Sumários

O labirinto romanesco de Mongólia

31 Maio 2016, 17:00 • ALVA MARTINEZ TEIXEIRO

Análise dos possíveis sentidos da epígrafe kafkiana do romance: o labirinto e a (im)possibilidade de transmissão da mensagem.

Os jogos de desvios permanentes e a diluição da experiência numa efabulação propositadamente complicada. O teor ‘folhetinesco’ do desfecho e a natureza das intervenções do terceiro narrador (norteadas por um esforço interpretativo ou literário). A técnica do comentário presente no discurso do terceiro narrador.

O deslocamento da narrativa para o campo do estranhamento. As reflexões dos narradores sobre a falta de concatenação e organização dos depoimentos reunidos no dicurso romanesco.

Mongólia e os narradores ‘desconfiáveis’. O Ocidental e a ‘alteridade radical’ (Wladimir Krysinski).

A projeção da ‘brasilidade’ no romance.

Entrega da recensão crítica e exposição oral (individuais) sobre a obra A chave da casa de Tatiana Salem-Levy: Cecilia Frollano e Patrícia Brederode.

 

Bibliografia:

FRANCO, Adenize (2014): «Viagens transatlânticas: Mongólia, de Bernardo Carvalho e Longe de Manaus, de Francisco José Viegas» in Via Atlântica, São Paulo, n. 25, jul/2014: pp. 253-264. [Disponível online]

GINZBURG, Jaime (2012): «O narrador na literatura brasileira contemporânea» in Tintas. Quaderni di letterature iberiche e iberoamericane, 2, pp. 199-221.

KRYSINSKI, Wladimir (2011): «Discurso da viagem e senso de alteridade» in Organon. Instituto de Letras/UFRS, vol. 17, n. 34, pp. 21-43.

ORTIZ, Graciela (2011): «De viajes y enigmas. Mongólia de Bernardo Carvalho y L’énigme du retour de Dany Laferrière» in AA.VV.: Actas de las X jornadas de literatura comparada de la Asociación Argentina de Literatura Comparada. Disponível em: http://xjornadaslc.fahce.unlp.edu.ar/


O sentido da viagem no romance Mongólia

24 Maio 2016, 17:00 • ALVA MARTINEZ TEIXEIRO

O género e o discurso no romance Mongólia de Bernardo Carvalho: a errância e a imagem do ‘trânsito’ discursivo. A construção do romance (e do relato do diplomata) a partir dos diários de viagem. Análise das caraterísticas do género do ponto de vista da enunciação. A condição de género fronteiriço da literatura de viagem: a extrapolação da ficção a partir da realidade e a potenciação da ficcionalidade graças à expressiva força documental  do relato de viagem.

O sentido da viagem no romance. Os tipos do turista e do viajante (Zigmunt Bauman). A visão etnocêntrica presente no relato do Ocidental e a construção literária do Outro. A possível desconstrução irónica da alteridade.

Entrega da recensão crítica e exposição oral (individuais) sobre a obra A chave da casa de Tatiana Salem-Levy: Daria MiKocka.

 

Bibliografia:

ALMEIDA, Ana Ligia Matos de (2008): Não sou Machado de Assis: narrativas de Bernardo Carvalho (Tese de Doutorado, apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Letras Vernáculas da Universidade Federal do Rio de Janeiro). [Disponível online]

BAUMAN, Zygmunt (1999): Globalização: as conseqüências humanas (Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor).

SAID, Edward W. (2004): Orientalismo (Lisboa: Cotovia).

SILVA, Ricardo Augusto Garro (2014): Alteridade e diferença em Bernardo Carvalho (Dissertação de Mestrado, apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal de Minas Gerais). [Disponível online]


A reconstrução da memória no romance K – Relato de uma busca de Bernardo Kucinski

17 Maio 2016, 17:00 • ALVA MARTINEZ TEIXEIRO

Aula da Profª Zuzana Burianová (mobilidade Erasmus+), professora da Universidade Palacký em Olomouc e da Universidade Masaryk em Brno, na República Tcheca, sobre a reconstrução da memória no romance K – Relato de uma busca de Bernardo Kucinski.

 

Entrega da recensão crítica e exposição oral (individuais) sobre a obra A chave da casa de Tatiana Salem-Levy: Karine Rocha e Maria do Céu Figueira Mantas e Ana Malmaceda.


A viagem e a alteridade na ficção brasileira contemporânea

10 Maio 2016, 17:00 • ALVA MARTINEZ TEIXEIRO

A importância do tema da viagem na tradição literária brasileira: a constituição parcial das literaturas latino-americanas a partir da escrita do/no estrangeiro. Ponderação crítica da possível presença de uma herança histórica, da procura ainda de um Outro nas viagens literárias contemporâneas para pensar a própria condição por analogia. A possibilidade de interpretação da situação do viajante literário contemporâneo como “uma espécie de exotismo invertido” (Karl Eric Schollhammer).

A relevância dos deslocamentos, da elasticidade das fronteiras e da rapidez do mundo contemporâneo na configuração das novas ficções a partir da crise das noções de centro e periferia. A posição do sujeito latino-americano: a desconstrução crítica e/ou irónica dos deslocamentos entre o centro e a periferia. A subversão irónica da alteridade e do etnocentrismo na obra Mongólia de Bernardo Carvalho.

 

Entrega da recensão crítica e exposição oral (individuais) sobre a obra Budapeste de Chico Buarque: Philipp Kampschroer e Susana Gonçalves.

 

Bibliografia:

CARNEIRO, Flávio (2005): No país do presente – ficção brasileira no início do século XXI (Rio de Janeiro: Rocco).

LIMA, Luiz Costa (1991): Pensando nos trópicos (Rio de Janeiro: Rocco).

RESENDE, Beatriz (2007): Questões da ficção brasileira no século XXI (Rio de Janeiro: Casa da Palavra).

SCHOLLHAMMER, Karl Eric (2009): Ficção brasileira contemporânea (Rio de Janeiro: Civilização Brasileira).


Análise da figura de Ciprian, um artista em trânsito

3 Maio 2016, 17:00 • ALVA MARTINEZ TEIXEIRO

Análise da figura de Ciprian, um artista em trânsito: o paradigma da potencial vítima do possível esgotamento do sistema da arte. A distorção da viagem, tornada trânsito. Os não-lugares da pós-modernidade estudados por Marc Augé. As cidades e residências habitadas por Ciprian: espaços de transitoriedade, próximos dos não-lugares. O percorrido acidentado do protagonista em que a inércia da procura e da insatisfação adiam qualquer possibilidade de encontro ou de resolução.

Os valores paradoxais da viagem no romance. A viagem e o seu poder para transfigurar o nosso estar no mundo e estimular a reflexão. A conclusão profundamente inquietante do protagonista: o deslocamento físico é apenas uma tentativa vazia, que não estimula o contato com o ser nem o renova é, portanto, uma experiência oposta à experiência plena, tal como concebida por Blanchot ou Foucault.

O pólo do eixo imaginário do desassossego no romance: a oscilação entre uma melancolia quase vintage e uma depressão cutting edge.

A subversão de uma das imagens mais fortes da contemporaneidade: a figura do deprimido e a democratização da interioridade presente na arte contemporânea. A reabilitação (parcial) do sujeito melancólico, próprio da modernidade e ligado à ideia do génio singular.

A problematização da teoria do génio na contemporaneidade: a revisão irónica da perda de critérios objetivos para avaliar a ‘mestria’ do artista contemporâneo.

A revisão paródica do tópico da morte da arte hegeliana: as crises e as epifanias. Análise da proposta de derrelição artística de Ulrikka Pavlov.

Conclusões: a simplificação do conceito de ‘fracasso’ e a ousadia das tentativas de inovação artística que ousam fracassar. A recompensa ambígua do fracasso do protagonista no desfecho do romance.

 

Entrega da recensão crítica e exposição oral (individuais) sobre a obra O mendigo que sabia de cor os adágios de Erasmo de Rotterdam de Evandro A. Ferreira: Susana Gonçalves e Zara Mader.

Bibliografia:

AUGÉ, Marc (2014). Pour une anthropologie des mondes contemporains. Paris: Flammarion, Col. ‘Champs essais’.

BLANCO, Juan Antonio (1999). Tercer milenio: Una visión alternativa de la posmodernidad. Tafalla: Txalaparta.

BONAMI, Francesco (2009). Lo potevo fare anch’io: Perché l’arte contemporanea è davvero arte. Milano: Mondadori, Col. ‘Piccola Biblioteca Oscar Mondadori’).

BOTTON, Alain de (2009). Uma semana no aeroporto: Um diário de Heathrow. Alfragide: Dom Quixote.

GRENIER, Catherine (2004). Dépression et subversion: Les racines de l’avant-garde. Paris: Centre Pompidou.

VILA-MATAS, Enrique (2015). Kassel no invita a la lógica. Barcelona: Seix Barral, Col. ‘Booket, 2641’.