Sumários

A divinização de Júlio César

12 Maio 2026, 14:00 Paolo Garofalo

A divinização de Júlio César na numismática e na literatura. Análise e comentário de moedas com a representação do sidus Iulium. Comentário ao final das Metamorfoses de Ovídio: louvor e crítica.
Momentos de possível crítica a Augusto e ao império na Eneida de Vergílio: o passeio de Eneias e Evandro, o final da Eneida. Com o prof. Gabriel Silva


Do Principado Júlio-Cláudio ao Reinado de Adriano

7 Maio 2026, 14:00 Paolo Garofalo

A lição foi inteiramente dedicada à evolução histórica, política e ideológica do Principado romano, abrangendo a sucessão dinástica desde os imperadores Júlio-Claudios e Flávios até ao reinado de Adriano. O debate centrou-se na natureza jurídica ambígua do regime instituído por Augusto, destacando-se o facto de não existir uma lei formal que regulasse a sucessão imperial. Esta lacuna institucional transformava cada transição de poder num momento de profunda instabilidade, gerando violentas tensões políticas, conspirações palacianas e crimes de sangue na disputa pelo acesso ao trono. No âmbito da dinastia Júlio-Claudia (Tibério, Calígula, Cláudio e Nero), examinou-se como esta fragilidade jurídica alimentou a paranoia e a eliminação sistemática de potenciais rivais dinásticos. Seguidamente, abordou-se a transição para a dinastia Flávia (Vespasiano, Tito e Domiciano), evidenciando como a ausência de uma regra sucessória clara conduzia frequentemente à guerra civil e à imposição do poder pelas armas. Por fim, a sessão analisou a transição para o século II d.C. com Trajano e Adriano, discutindo de que forma o mecanismo da adoção do melhor candidato — em detrimento da mera consanguinidade — surgiu como uma solução pragmática para tentar mitigar a violência inerente à transmissão do poder imperial.

A última parte da lição centrou-se especificamente na figura de Adriano, cruzando a análise do seu reinado com a dimensão religiosa e epigráfica do período. Explorou-se o fenómeno da divinização e do culto de Antínoo, o jovem favorito do imperador que, após a sua morte trágica no rio Nilo, foi elevado ao estatuto de divindade em todo o Império através de uma forte promoção oficial e popular. Para ilustrar o impacto social deste culto na Itália romana, analisou-se a célebre inscrição da Lex Collegii Dianae et Antinoi de Lanúvio (Lanuvium). O estudo deste documento epigráfico permitiu compreender a organização interna, os estatutos e as práticas de um colégio funerário dedicado ao culto de Diana e do próprio Antínoo divinizado, revelando como as classes mais baixas da sociedade romana procuravam garantir uma sepultura digna e celebrar a memória dos defuntos sob a proteção de deuses associados ao imperador.


calendário romano, Ciclo dos mortos e defixiones

5 Maio 2026, 14:00 Paolo Garofalo

A lição consistiu num aprofundamento do estudo do calendário romano, dedicando-se especial atenção à análise dos seus grandes ciclos festivos estruturantes, tais como o ciclo da guerra (marcado pelas actividades de abertura e fecho da época militar) e o ciclo agrário (ligado aos ritmos da terra, das sementeiras e das colheitas). O núcleo central da sessão focou-se, contudo, nas festividades religiosas em honra dos defuntos e no culto dos antepassados. Examinaram-se, de forma comparativa, as celebrações dos Parentalia — marcadas pelo seu carácter público, familiar e de pacificação dos espíritos dos parentes (manes) —, a sua conclusão festiva com a Cara Cognatio (ou Caristia), que celebrava a reconciliação e a harmonia familiar dos vivos, e os Lemuria, festividade de cariz mais arcaico e doméstico destinada a esconjurar os espectros errantes e potencialmente hostis (lemures). Na última parte da lição, a discussão transitou da religião oficial e doméstica para as práticas mágicas privadas, através da explicação detalhada das defixiones (tábuas de imprecação ou maldição em chumbo). Analisou-se o funcionamento destes rituais de esconjuro e o seu enquadramento arqueológico, com particular incidência na razão pela qual estas lamelas eram preferencialmente depositadas em sepulturas infantis, explorando-se o conceito de aoroi — os mortos prematuros cuja energia e proximidade ao mundo subterrâneo os tornavam intermediários ideais para a eficácia da magia teoricamente maléfica.


calendário romano

30 Abril 2026, 14:00 Paolo Garofalo

A lição foi inteiramente dedicada ao estudo do calendário romano e ao seu complexo funcionamento político, religioso e astronómico. A análise iniciou-se com a exploração da estrutura temporal de Roma, abordando as subdivisões dos dias e dos meses, bem como o papel utilitário e agrícola dos menológios (menologia). Seguidamente, examinou-se a evolução histórica do cómputo do tempo, estabelecendo-se um contraste detalhado entre os exemplos pré-julianos e julianos. No âmbito pré-juliano, dedicou-se especial atenção aos Fasti Antiates Maiores — o único exemplo sobrevivente de calendário republicano pintado antes da reforma de Júlio César —, analisando a complexidade do mês intercalar. Esta realidade foi depois confrontada com a reforma juliana do tempo e a subsequente proliferação de calendários monumentais imperiais, com particular destaque para os Fasti Praenestini de Verrio Flaco. Na segunda parte da lição, promoveu-se um paralelo interdisciplinar entre a evidência epigráfica destes calendários e a vertente literária, centrando-se a discussão na obra Fasti de Ovídio. Discutiu-se de que forma o poema ovidiano funciona como um comentário poético, etimológico e ideológico aos dias do calendário reformado, espelhando as tensões e as celebrações da Roma de Augusto.


Poetas do periodo Augustano: Horacio - Propercio - Ovidio

28 Abril 2026, 14:00 Paolo Garofalo

A lição iniciou-se com o resumo da sessão anterior, na qual se havia abordado a celebração do Natalis Romae e a coincidência cronológica com o aniversário de 2779 anos Ab Urbe Condita da fundação da cidade. Feita esta introdução, o desenvolvimento da presente lição estruturou-se em torno de três grandes poetas do período augustano: Horácio, Propércio e Ovídio. No que respeita a Propércio, a análise foi enriquecida por uma digressão sobre os grandes santuários do Lácio, contextualizando o ambiente sagrado que influenciou a elegia latina. O foco principal recaiu, contudo, sobre a obra de Ovídio, especificamente sobre as Metamorfoses, elegendo-se o mito de Níobe e dos Nióbidas como núcleo central de estudo. Este debate literário foi articulado com a vertente arqueológica através da análise dos achados na villa de Marco Valério Messala Corvino em Ciampino (Roma); a descoberta deste impressionante ciclo estatuário dedicado ao massacre dos Nióbidas oferece um testemunho material único da transposição do mito ovidiano para a esfera artística e privada da elite romana da época.