Sumários

Poe, Pessoa & Sá-Carneiro

18 Novembro 2025, 15:30 Amândio Reis

1. Um fantasma nunca vem só, ou, os narradores na 1.ª pessoa e os seus objectos: o William Wilson de William Wilson (Poe), o Czaresko do "eu" (Pessoa), o "russo" do diarista (Sá-Carneiro); explorações de um particular filão autodiegético no âmbito da história de fantasmas: a história do fantasma.

1.1. O fantasma que o problema da assombração eliminou (isto é, modernizou, psicologizou) e o fantasma que o problema da dicção restituiu (isto é, concretizou, literalizou): o relato pré-póstumo de "William Wilson", a escrita espírita de "Czaresko", o diário homicida-suicida de "Eu-Próprio o Outro".
2. Apresentações de Thaís Frota e Joana Bertani.
2.1. Casas, jogos e duplos: contextualização dos três contos em apreço nas obras dos autores, na fortuna crítica e popular, e nas recolhas de contos em que cada um deles foi publicado.
2.2. Fantasma e/ou doppelgänger: hipóteses para uma interpretação histórica; da conquista romântica da individualidade à desconstrução do sujeito moderno.


Maupassant & Florbela

11 Novembro 2025, 15:30 Amândio Reis

1. A história de fantasmas na viragem para o séc. XX: contributos para uma visão diacrónica do género, entre o surgimento do fantasma enquanto figura incorporadora dos princípios mais salientes da revolução romântica (Grimm), e a história de fantasmas psicológica do Fim-de-Século, em H. James (e na sua encarnação contemporânea em A.T. Pereira). Alguns pontos intermédios: o passado histórico-lendário de Scott e Herculano; a ironia romântica de Gógol e Camilo; o desvio do realismo (que não deixa de ser, também, um reafirmação do realismo) de Machado e Eça.

2. (Con)fusões cronológicas: Guy de Maupassant, Florbela Espanca e a história de fantasmas em chave lírica? A linguagem do símbolo, da sugestão e do (in)inteligível.
2.1. Apresentações de Mayra Carneiro e Karina Gonçalves.
2.2. Poesia tumular, pintura tumular, prosa tumular: hipóteses para um imaginário funéreo trans-histórico e comparativo.
2.3. Do casamento da "mão esquerda" ao casamento inconsumado: o enredo amoroso e as suas declinações fantasmagóricas, entre a ilusão sentimental e um sentimentalismo ilusório; "A Morta" (1887): corpo, escrita, leitura e "restabelecimento da verdade"; "A Morta" (1928): espírito, fala, emudecimento e submersão da verdade ("Era ali.").


James & Pereira — 2

4 Novembro 2025, 15:30 Amândio Reis

1. Os "fantasmas de Henry James" de acordo com Virginia Woolf: como ler a conciliação, na escrita de James, da independência relativamente aos factos com a fundamentação no mundo real, ou visível, ou perceptível?

1.1. Equações fantásticas: o domínio da ambiguidade e a sua centralidade na concepção de Tzvetan Todorov da literatura fantástica, a partir do caso paradigmático de The Turn of the Screw; contributos para uma análise "fantástica" dos episódios de aparição, ou "visita", tal como relatados pela preceptora.
2. Outra volta: do sofisticado esquema de narração, perspectivação e autoria ficcional da novela de Henry James ao problema da exumação de uma narradora fantasma na resposta criativa de Ana Teresa Pereira.
2.1. O estatuto autoral/autoritário da preceptora sem nome e/ou de Miss Jessel: voyeurismo, questões de classe e influências literárias (Jane Eyre, Wuthering Heights, a literatura gótica).
2.2. Histórias de fantasmas ou fantasmas de histórias: a rede de referências, em comum, no diálogo estabelecido entre The Turn of the Screw e A Outra; incursões no possível drama individual de Miss Jessel aquém e além da morte.


James & Pereira — 1

28 Outubro 2025, 15:30 Amândio Reis

1. A "casa da ficção": o vestíbulo de A Outra como metáfora arquitectónica da história e dos seus espaços preambulares.

1.1. Limiares e fronteiras do texto: da passagem da palavra em The Turn of the Screw à tomada da palavra em A Outra; duas linhas temporais: a vida de Miss Jessel e Peter Quint em Bly (prequela), a chegada da nova preceptora (intersecção).
2. Apresentações orais de Ana Margarida Roberto e Giulia Carrapa.
2.1. Quantas voltas no parafuso?: os seis segmentos de A Outra, numa lógica de repetição aditiva, e a moldura narrativa de The Turn of the Screw entre (1) o manuscrito da preceptora, (2) a leitura de Douglas, (3) a "transcrição exacta" do narrador anónimo.
3. Excertos seleccionados de The Innocents (1961), real. Jack Clayton.


Machado & Eça

21 Outubro 2025, 15:30 Amândio Reis

1. O lugar de "Sem Olhos" (1876) e "O Defunto" (1895) na obra "efémera" de Machado de Assis e Eça de Queiroz; notas para uma contextualização da narrativa breve na imprensa periódica da segunda metade do século XIX.

1.1. Publicação, público, publicidade: reflexões em torno da dinâmica entre a esfera pública e a esfera privada enquanto instauradora do problema do fantasma, ou do fantasma enquanto problema, a partir de ficções da textualidade (persistência e reconfiguração do motivo romântico/gótico do "manuscrito"?): dos papéis íntimos de Damasceno, a queimar, à transmissão da sua história ao "jornal da Academia"; do Livro de Horas de D. Leonor à sua carta forjada.
2. Apresentação oral de Manuel Salvaterra.
2.1. Correlações entre o erótico e o macabro; o que/quem é o "fantasma" de D. Maria do Céu; o triângulo amoroso e a pulsão do ciúme, termos de comparação centrais entre as duas histórias; dilemas de "Sem Olhos", ou, como ler uma história de fantasmas que, afinal, é só uma história?
2.2. "O Defunto": pastiche de um mito mariano recontado à moda do fim-de-século; apropriação e recriação, da parte de Eça de Queirós, de lugares-comuns do imaginário literário: cavaleiresco (D. Ruy de Cardenas), trovadoresco (D. Leonor de Lara), tradicional (D. Alonso de Lara) e gótico (o enforcado).
2.3. "Cabeça vazia, oficina do diabo": a tematização do tédio como suplemento ao ciúme enquanto processo efabulatório; entre Nossa Senhora do Pilar e D. Leonor, gestos de heresia e redenção: a dimensão e a imagética religiosas, e o seu impacto determinante no género da história de fantasmas em Portugal, e, possivelmente, nas literaturas românicas.