Sumários

Aula aberta/conferência do Professor Eduardo Costa Dias sobre a Jihad em África

12 Maio 2026, 09:30 José Augusto Nunes da Silva Horta

Aula aberta/conferência do Professor Eduardo Costa Dias sobre

"Jihad na África subsaariana: uma longa história com declinações"


Profetas e profetismo na antropologia. O contexto africano

7 Maio 2026, 09:30 José Augusto Nunes da Silva Horta


Profetas e profetismo na história e actualidade da antropologia. 

1. O conceito de profeta: em contextos religiosos, a capacidade de pronunciar palavras inspiradas pela divindade (profecias). Tensões entre tendências opostas na sociedade e na vida religiosa. 
2. As visões da antropologia sobre os profetas, como pessoas que se escutam em momentos de crise, capazes de propor novas formas de imaginar a realidade. A sua acção leva a mudanças bruscas. A importância da chamada (divina) e do carisma.
3. Profetas africanos: os casos de Simon Kimbangu e William Harris. Ligação com a perseguição colonial. O caso específico de Kimbangu de profeta a visto como algo mais pelos seus seguidores.

Conclusão: Os profetas são indivíduos que, ao interpretar a sua época e a sua conexão com as divindades, provocam mudanças na atitude dos povos. A sua imaginação religiosa incide em noções de tempo e de espaço.
Os quatro elementos comuns à profecia e aos profetas.

 


Da chegada do Cristianismo ao Kongo ao significado e impacto de Beatriz Kimpa Vita. Aula aberta pelo Professor Carlos Almeida

5 Maio 2026, 09:30 José Augusto Nunes da Silva Horta

1. A chegada do Cristianismo apropriada pela elite do Kongo, entidade político onde perdurou. Integração do cristianismo no Kongo: dimensão de elite — nova forma de cultuar os antepassados; tentativa de relação directa dos mwene Kongo com o Papa (embaixada de 1604) ; dimensão popular — através da procura do baptismo interpretado como um ritual de protecção ligado à toma do sal; os missionários são designados por nganga (especialistas na manipulação de poderes espirituais) em Quicongo.

2. A ruptura ocorrida na sequência da batalha de Ambuíla (1667) agudiza a fragmentação, em curso, da entidade política kongo, agora incapaz de reconstituir a unidade anterior, polarizada por Mbanka Kongo. Guerra larvar que alimentava o tráfico de escravos e emergência de lideranças femininas fortes. Emergência de um novo ritual de cura (no sentido lato) Kimpazi de que D. Beatriz Kimpa Vita seria nganga. Beatriz identifica-se com Santo António e diz que veio para salvar o povo kongo, apelando ao retorno a Mbanza Kongo e colhe apoio popular. Muito crítica dos missionários capuchinhos acaba por ser queimada como feiticeira. Kimpa Vita representa um cristianismo kongo. Movimentos proféticos (no seio das igrejas independentes africanas) como o Kimbanguismo e o Tokoísmo vão reclamar-se de continuadores de Kimpa Vita.

 


O Sionismo na Etiópia. Professor convidado: Manuel João Ramos (ISCTE-IUL

30 Abril 2026, 09:30 José Augusto Nunes da Silva Horta

O Sionismo na Etiópia. Professor convidado: Manuel João Ramos (ISCTE-IUL)

1. A origem do Sionismo enquanto projecto político e religioso. Diversos exemplos de sionismo que precedem o judeu ou israelita: cristão ocidental, das Cruzadas ao projecto expansionista de D. Manuel e ao projecto do Padre António Vieira; sionismo britânico; sionismo evangélico de origem americana ligado ao New Apostolic Reform com influência por toda a África (mas, neste continente, o sionismo religioso entra em contradição com o sionismo político).

2. Na Etiópia/Abissínia cristã desde o século IV: a legitimação da realeza salomónida (materializada na obra Kebra Nagast) tem impacto até aos dias de hoje— O primeiro rei da Etiópia adviria da união entre Salomão e a rainha de Sabá e seria o seu primogénito (pai judeu e mãe etíope). A Arca da Aliança teria sido levada para a Etiópia e estaria ainda hoje em Aksum, no Tigray. Os etíopes passam a ser o verdadeiro povo escolhido de Deus fundando o Sião ou uma Nova Israel em África.  A ideia de Nova Israel já vem da dinastia zagwe, anterior à salomónida. O caso dos judeus etíopes, os Beta-Israel.


Experiências de pluralidade e de interacção religiosas. O exemplo da Guiné-Bissau

28 Abril 2026, 09:30 José Augusto Nunes da Silva Horta

Experiências de pluralidade e de interacção religiosas. O exemplo da Guiné-Bissau:

1. Continuidade na cultura religiosa — o pluralismo no encontro de três fronteiras religiosas: a fronteira africana interna; a fronteira muçulmana e a fronteira cristã atlântica. O modelo regional de coexistência/convivência entre religiões e os seus limites;
2. Distinção entre gentes do contrato (com os espíritos) e gentes da oração; as fronteiras fluidas entre eles;
3. As lógicas culturais entre a incorporação do Islão, a sua expansão e os seus debates internos. A adopção de múltiplas identidades; 
4. As transformações religiosas dos últimos trinta anos enquanto formas indígenas de apropriação do que se percepciona como modernidade. As reconversões religiosas e as alianças de uma experiência religiosa "mista".
Comentário a Ramon Sarró e Miguel Barros, "History, mixture, modernity: religious pluralism in Guinea-Bissau today"