Sumários
14 Outubro 2025, 15:30
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Amândio Reis
1. Coordenadas cronológicas e anacrónicas: entre o passado remoto de Herculano e o passado recente de Gogol e Camilo.
1.1. Obras de "juventude" e juventude da história de fantasmas na sua encarnação moderna: contextualizações históricas e biográficas de Noites na Granja ao Pé de Dikanka (1832) e Cenas Contemporâneas (1855).
2. O reiterado problema da contação de histórias: da moldura narrativa e do elemento gótico do "manuscrito antigo" (Maria Leonor de Sousa Machado) ao regime de "hiper-ficção" de Gogol e Camilo, afectando o estatuto do autor, do texto/livro e do leitor, por meio de dispositivos paratextuais (prefácios), comentários metanarrativos e apóstrofes ao leitor.
3. Contadores de histórias (a "plebe") VS. leitores de histórias (a "fidalguia"): os mundos rurais e periféricos de Gogol e Camilo, mapeados na Dikanka e em Trás-os-Montes, em tensão com a nova realidade urbana oitocentista; contributos para uma nova ética literária Romântica?
3.1. Apresentação de Anastasyia Komarova.
4. "Noite de São João" e "A Caveira": alianças entre o macabro e o tópico matrimonial.
4.1. Casamentos malfadados e o problema da responsabilidade própria: o pacto com o demónio de Petró e o pacto com o demónio "financeiro" de D. João de Noronha; fantasmas de classe e persistência de enredos assentes na violência de modelos patriarcais (desde "Wandering Willie's Tale").
7 Outubro 2025, 15:30
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Amândio Reis
1. Discussão dos pontos de partida (Walpole, The Castle of Otranto, etc) e da proposta de sistematização de Maria Leonor de Sousa Machado da literatura gótica, entre: a) atitude; b) características; c) estilo.
1.1. A Dama Pé de Cabra: um exemplo (in)característico?
1.2. Para além do exemplo: o gesto de reescrita e reapresentação genológica de A. Herculano enquanto ressignificação da lenda original; desenquadramento no gótico internacional; enquadramento no gótico português; narrativas enquadradas (as estruturas da narração e os estatutos dos narradores).
2. Como se escreve uma história de fantasmas? Proposta de releitura de A Dama Pé de Cabra a partir da recriação a que Herculano submete o material de partida; autoconsciência e/ou falsa modéstia: os vários sentidos do "romance" histórico, gótico, fantasmagórico enquanto "sementinha d'onde proveio a floresta" e "marco humilde e tosco".
30 Setembro 2025, 15:30
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Amândio Reis
1. "Seeing the Spectre", de Andrew Smith: o dinheiro, a persistência do passado e a (in)visibilidade como elementos transversais da história (da literatura) do século XIX, e impregnadores do gótico literário e da história de fantasmas.
1.1. Entre Freud e Marx: do género uncanny à "very queer thing"; contributos para um campo semântico da estranheza.
2. "[A] queer kind of document"; níveis narrativos, papéis transmitidos e papéis queimados em "O Berço do Gato" ("Wandering Willie's Tale"), de Walter Scott.
2.1. Apresentação de Jaime Lucas Pires.
2.2. Contextualização histórica e biográfica deste inset na obra de Walter Scott (o romance Redgauntlet, 1824) e na Escócia entre os séculos XVII e XIX.
2.3. Facto e/ou ficção: a história de fantasmas scottiana enquanto proposta de síntese entre o substracto tradicional caro ao (proto-)Romantismo e os códigos narrativos do romance histórico.
23 Setembro 2025, 15:30
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Amândio Reis
1. Recapitulação da aula anterior e contributos para a sistematização de um (sub)género internacional e trans-histórico.
1.1. As quatro motivações para o aparecimento de fantasmas, tal como espelhadas, principalmente, em cada um dos textos em análise: motivação "antropológica", motivação "ética", motivação "moral" e motivação "estética".
2. O fantasma como (arte)facto literário — ou, nos termos de Julia Briggs, em "The Ghost Story", a "interrupção do sobrenatural": processo que enfatiza a ficcionalidade da literatura e o pacto de leitura ("suspension of disbelief").
3. Apresentação de José Catalão das selecção de contos dos Irmãos Grimm, da sua colectânea de "Histórias da Criança e do Lar" (1812, 1.ª ed.); fantasmas mais ou menos puros; figuras de linguagem inerentes ao fantasmagórico em Grimm: prosopopeia e metonímia; estratégias textuais de morte e regresso; notas para uma contextualização histórica, cultural e linguística dos contos dos Grimm, bem como da sua literarização a partir de fontes orais e tradicionais.
4. "The Ghost Story", ou a súmula possível, de um ponto de vista anglo-americano; especificidades e generalizações: a ambivalência (lógica, narrativa, epistémica) como alicerce da história de fantasmas que subjaz, também, a conceitos que não derivam do fantasmagórico mas são insistentemente convocados para a sua discussão: o "fantástico" de Todorov, o "Unheimliche" de Freud.
4.1. Quem conta um conto: a cena de narração e o quadro narrativo como dispositivos cruciais da história de fantasmas na sua encarnação moderna, isto é, a partir do início do séc. XIX e da reformulação Romântica de ficções populares.
16 Setembro 2025, 15:30
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Amândio Reis
1. Apresentação de objectivos, calendário, conteúdos programáticos e metodologia de trabalho e avaliação do seminário.
2. Breve introdução à "história de fantasmas", menos como um tema ou lugar-comum da ficção, e mais como (sub)género impuro, capaz de atravessar fronteiras históricas, culturais e linguísticas — podendo auferir assim um lugar de especial interesse nos campos da teoria literária, da literatura comparada e da literatura portuguesa.
2.1. A história da "história de fantasmas" é também uma história das pequenas histórias (contos, short stories).
2.2. Relação do género com a narrativa breve e exemplificação dessa relação nos quatro textos em análise: "Khonsemhab e o Fantasma" (séc. XIII a.C.); Fédon, de Platão (c.360 a.C.); Carta 27 de Plínio, o Jovem (final do séc. I); "Ghosts can be trusted!", de Abel Barros Baptista (2024).
2.3. Pergunta de reflexão: será que estes textos, tão distintos e distantes, nos fornecem alguns dos pilares para uma caracterização genérica da história de fantasmas? O que os aproxima e o que os afasta?