Sumários
9 Dezembro 2025, 14:00
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Bruno Pontes Motta
A China na Percepção Ocidental 2: Descrições do país e do povo
Background intelectual dos observadores. Apresentação do conceito de difusionismo cultural (James Blaut) como conceito de eurocentrismo. Explicação da interpretação liberal do evolucionismo e a radicalização da ideia de progresso.
Os estrangeiros na China: as principais rotas de chegada por ferrovia e barco. As descrições do povo chinês. Descrições físicas, questão do ópio e dos jogos de aposta, relação entre o corpo e o caráter nacional, culpabilizações dos manchus e mandarins. Apresentação de caricaturas da época em revistas como a "Judge", "Puck" e "Punch!"
Os espaços estrangeiros na China: recapitulação dos portos dos tratados. Descrições de observadores europeus e americanos sobre os bairros estrangeiros, com foco em Shanghai.
Os espaços chineses: comparações entre a China e outros sítios (Suzhou e Veneza, Rio Yantzi e Amazonas, etc). Relatos de odores, ruas estreitas e transportes ineficientes. Esses relatos como ferramentas narrativas que iam além do observado/experienciado. Fotografias que datam de 1890 a 1915 dos transportes, das ruas, das cidades e das muralhas. A dicotomia entre Nova China x Velha China: o caso das muralhas. Citações de autores como Mary Gaunt, Frederick Brown, Griffith John, Charles Denby, que escreveram entre 1890 e 1915. Os espaços afastados dos centros urbanos e o procurar estar longe dos chineses na China. O cuidado com o "anti-eurocentrismo eurocêntrico" de alguns autores, a partir do conceito de "discurso e anti-discurso" apresentado por Jeffrey Dupée. Exemplo de discurso e anti-discurso na literatura de viagem luso-brasileira. Impressões de jornais e escritores sobre a queda da última dinastia em 1912.
Para esta aula, debate sobre o vídeo de Daniel Tiago de Vasconcelos sobre o "Eurocentrismo na Historiografia das Ciências", com foco na China.
Leitura de um texto de Nicholas Clifford, "A Truthful Impression of the Country", e 3 livros de literatura de viagem para escolherem um.
9 Dezembro 2025, 12:30
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António Eduardo Hawthorne Barrento
Conceito e história do nacionalismo. Nacionalismo no Médio Oriente, no Império Otomano. Identificação complexa do território e do governante. Identidade otomana, o conceito de millet. Manifestações de nacionalismo no Império Otomano: os casos da Sérvia e da Grécia, os casos relacionados com a Guerra Russo-Turca de 1877-1878, o caso da revolta arménia de Samsun, 1894. Identidade nacional: comunidades cristãs, muçulmanas? A Revolução dos Jovens Turcos de 1908. O Incidente de 31 de Março de 1909. As Guerras dos Balcãs, 1912-1913. A Primeira Guerra Mundial. Partição do Império Otomano. Nacionalismo turco. A Guerra de Independência da Turquia, 1919-1923. O Tratado de Sèvres (1920) e o Tratado de Lausanne (1923) e a Convenção sobre a Troca de Populações Grega e Turca. Atatürk e modernização.
4 Dezembro 2025, 14:00
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Bruno Pontes Motta
A China na Percepção Ocidental 1: Introdução
Sinofilia x Sinofobia:
Apresentação sobre como a historiografia debate a percepção positiva (sinofilia) versus a negativa (sinfobia) sobre a China. O século XVIII como um século de embate entre essas duas visões. Citação de autores como Voltaire, Benjamin Franklin e Leibniz para ilustrar a sinofilia. Montesquieu e Embaixada do Lorde Macartney como exemplos de transição para uma sinofobia mais dominante. Relatos dos jesuítas usados pelos 'sinófilos' versus relatos dos comerciantes usados pelos 'sinófobos'.
Início da presença ocidental na China, sécs XVIII-XIX:
A realidade dos comerciantes que relatavam negativamente sobre a China. Como era feito o comércio em Cantão e como era feito o tráfico de ópio. Exemplos de empresas inglesas e americanas que enriqueceram na China com o tráfico de ópio. Uso de mapa com as rotas de contrabando, mapa das zonas produtoras de chá, ilustrações de fabricas de ópio na Índia e citações de comerciantes da época.
Guerras do Ópio e seus impactos:
Os antecedentes da 1ª Guerra do Ópio; as tentativas do lado chinês antes do conflito. Derrota e assinatura dos tratados. As principais cláusulas dos tratados assinados entre a China e as potências estrangeiras, com citações do Tratado de Nanjing (1842), Tratado Suplementar de Humen (1843) e o Tratado de Tianjin (1859/1860). A presença de estrangeiros nos novos portos 'abertos' ao comércio após a assinatura dos tratados e as relações de poder entre eles e os chineses, principalmente a partir da cláusula da extraterritorialidade e da proteção militar das potências.
Os portos dos tratados:
A opinião de alguns estrangeiros sobre o tratamento da China, com citação de missionários e diplomatas. Apresentação de um documento do Consulado Geral de Portugal em Shanghai como exemplo da extraterritorialidade. Formação das comunidades estrangeiras na China e das concessões, com uso de mapas, planta das concessões, fotografias datadas de entre 1870 e 1930 dos bairros estrangeiros em várias cidades. Uso de vídeos do começo do século XX que mostram as ruas dessas cidades, a patrulha de tropas coloniais. E relatos de jornais e viajantes sobre a vida nesses espaços.
4 Dezembro 2025, 12:30
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António Eduardo Hawthorne Barrento
Ideologia colonial na Ásia: o caso das Índias Orientais Holandesas. O sistema de cultivo (1830-1870). Críticas à política colonial. Van Hoëvell, Multatuli, Van Deventer, Rainha Wilhelmina. Política liberal (1870-1900) e política ética (1901-1942). A sociedade colonial na Ásia. A sociedade plural, John Furnivall. A crescente separação social. Razões. FOrmas de separação. Relações homens / mulheres, casamento, concubinato.
2 Dezembro 2025, 14:00
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Bruno Pontes Motta
História Ambiental da China no Século XIX 3: As crises internas
Discussão do texto de Mike Davis, "Holocaustos Coloniais", capítulo 11.
Crise social:
Situação da população por volta de 1820, nomeadamente: os letrados frente à pressão dos concursos e as poucas vagas; os camponeses e o tamanho de terra disponível, bem como as relações de poder entre proprietário-arrendatário; as mulheres sob opressão. Ênfase no campo: escassez de terras e a "sub-subsistência", priorização de colheitas comerciais como tabaco, algodão e depois o ópio, artesanato como complemento à renda e a queda no poder de compra.
Crise climática:
O impacto do aumento demográfico: desmatamento de encostas, montanhas e margens dos rios. Erosão do solo e aumento da sedimentação dos rios. Importância da vegetação na contenção de enchentes. Recapitulação do sistema hidráulico Rio Amarelo-Grande Canal. Impacto de conflitos militares internos (rebeliões e guerra civil) e externos (como a Guerra do Ópio) na manutenção do sistema hidráulico. Desvio de verbas do sistema hidráulico para os militares; desvio de grãos dos celeiros para os militares. Enchente de Xiangfu (1841) como exemplo do imenso estresse sobre o sistema, com uso de mapas e esquemas que mostram a ruptura de 70 metros no dique de contenção ao Rio Amarelo perto de Kaifeng. Colapso do sistema Rio Amarelo-Grande Canal e alteração do curso do Rio Amarelo em 1855. Nesse contexto de fragilidade, a seca global de 1876-78 e o seu impacto no China: estresse do sistema de alívio à fome, redução da terra agricultável, causalidades. Uso de xilogravura chinesa do período da grande seca como ilustração.
Crise política:
Resgatando o Mandato Celeste através de citações da época, como de Hong Xiuquan (líder Taiping), uma balada dos Nian, a Lei Agrária dos Taiping, uma passagem da Gazeta de Guangde, Anhui, e de observadores estrangeiros como o Lorde Elgin. Uso de tabelas que comparam anos de desastres com anos de rebeliões por província. Mapas que mostram as enormes rebeliões surgidas no século XIX e um breve comentário sobre algumas delas, com foco nos Taiping.
Conclusão do bloco de aulas sobre a História Ambiental da China no Século XIX:
O estresse ecológico do século XIX como um fenómeno global e as particularidades da China nesse contexto. Os processos históricos acelerados nos tempos de crise. As respostas da população e do governo às crises do século XIX.