Sumários

Concepções de pessoa. Avaliação moral: boa pessoa e má pessoa ou bruxo entre os Baga

12 Março 2026, 09:30 José Augusto Nunes da Silva Horta

O que é uma pessoa? Distinção entre pessoa/ser humano e outros seres cosmológicos.

A insuficiência da visão ocidental que dicotomiza corpo e espírito. Dimensões perecíveis e não perecíveis da pessoa como um todo. O que afecta o corpo “afecta tudo”.

Concepções de pessoa: o exemplo dos Baga (norte da Guiné-Conacri). A noção de pessoa ou de ser humano, e de moral a ela

associada, entre os Baga. A complexidade dos sentidos das diferentes categorias usadas pelos Baga para classificar a pessoa na relação com uma comunidade moral: entre, por um lado, "fum", "wubaka" e "wan ka fum" e, por outro, "wuser". A oposição entre a pessoa e o bruxo como agentes morais; a acção dos bruxos num mundo sobre-humano invisível e paralelo ao mundo dos seres humanos (o “dabal”); a morte como aniquilação (a morte pelos bruxos expressa no idioma do canibalismo) ou como "boa morte" (como uma transformação no ciclo da vida, este expresso no idioma do parentesco).

Comentário ao artigo de Ramon Sarró: “The Throat and the Belly”.

 

 


Religiões de origem africana: a tendência para alguns denominadores comuns maioritários. Bruxaria/Witchcraft

10 Março 2026, 09:30 José Augusto Nunes da Silva Horta

1. Religiões de origem africana: a tendência para alguns denominadores comuns maioritários. Até ponto faz sentido falar da ausência de um estado sem "pecado" (anamartesis) nas religiões africanas? A existência de uma moral que norteia os comportamentos por referência à relação com seres sobre-humanos. Concepções da vida e da morte. Deus criador, deus distante. Mediadores sobre-humanos e humanos (especialistas religiosos dotados de saber e poder) na propiciação de poderes que vêm de Deus/divino/poder/força. Locais sagrados. Crítica à abordagem da antropologia simbólica de D. Zahan, bem como à sua generalização do protagonismo de género nestas religiões. A cadeia de relação com os antepassados ou "mais velhos" falecidos. — Texto base de estudo (com visão crítica): Dominique ZAHAN, "Some Reflections on African Spirituality''

 

2. Bruxaria, Feitiçaria, Witchcraft e Sorcery, Sorcellerie: designações plurais, significados ambíguos. A distinção clássica entre witchcraft e sorcery e a sua insuficiência; a indistinção entre "bruxaria" e "feitiçaria". Os limites dos conceitos ocidentais na interpretação das percepções locais, nomeadamente na visão dicotómica que está na sua base. O artigo de Bourdillon desconstrói essa visão.

Análise do artigo de  M. F. C BOURDILLON, "Witchcraft and society": o perfil dos/as bruxos/as; a possibilidade dos witches mobilizarem o poder mágico para o bem e para o mal ou de um curandeiro usar os seus poderes para fins malignos; o poder explicativo da bruxaria sobretudo em relações sociais próximas; uma crítica a Bourdillon: a falsa dicotomia entre os contextos rural e urbano; o papel da crença na bruxaria no controlo social; a caça às bruxas/os em situações de crise ou tensão social.

 


A História das religiões/experiências religiosas. Como as religiões africanas foram representadas pelos Europeus? Análise de excertos de uma fonte histórica

5 Março 2026, 09:30 José Augusto Nunes da Silva Horta

A História das religiões/experiências religiosas africanas. A natureza plural e inclusiva/integradora das religiões de origem africana. O que podemos saber sobre a sua história? O cânon ocidental de representação do Islão e das religiões extra-europeias e os filtros que dele decorrem nas fontes para a sua história. Análise de uma fonte do século XVI sobre a Senegâmbia setentrional e sobre a Serra Leoa.


A pluralidade de experiências religiosas na interacção com agentes ou forças sobre-humanos

3 Março 2026, 09:30 José Augusto Nunes da Silva Horta

 A pluralidade de experiências religiosas na interacção com agentes ou forças sobre-humanos. O exemplo da explicação da doença e mobilização dos meios sobre-humanos de cura — análise em três sociedades africanas: "San", Maasai e Sukuma. Da diversidade da interacção com seres sobre-humanos — bastante atípica no caso dos "San" e sobretudo dos Maasai; mais próxima do que geralmente se presume ser o protótipo das religiões de origem africana no caso dos Sukuma — à concepção da doença e meios de terapêutica relacionada com causas não naturais. Comentário a um texto de David Westerlund, "Spiritual Beings as Agents of Illness".


Matrizes antropológicas e sociológicas do estudo das religiões em África (conclusão). A aprendizagem e transmissão da religião.

26 Fevereiro 2026, 09:30 José Augusto Nunes da Silva Horta

1. Matrizes antropológicas e sociológicas do estudo das religiões em África. A proposta de Robin Horton: explicação/previsão/controlo — uma tríade de um modelo de "manipulação" dos

seres sobre-humanos — e comunhão. Na verdade, formas complementares de viver a religião. Convergências entre aspectos de pluralidade espiritual do Catolicismo e das religiões africanas.


2. Como se aprende e se transmite uma religião? Os diferentes entendimentos do que é ser religioso. A abordagem cognitiva: modelos doutrinário e "imagístico" de religiosidade e os respectivos meios de aprendizagem e transmissão. A centralidade dos processos sociais de

aprendizagem e transmissão da religião. — Comentário a David BERLINER e Ramon SARRO,"On Learning Religion: an Introduction".