Sumários

O commentariolum petitionis ou como ganhar eleições em Roma: a República romana era democrática?

24 Fevereiro 2026, 11:00 Rodrigo Furtado


I.               O Commentariolum petitionis

1.     A situação retórica.

                  Ano: 64 a.C.

                        Eleição consular de M. Túlio Cícero; epistolografia de Q. Túlio Cícero.     

2.     Os candidatos:

Marco Túlio Cícero: um homo nouus;

Lúcio Sérgio Catilina: um patrício, de uma família desprestigiada;

    Gaio António Híbrida: o filho de um brilhante orador e cônsul.

 

II.             As magistraturas da República.

1.     As condições para se ser eleito: a lex Villia de 180 a.C. e as alterações de Sula (80 a.C.) – idade; cursus honorum; intervalos.

 

MAGISTRATURA

ordinárias

extraordinárias

cum imperio

sine imperio

Eleitos por

Idade

Número

180 a.C.

80 a.C.

Antes de 80 a.C.

80 a.C.

45 a.C.

Questores

x

 

 

x

comitia tributa

28

30

4-10

20

40

Edis Curuis (patr.+pleb)

x

 

 

x

comitia tributa

31

36

2

4

Pretores

x

 

x

 

comitia centuriata

34

40

1-6

8

16

Cônsules

x

 

x

 

comitia centuriata

37

43

2

Censores

 

x

 

x

comitia centuriata

44

2

Ditador

 

x

x

 

conselho do Senado a determinar que os cônsules escolhessem um ditador

ter sido cônsul

1

Mestre de Cavalaria/de Cavaleiros

 

x

x

 

designado pelo ditador

 

1

Tribunos da Plebe

tecnicamente não são magistrados

concilium plebis

27

Inicialmente: 2

Data incerta: 10

Edis da plebe

tecnicamente não são magistrados

concilium plebis

31

36

2

4

 

Rodrigo Furtado

Questões para estudo

  1. Qual o contexto retórico do Commentariolum petitionis?
  2. O que é o cursus honorum? Como se organiza? Para que serve?
  3. Quais as magistraturas superiores da República Romana? Quais os seus poderes?
  4. O que significa dizer que, na República Romana, são as eleições que determinam a pertença à aristocracia?

 

 

Bibliografia Sumária

Q. Cícero, Commentariolum petitionis

. ………………………………………

Harris, W. V. (1990), ‘On defining the political culture of the Roman Republic: some comments on Rosenstein, Williamson, and North’, Classical Philology 85, 288-294.

Millar, F. (1984), ‘The political character of the classical Roman Republic, 200-151 B.C.’, Journal of Roman Studies 74, 1-19.

North, J. (1990a), ‘Democratic politics in Republican Rome’, Past & Present 126, 3-21.

North, J. (1990b), ‘Politics and aristocracy in the Roman Republic’, Classical Philology 85, 277-287.

North, J. (1990c), ‘Responses to W. V. Harris’, Classical Philology 85, 297-98.

Tatum, J. (2009), ‘Roman Democracy?’, The companion to the Greek and Roman political thought,

Yakobsen, A. (1992), ‘Petitio and largitio: popular participation in the centuriate assembly of the late Republic’, Journal of Roman Studies 82, 32-52.


1. Introdução à História de Roma

23 Fevereiro 2026, 14:00 Martim Nunes França Aires Horta

História de Roma: definições fundamentais. 

Roma na Historiografia Antiga. Perspectivas da Historiografia Romana. 

O lugar de Roma na História Antiga e no Mediterrâneo. 


Discussão de Textos em Aula:

Políbio, Histórias, 1.1-5. (séc. II AEC)

Salústio, Catilina, 1-14 (sécs I AEC - I EC)

Tito Lívio, Desde a Fundação da Cidade, Prefácio, 1.1-1.5 (sécs. I AEC - I EC)

Tácito, Anais, 1.1-1.4 (séc. I-II)

Santo Agostinho, Cidade de Deus, 1.1-1.4 (séc. IV)

Zósimo, Nova História, 1.1-1.2, 2.1-2.8 (séc. V)


A República: patrícios e plebeus: do conflito ao compromisso – a formação da nobilitas.

19 Fevereiro 2026, 11:00 Rodrigo Furtado


I.                A sociedade:

 

Ingénuos

Libertos

Não livres

Livres

Cidadãos romanos

x

x

 

Peregrinos

x

x

 

Escravos

 

 

x

 

II.      Cidadão.

1.     Deveres: recenseamento, serviço militar, imposto (até 187 a.C.)

2.     Direitos: voto, eleição, sacerdócio, justiça, apelo, casamento, propriedade.

3.     Os libertos e as limitações de direitos.

 

III.    Para compreender a origem da aristocracia política romana.

  1. Quem são os patrícios e plebeus no século V a.C.? A emergência de grupos sociais ricos mas não patrícios.
  2. O controlo da terra – a distribuição de riqueza.
  3. O controlo do governo – o acesso ao poder.
  4. O controlo da guerra – a defesa contra inimigos externos.
  5. O controlo da justiça – a participação nos tribunais.
  6. O controlo da religião – a comunicação com os deuses.

 

IV.            Uma primeira fase: institucionalizar a divisão.

1       Processo político: as duas secessões da plebe (494; 449 a.C.) – protestar, reivindicar? Uma greve militar ou uma migração?

2       Diz que é uma espécie de sindicato: tribunos e edis da plebe; os concilia plebis e os plebiscitos.

 

V.              Da divisão ao compromisso.

1       O compromisso Licínio/Sextio (367 a.C.): o consulado patrício-plebeu

2       A abertura das magistraturas: edis curuis (364), pretores (356), censores (351), pontifex maximus (300).

3       Lei Hortênsia (287 a.C.): a universalidade dos plebiscitos.

4       A constituição da nobilitas senatorial: a liderança da República.

Rodrigo Furtado

Questões de estudo

  1. De que modo o sistema de cidadania pode ser descrito como um sistema de exclusão (dos não cidadãos) e de inclusão (dos cidadãos)? Dê exemplos.
  2. Até que ponto o chamado “Conflito das Ordens” deve ser interpretado como uma luta entre patrícios e plebeus pelo poder ou como expressão de tensões sociais?
  3. Até que ponto a emergência de uma nova aristocracia mista (nobilitas) pode ser entendida como resultado da integração progressiva de elites plebeias e possivelmente de origem externa, num sistema social aristocrático?

 

Bibliografia Sumária

Oakley, S. P. (2014), ‘The Early Republic’, The Cambridge Companion to the Roman Republic, 2nd ed., Cambridge University Press, 3–18

………………………………………

Bradley, Guy (2017), ‘Mobility and Secession in the Early Roman Republic’, Antichthon 51, 149–171.

………………………………………

Alföldy, G. (1989), A História Social de Roma, Lisboa.

Fayer, C. (2005), La familia romana: aspetti giuridici ed antiquari, Roma.

Flower, H. I. (1996), Ancestors masks and aristocratic power in Roman culture, Oxford.

Gelzer, M. (1969), Roman nobility, Oxford.

Hölkeskamp, K.-J. (1987), Die Entstehung der Nobilität. Stuttgart.

Hölkeskamp, K.-J. (2004), ‘Under Roman roofs: family, house, and household’, The Cambridge companion to the Roman republic, Cambridge, 113-138.

Münzer, F. (1920), Römische Adelsparteien und Adelsfamilien, Suttgart (trad. ingl. Roman Aristocratic Parties and Families, Baltimore and London, 1999rev.).

Raaflaub, K., ed. (20052), Social struggles in archaic Rome, Malden, Oxford, Victoria.

Raaflaub, K. (2006), ‘Between myth and history: Rome’s rise from village to empire (the eight century to 264)’, A Companion to the Roman Republic, Malden, Oxford, Victoria, 125-146.

Rawson, B., ed. (2011), A companion to families in the Greek and Roman worlds, Malden, Oxford, Victoria.

Rodrigues, N. S. (2015), ‘Dos «conflitos de ordens» ao estado patrício-plebeu’, Historia de Roma Antiga 1, Coimbra, 69-102.


O povoamento de Roma entre 1000-500 a.C.: A fundação da Cidade, o mito e a arqueologia.

12 Fevereiro 2026, 11:00 Rodrigo Furtado


I.                   Uma geografia singular?

1.     A diversidade da Itália pré-romana.

2.     No norte do Lácio, nas margens do Tibre; água doce; a via Salaria; a insula Tiberina; o mar. A comunicação entre a Etrúria e a Campânia. 

3.     A ‘fundação’. A data:  Fábio Pictor (747 a.C.); Catão (751 a.C.); Varrão (753 a.C.). O povoamento: desde finais da Idade do Bronze; de forma mais clara a partir de ca.1000 a.C.

4.     Entre o Palatino, o Esquilino, o Aventino e o Quirinal: quantas comunidades? O forum boarium.

     5.     À conquista do vale: a urbanização da cidade no século VI e o nascimento do forum como espaço público.

II.              Uma encruzilhada étnica: Latinos e Sabinos; Etruscos e Gregos.

1.     A reboque da Etrúria e da Campânia: os primeiros sinais de desenvolvimento desde final do s. IX.

       2.     A ‘monarquia latino-sabina’: Rómulo, Numa Pompílio, Tulo Hostílio, Anco Márcio. Paradigmas de representação.

3.     A monarquia etrusca: Tarquínio Prisco, Sérvio Túlio, Tarquínio Soberbo.

4.     A tese tradicional: o domínio etrusco: significado político e civilizacional. A tese de T. J. Cornell: a koinê cultural do mar Tirreno.

III.            Hollywood em Roma (Forsythe, 2005, 79).

1.       A violação de Lucrécia e o paralelismo com o affair Harmódio-Aristogiton-Hiparco.

Rodrigo Furtado

 

QUESTÕES DE ESTUDO

  1. De que modo a geografia do sítio de Roma — nomeadamente o controlo do vau do Tibre, das rotas do sal e das ligações tirrénicas — contribuiu para a formação de um centro proto-urbano antes de 500 a.C.?
  2. Como interpretar a monumentalização arquitectónica entre c. 650–500 a.C. (Regia, Comitium, templos do Fórum Boário) no quadro das redes económicas e culturais da Itália central e do mundo grego?
  3. Até que ponto as tradições literárias sobre a fundação e a monarquia romana (tal como analisadas por Raaflaub) podem ser consideradas historicamente fiáveis quando confrontadas com a cronologia e os dados materiais da arqueologia (povoamento, necrópoles, aterros do Fórum, monumentalização)?

Bibliografia Sumária

Raaflaub, K. (2006), ‘Between myth and history: Rome’s rise from village to empire (the eight century to 264)’, A Companion to the Roman Republic, Malden, Oxford, Victoria, 125-146.

………………………………………

Bradley, G. (2020), ‘Urbanism and city foundation’; ‘Economy and society in archaic Rome and central Italy’, Early Rome to 290 BC: The Beginnings of the City and the Rise of the Republic, Edinburgh University Press, 138-236.

………………………………………

Carandini, A. (2007), Roma. Il primo giorno, Roma.

Cornell, T. J. (1995), The Beginnings of Rome: Italy and Rome from the Bronze Age to the Punic Wars (c. 1000–264 B.C.). London and New York.

Forsythe, G. (2005), A critical history of early Rome: from Prehistory to the first Punic war, Berkeley, Los Angeles.

Grandazzi, A. (1991), La fondation de Rome. Réflexion sur l’histoire, Paris.

Grandazzi, A. (2008), Alba Longa: histoire d’une légende: recherches sur l’archéologie, la religion, les traditions de l’ancien Latium, Rome.

Holloway, R. R. (1994), The Archaeology of Early Rome and Latium, London.

Meier, J.C. (1983), Pre-Republican Rome: An Analysis of the Cultural and Chronological Relations 1000500 B.C., Odense.

Smith, C. (2000), ‘Early and archaic Rome’, Ancient Rome. The archaeology of the eternal city, Oxford, 16–41.

Storey, G. R. (1999), ‘Archaeology and Roman society: integrating textual and archaeological data’, Journal of Archaeological Research 7(3): 203-243.

 

 


1. Introdução à História de Roma

11 Fevereiro 2026, 14:00 Martim Nunes França Aires Horta

Heurística e Fontes para a Antiguidade Clássica.
Problemáticas da documentação da Antiguidade.
Fontes Literárias. Transmissão manuscrita. Escólios e Fragmentos. 
Fontes Epigráficas. Fontes Papirológicas. Fontes Numismáticas. Fontes Iconográficas. 
A importância da Arqueologia. Fontes e documentação Moderna e Contemporânea.

Discussão de Textos em Aula:
Le Goff, Jacques. 1984. “Documento/monumento.” Enciclopédia Einaudi, dir. R. Romano, pp. 95-106. Lisboa: INCM.
Finley, Moses. 2000 (1985). Ancient History. Evidence and Models, 7-46. London: Pimlico.
Rodrigues, Nuno Simões. 2006. “História, Filologia e Problemáticas da Antiguidade Clássica.” In Rumos e Escrita da História. Estudos em Homenagem a A. A. Marques de Almeida, coord. M. de Fátima Reis, 643-59. Lisboa: Colibri.c