
1.3 O desinteresse muçulmano e a constituição de resistências locais. O território a norte do Douro: desestruturação ou manutenção da fragmentação?
1.4 Século VIII no norte cristão: marcado por liderança(s) não hereditária(s), itinerante(s), multifocais, sem corte(s) fixa(s) nem aparato formal. O poder é construído sobre a fragmentação e apenas lentamente se institucionaliza.
1.5 A lentidão de um processo que desinteressava os muçulmanos: de Oviedo à Galiza e à Cantábria.
2. Expressões documentais de realeza e território: a fundação da praxis política cristã no Norte.
2.1 Diploma de Silo (774-783) (ano 775): o primeiro documento conservado.
2.1 O Testamento de Afonso II (812).
3. A invenção das Astúrias.
3.1 Uma história feita a posteriori. Os líderes do norte e a ausência de passado.
· Pelágio: no limite - uma rebelião regional bem sucedida.
· A união Ástures (Ermosinda) e Cântabros (Afonso I, filho de Pedro).
3.2 Nascimento da monarquia asturiana é “uma construção posterior sobre realidades inicialmente frágeis e locais”.
3.3 Afonso II (791-842) e a primeira ideologia visigótica: o corte com o passado.
4. A ficção da continuidade goda e a produção historiográfica régia sob Afonso III (866-910).
4.1 O neogoticismo;
4.2 Crónica de Afonso III (883):
· reis das Astúrias como legítimos herdeiros da monarquia visigoda, reconstruindo uma linha contínua desde Toledo.
· Interpreta a conquista muçulmana como castigo divino e a resistência asturiana como missão providencial.
4.3 Crónica Profética (Novembro de 883):
· introduz uma visão escatológica da história da Hispânia: os Godos foram castigados, mas um ciclo de reconquista e restauração está prometido.
4.4 O ano 883: o neogoticismo asturiano.
· a profecia do pseudo-Ezequiel.
Rodrigo Furtado
Bibliografia:
Collins, R. (1983), Early Medieval Spain. Unity in diversity. 400-1000, New York, 225-268.
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Deswarte, Th. (2003), De la destruction à la restauration. L’idéologie du royaume d’Oviedo-León (VIIIe-XIe siècles), Turnhout.
Escalona, J. (2004), ‘Family memories: Inventing Alfonso I of Asturias’, Building legitimacy: Political discourses and forms of legitimacy in medieval societies, Leiden, Brill, 223–262.
García Moreno, L. A. (2008r), Historia de España visigoda, Madrid.
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Monsalvo Antón, J.M.ª, ed. (2014), Historia de la España medieval, Salamanca.
Ordóñez Cuevas, A. M. (2016). La legitimidad de los reyes asturianos en las crónicas de Alfonso III. Estudios Medievales Hispánicos, 5, 7–43.
Pérez Marinas, I. (2013). Regnum Gothorum y regnum Hispaniae en las crónicas hispano-cristianas de los siglos VIII y IX: ¿Continuación, fin o traslado en el relato de la conquista árabe? Estudios Medievales Hispánicos, 2, 175–200.
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Solano Fernández-Sordo, Á. (2009). La ideología del Reino de Asturias a través de sus crónicas. Boletín de Letras del Real Instituto de Estudios Asturianos, 63(173–174), 109–158.
O emirado: hegemonia e conectividade mediterrânea. Arabização, islamização e moçarabismo.
30 Abril 2026, 12:30 • Rodrigo Furtado
I. O fim do domínio visigótico.
1. A instabilidade crónica e a fragmentação persistente do mundo visigótico.
2. ‘No sudeste da Hispânia, o sistema de importações a partir de África parece ter colapsado sensivelmente por altura da conquista árabe de Cartago, em 698. A economia interna da Meseta já tinha colapsado num localismo puro durante os séculos VI e VII, com concentrações residuais de riqueza aristocrática encontradas em Mérida. Nas décadas anteriores a 700, as cidades da Tarraconense atingiram os níveis mais baixos de continuidade urbana alguma vez registados – o que significa que a ocupação continuada de muitos sítios nem sequer pode ser comprovada. As trocas de cerâmica a longa distância e em grande volume caíram abruptamente, e as pedras talhadas deixaram de ser produzidas ou comercializadas em grandes quantidades. Uma consequência deste último desenvolvimento foi que os Hispanos começaram a construir os seus edifícios quase exclusivamente em madeira, ou (muito ocasionalmente) com pedra reaproveitada’ (Fynn-Paul, 2024: 234).
3. ‘A conquista muçulmana em avanço foi uma bênção para as províncias que nela foram incorporadas, e economicamente desastrosa para as províncias que ficaram de fora’ (Fynn-Paul, 2024: 234).
II. O império muçulmano no Ocidente.
1. 695: conquista de Cartago.
2. 711-716: conquista da Hispânia;
3. 827: entrada na Sicília. Queda de Siracusa em 878. Conquista termina no início do s. X.
4. Conquista de Tarento (840-870); Bari (841-871); o saque do Vaticano (846).
5. 847-871: emirado de Bari.
III. Refazer redes comerciais no Mediterrâneo: o domínio muçulmano do Mediterrâneo.
1. A integração da Hispânia na órbita económica e cultural do Islão, num sistema global que ia da Ibéria à Índia: rotas comerciais, circulação de moedas, mercadorias e elites.
2. O Mediterrâneo islâmico: as comunicações com/através de Itália (Veneza, Nápoles, Salerno), ou da foz do Ródano. O mundo bizantino entre os Balcãs, a Itália e o Mar Negro. O isolamento europeu. O isolamento hispânico-cristão.
IV. A entrada dos muçulmanos na Hispânia.
1. O prolongamento da conquista no Norte de África. A chegada a Tânger (703) e o controlo do estreito.
2. O aproveitamento da fragmentação e conflitualidade visigótica. A guerra civil Rodrigo-filhos de Vitiza-Ágila II-Ardão. O Islão entra num espaço político já fraturado; e não o vai resolver.
3. O colapso é mais político do que militar: ausência de resistência unificada, fragmentação interna e legitimações concorrentes.
4. O primeiro alvo: Sevilha. A batalha de Guadalete. Depois: Córdova – Toledo; Mérida (713); Ebro (714); León, Astorga (714); Lusitânia (715); Catalunha e o Nordeste (716).
5. Os líderes muçulmanos: Tariq b. Ziyad (711); Musa b. Nusayr (712); Abd al-Aziz (714).
6. O pacto de Teodomiro (716). Os filhos de Vitiza: a garantia de protecção de propriedade, culto e cargos — em troca de tributo e lealdade.
V. Um novo equilíbrio de poderes e de grupos sociais.
1. Fluxos de imigrantes árabes, berberes, e em menor grau persas e sírios
2. A cooperação das elites locais: a islamização cultural e religiosa das elites.
3. A fragmentação hispânica para lá da Bética. A manutenção das particularidades romanas, pós-romanas e visigóticas.
4. A manutenção do cristianismo e a cultura moçárabe: o tributo e a tolerância.
RESULTADO: sociedade profundamente heterogénea: árabes de origens distintas, berberes, hispano-romanos convertidos, judeus e moçárabes. Tensões e negociações entre grupos.
5. A islamização rápida a partir da segunda metade do século IX. A desestruturação do cristianismo visigótico. A onomástica.
6. O moçarabismo residual a partir do final do século IX.
7. O fim do monolinguismo ibérico?
VI. A cronologia:
1. Os governadores (714-756).
1.1 A autonomia da Hispânia em face de Damasco, mas ainda assim dependência.
2. O Emirado (756-850)
2.1 A quedas dos Omíadas em Damasco. A chegada de Abd al-Rhaman I (755; r. 756-781), neto de Hisham (724-743).
3. A desintegração (850-929)
3.1 A reautonomização de Mérida-Badajoz; Toledo. Os Banu Qasi e Saragoça/Tudela
3.2 A desintegração na primeira metade do século X: Granada, Sevilha.
4. O califado (929-1031)
4.1 Abd al-Rahman III (912-929-961):
O califado impõe-se como potência mediterrânica: relações com Bizâncio, o Magrebe, os fatímidas (909-1171), e os reinos cristãos peninsulares.
VII. O poder muçulmano na Hispânia:
1. A Península passa de periferia cristã a fronteira ocidental de uma nova civilização global.
2. Entre 800–1000, Al-Andalus era a região mais rica da Europa ocidental.
3. Um mundo de cidades: ausência de ruptura. Córdova: ca. 500 mil habitantes. E.g. Roma em 800: 30 mil hab.
4. Integra-se no circuito económico islâmico: rotas com o Magrebe, Sicília, Egipto e Médio Oriente. Córdoba torna-se um polo de produção, redistribuição e consumo urbano sofisticado.
Rodrigo Furtado
Bibliografia:
Kennedy, H. (1995), ‘The Muslims in Europe’, The new Cambridge Medieval history ca. 700-ca.900, vol. 2, Cambridge, 249-271.
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Fierro, M. (2017), ‘The Islamisation of al-Andalus: Recent studies and debates’, Islamisation: Comparative Perspectives from History, Edinburgh University Press, 199–220.
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Abulafia, D. (2012), The Great Sea: a human history of the Mediterranean, Oxford, 241-257.
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Crone, P. (2005), Medieval Islamic political thought, Edinburgh.
Fynn-Paul, J. (2024), ‘The Iberian Economy in Global Perspective, 700–1500’, An economic history of the Iberian Peninsula, 700-2000, Cambridge, 221-247.
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Kaegi, W. E. (1992), Byzantium and the early Islamic conquests, Cambridge.
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Madelung, W. (1997), The Succession to Muhammad: A Study of the Early Caliphate, Cambridge.
Robinson, C. (2010), The New Cambridge History of Islam. 1. The formation of the Islamic world (sixth to eleventh centuries), Cambridge.
Wickham, Ch. (2005), Framing the early Middle Ages: Europe and the Mediterranean, 400-800, Oxford.
Wickham, Ch. (2009), The inheritance of Rome. A history of Europe from 400 to 1000, London.
Os colapsos bizantino, sassânida e visigótico.
28 Abril 2026, 12:30 • Rodrigo Furtado
I. Reorientalização do Mediterrâneo.
1. Os processos culturais do Mediterrâneo como processos de orientalização cultural e civilizacional;
2. A geografia da região: uma encruzilhada de continentes.
II. O ORIENTE MEDITERRÂNICO ANTES DAS CONQUISTAS
1. Uma região dinâmica, não em declínio
1.1 Alta densidade de povoamento (Negev, Síria, Palestina)
1.2 Agricultura intensiva (vinho, azeite, irrigação)
1.3 Cidades activas como centros administrativos e de mercado
2. Integração económica
2.1 Comércio de longa distância (Mediterrâneo, Mar Vermelho, Índia)
2.2 Redes complexas (Estado + iniciativa privada)
2.3 Produção regional excedentária
III. COMPLEXIDADE CULTURAL E RELIGIOSA
1. Pluralidade linguística
1.1 Grego como língua dominante administrativa
1.2 Aramaico, siríaco, árabe em expansão
1.3 Multilinguismo generalizado
2. Identidades fluidas
2.1 Língua ≠ identidade étnica
2.2 Sobreposição cultural (helenismo + tradições locais)
2.3 Emergência progressiva do árabe
3. Pluralismo religioso
3.1 Cristianismos diversos (calcedonianos, monofisitas, nestorianos)
3.2 Judeus
3.3 “Pagãos”
3.4 Tensões religiosas internas
IV. MUHAMMAD (CA. 570-632).
1. Uma matriz comum: a influência judaico-cristã;
2. Líder político-militar; legislador; líder religioso.
3. A comunidade politico-religiosa (umma): crença num Deus único; apocalipticismo.
4. O êxodo (hijra) para Medina (622).
5. A guerra (jihād); a conquista de Meca (630).
6. O califado.
V. RELIGIÕES DA ANTIGUIDADE TARDIA.
1. Religião e política: o imperador ao serviço de Deus: criar a unidade política e religiosa do orbe a influência imperial.
2. Religião e universalismo: Cristianismo - ultrapassar a cidade ou o povo; a conversão da espécie humana.
3. Religião e verdade: o imperador ao serviço da imposição da verdade a todo o mundo. A verdade como afirmação racional.
4. Religião e apocalíptica: a pregação do fim do mundo e a guerra contra Bizantinos e Sassânidas.
5. Religião e livro: o Corão (Qur’an) (as 114 suras e a compilação em meados do s. VII).
VI. FACTORES DE VULNERABILIDADE NO ORIENTE: A GUERRA BIZANTINOS VS. SASSÂNIDAS (610-628).
1. 613: Conquista de Antioquia.
2. 614: Conquista de Damasco e Jerusalém. O roubo da Santa Cruz.
3. 617: Conquista de Alexandria e de Calcedónia. A chegada ao Egeu: saque de Éfeso
4. A perda do trigo do Egipto.
5. O cerco a Constantinopla: 626.
6. A desagregação da máquina fiscal bizantina no Oriente.
7. O volte-face (626-628. A Pérsia entra em guerra civil (628-632).
8. Um Império em sérios problemas: durante quinze anos sem abastecimento de trigo e sem impostos.
VI. DINÂMICA DAS CONQUISTAS ÁRABES
1. Os primeiros raids na Palestina (629).
2. A conquista da Palestina e da Síria (634-638). A conquista de Jerusalém (638).
3. A conquista de Alexandria (642) e do Egipto (639-646).
4. A captura de Cartago (695).
5. A entrada na Hispânia (711).
Rodrigo Furtado
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