Sumários

A vingança e o perspetivismo (e/ou relativismo) narrativo em Nada a dizer

15 Março 2016, 17:00 • ALVA MARTINEZ TEIXEIRO

A transformação do discurso narrativo derivada da traição, entendida como evento relacional e que, portanto, exige uma resposta: a vingança e a autoanálise em Nada a dizer.

A acentuação do perspetivismo provocada pelo protagonismo da traição e da vingança: a instauração no texto da incerteza. A incerteza entendida como natureza ética do texto (Anderson da Mata).

A complexa e paradoxal proposta diegética: a impossibilidade da confiabilidade a respeito do narrado e a confiança instaurada na relação narradora-leitor.

Análise da página 13 (da edição portuguesa da obra): o encontro prévio ao adultério e a primeira expressão da vingança. O distanciamento, o estranhamento e a ironia no retrato desse primeiro encontro. A presença do grotesco como filtro narrativo do evento. A negação da excecionalidade do adultério (e das convenções ficcionais do romance ocidental): o fastio e o vazio da experiência (Blanchot, Foucault).

A segunda estratégia da vingança: o retrato distorcido de Paulo (personagem da narradora) no romance. O princípio de alteridade no retrato de Paulo. A negação das metanarrativas (Lyotard): o questionamento dos ideais e do engajamento político de Paulo.

 

Entrega da recensão crítica e exposição oral (individuais) sobre a obra Fim de F. Torres: Elsa Alves e Letícia Valandro.

 

Bibliografia:

HARVEY, David (2006): Condição pós-moderna: uma pesquisa sobre as origens da mudança cultural (Rio de Janeiro: Edições Loyola [15ª ed.]).

LYOTARD, Jean-François (1979): Le condition postmoderne – rapport sur le savoir (Paris: Les Éditions de Minuit).

MATA, Anderson da (2010): As fraturas no projeto de uma literatura nacional: representação na narrativa brasileira contemporânea. Tese de Doutoramento na área de Literatura e práticas sociais, Universidade de Brasília. Disponível em:

http://repositorio.unb.br/bitstream/10482/8262/1/2010_AndersonLuisNdaMata.pdf

PEN, Marcelo. “Ilustrada”. Folha de São Paulo 06/03/2010. Disponível em: http://vigna.com.br/livnadacri/. Acesso em: março 2012.


Aula de reposição: as relações literárias entre os autores neorrealistas e os escritores regionalistas

14 Março 2016, 17:00 • ALVA MARTINEZ TEIXEIRO


Palestra do Engenheiro António Redol e do professor José Damião Rodrigues sobre as relações culturais entre Portugal e Brasil, nomeadamente, as relações e diálogos culturais e literários estabelecidos entre os escritores neorrealistas portugueses e os escritores regionalistas brasileiros.

Apresentação do volume do nº8 da revista Nova síntese, dedicado às relações culturais Portugal/Brasil, em colaboração com o Museu do Neo-Realismo.


O narrador problemático no romance Nada a dizer de Elvira Vigna

8 Março 2016, 17:00 • ALVA MARTINEZ TEIXEIRO

Foi marcada a aula de reposição (parcial) no dia 14 de março (17h, sala 5.2): palestra do engenheiro Alves Redol e apresentação do número 8 da revista Síntese, dedicado às relações culturais entre o Brasil e Portugal.

Quadro geral (continuação) da ficção brasileira do século XXI: alguns princípios e tendências relevantes. A revisão da História brasileira através do fantástico e do irrealismo de matriz borgesiana (Marco Luchesi e Alberto Musa). O insólito e o retrato do interior: as alegorias de um mundo em transição e a apropriação lúdica e pós-moderna do real maravilhoso (Andréa del Fuego).

 

O narrador na obra de Elvira Vigna. A procura de um narrador “existente na vida real, frágil e individualizado” (Ginzburg). A absorção na estrutura textual do romance da crise do homem do século XX. O repensar doloroso, a possibilidade de aprofundamento infinito das dúvidas no romance e a suspeita a respeito da ingenuidade trágica do Realismo (Féher Ferenc).

O pacto narrativo de linhagem machadiana: a suspensão da credulidade do leitor. O caráter problemático da narradora ‘não-confiável’ de Nada a dizer. A transgressão da ‘tradição da antitradição’ (Machado de Assis, Graciliano Ramos, etc): a concessão da voz narrativa (numa história de adultério) a uma mulher. Os narradores contrários ou alheios à tradição patriarcal brasileira presentes no romance contemporâneo (Ginzburg).

A transgressão de uma convenção emergente na narrativa pós-moderna brasileira: a atribuição da voz narrativa a uma mulher jovem.

A vingança como catalisador diegético no romance Nada a dizer.

 

Entrega da recensão crítica e exposição oral (individuais) sobre a obra Paraísos artificiais de P. H. Brito dos alunos Aagje Plaetse, Alexander Altevoigt, Consuelo Peruzzo e Daniel Fernando.

 

Bibliografia:

ALVES, Cristiane da Silva (2015): “Do caso ao ocaso: uma leitura de Nada a dizer de Elvira Vigna” in GOMES, Gínia Maria (Org.): Século XXI: perspetivas para a literatura brasileira (Frederico Westphalen: Editora URI): 145-160.

Disponível em:

http://www.academia.edu/17410566/_Do_caso_ao_ocaso_uma_leitura_de_Nada_a_Dizer_de_Elvira_Vigna_._In_GOMES_G%C3%ADnia_Maria_org._._Século_XXI_perspectivas_para_a_literatura_brasileira._Frederico_Westph._Editora_URI_julho_de_2015_p._145-160._ISBN_978-85-7796-145-0_

BOOTH, Wayne (1982): The Rhetoric of Fiction (Chicago: University of Chicago Press [2ª ed.]).

GINZBURG, Jaime (2012): «O narrador na literatura brasileira contemporânea» in Tintas. Quaderni di letterature iberiche e iberoamericane, 2, pp. 199-221.

FEHÉR, Ferenc (1997): O romance está morrendo? (São Paulo: Paz Terra).


Not Taught.

1 Março 2016, 17:00 • ALVA MARTINEZ TEIXEIRO

Devido à ausência da professora (que, entre os dias 28 de fevereiro e 5 de março, se encontrará na Universidade Mohammed V de Rabat – Missão de Ensino na Licenciatura de Estudos Portugueses, ao abrigo do Protocolo UL – UM5 – CICL), no dia 1 de março não haverá aulas.

Reposição da aula: a data da aula de reposição será marcada com os alunos após o regresso da professora.


Quadro geral (e introdutório) da ficção brasileira do século XXI: alguns princípios e tendências relevantes

23 Fevereiro 2016, 17:00 • ALVA MARTINEZ TEIXEIRO

Devido à ausência da professora (que, entre os dias 28 de fevereiro e 5 de março, se encontrará na Universidade Mohammed V de Rabat – Missão de Ensino na Licenciatura de Estudos Portugueses, ao abrigo do Protocolo UL – UM5 – CICL), no dia 1 de março não haverá aulas.

Reposição da aula: a data da aula de reposição será marcada com os alunos após o regresso da professora.

 

Duas caraterísticas relevantes da ficção (e da Literatura) brasileira contemporânea: a consolidação da centralidade dos revolucionários da cultura moderna (e a consequente continuidade da heterodoxia literária) e o equiíbrio entre estranhamento (culto da transgressão, individualismo, fragmentariedade, ceticismo, etc) e o reconhecimento (a importância da reflexão nacional, social e identitária na narrativa brasileira dos nossos dias).

A hipótese de partida: a análise da ficção pós-moderna como resultado, em parte, da exacerbação de procedimentos e visões do mundo inauguradas no contexto da vanguarda (e da vanguarda brasileira) do século XX.

Algumas caraterísticas recorrentes da literatura pós-moderna presentes na modernidade brasileira (Leyla Perrone-Moisés, Altas literaturas): ironia desestabilizadora das verdades, uso de citações verdadeiras ou falsas, irrealismo, indecisão do sentido das histórias, personagens confusas acerca do mundo, narradores múltiplos, consciência mefaficcional. Alguns exemplos: os romances de Machado de Assis ou o Macunaíma de Mário de Andrade.

Apontamentos sobre certas tendências da ficção brasileira do século XXI: a problematização da identidade e, principalmente, da miscigenação e da alteridade (Michel Laub, Salem Levy, Bernardo Carvalho, Alberto Mussa). A proposta de Galin Tihanov: repensar o exílio como elemento constitutivo de um certo ‘cosmopolitismo’ graças ao transbordar dos ‘limites’ das literaturas nacionais. A revisão da História brasileira através do fantástico e do irrealismo de matriz borgesiana (Marco Luchesi e Alberto Musa).

 

Bibliografia:

PERRONE-MOISÉS, Leyla (1998): Altas literaturas (São Paulo: Companhia das Letras).

TIHANOV, Galin (2013): Narrativas do Exílio: Cosmopolitismo além da Imaginação Liberal (São Carlos: Pedro & João Editores).