Sumários
II. Sobre Sentido e Denotação - 3
5 Março 2026, 13:00 • António José Teiga Zilhão
II. Sobre Sentido e Denotação - 2
3 Março 2026, 13:00 • António José Teiga Zilhão
Análise e discussão do ensaio de Gottlob Frege Sobre Sentido e Denotação (Ueber Sinn und Bedeutung) de 1892 - 2
VIII) Distinção entre denotação (Bedeutung), sentido (Sinn) e representação (Vorstellung). Esta distinção corre paralela à distinção estabelecida por Frege entre dimensões ontológicas distintas: enquanto que o que constitui a denotação ou o sentido de termos ou frases são entidades que pertencem a dimensões ontológicas objectivas (materiais ou abstractas), isto é, dimensões ontológicas preenchidas por objectos, físicos ou abstractos, funções ou pensamentos, as representações são entidades que pertencem a uma dimensão ontológica subjectiva ou mental, i.e., as representações são os conteúdos de consciência suscitados de modo privado na mente de cada um em associação com o contacto com a denotação e/ou o sentido das frases e dos termos que as constituem. IX) Assim sendo, a denotação e o sentido de um termo ou de uma frase completa são o mesmo para todos; já as representações a eles associadas variam de uns para outros e não é possível comparar as representações de uns com as de outros. X) Aplicação da distinção sentido/denotação a frases afirmativas completas: o sentido de uma frase afirmativa completa é o pensamento que ela exprime; a denotação de uma frase afirmativa completa é um valor de verdade. XI) Distinção entre uso cognitivo e uso artístico das frases de uma qualquer língua: no primeiro caso, as frases declarativas completas têm sentido e denotação; no segundo caso, as frases declarativas completas apenas têm sentido mas não têm (ou, pelo menos, não têm que ter) denotação. XII) Justificação da tese de que a denotação de uma frase declarativa completa seria um valor de verdade: a) A consideração de que a denotação de uma frase é um valor de verdade permite salvaguardar o princípio leibniziano de que a substituição de termos co-denotativos numa frase declarativa completa não afecta o valor de verdade da mesma; b) A consideração de que a denotação de uma frase declarativa completa é um valor de verdade permite salvaguardar a composição funcional de frases complexas, i.e., quando uma frase complexa contém outras frases mais simples como seus constituintes, a substituição destas na frase complexa por frases que denotam o mesmo valor de verdade permite salvaguardar o valor de verdade da frase complexa. XIII) A conjunção das teses de que frases declarativas completas têm uma denotação e de que a mesma seria um valor de verdade arrasta consigo duas consequências contra-intuitivas, a saber: a) Todas as frases declarativas verdadeiras têm a mesma denotação - o Verdadeiro; b) Uma frase declarativa completa seria, na realidade, um nome próprio para um valor de verdade. XIV) Estas consequências devem, todavia, ser consideradas em associação com o princípio do contexto: de acordo com o mesmo, um juízo deve ser visto não como uma composição construída a partir de partes independentes e subsistentes por si, mas antes como uma decomposição retrogressiva de um aspecto do Verdadeiro (um pensamento) em partes constituintes que o estruturam. XV) Refutação da hipótese de que a verdade poderia ser um predicado que se aplicaria a frases tomadas como sujeitos de predicação: o acto judicativo em si já constitui um modo de tomar um conteúdo proposicional como verdadeiro; neste sentido, um juízo que atribuísse a propriedade da verdade a um conteúdo judicativo específico seria, simplesmente, redundante.II. Sobre Sentido e Denotação - 1
26 Fevereiro 2026, 13:00 • António José Teiga Zilhão
Análise e discussão do ensaio de Gottlob Frege Sobre Sentido e Denotação (Ueber Sinn und Bedeutung) de 1892 - 1
I) Consideração de diferentes modos possíveis de entender a relação de igualdade: i) como uma relação entre sinais (que indicaria acerca de dois sinais que estes designariam o mesmo objecto); ii) como uma relação entre objectos (que indicaria acerca de dois objectos que estes seriam, na verdade, o mesmo). II) Argumento que milita contra o segundo entendimento e a favor do primeiro: nos casos em que frases do tipo 'a=b' fossem verdadeiras, a diferença em valor cognitivo entre as mesmas e frases do tipo 'a=a' ficaria, no âmbito do segundo entendimento, por explicar. III) Argumento que milita contra o primeiro entendimento: o conhecimento que, com frequência, pretendemos exprimir por meio do uso de frases de igualdade verdadeiras do tipo 'a=b' é conhecimento substantivo com valor cognitivo real e não conhecimento linguístico acerca do modo como usamos os sinais 'a' e 'b'. IV) Solução para o problema: para além de uma denotação (Bedeutung) - o objecto designado -, termos singulares (nomes ou descrições definidas) têm também um sentido (Sinn), o qual consiste no modo específico como a denotação dos mesmos é capturada; ora, a descoberta, expressa numa frase do tipo 'a=b', de que dois sentidos distintos estão associados a uma mesma denotação é, frequentemente, uma descoberta com um conteúdo cognitivo significativo (empírico ou matemático) e não uma descoberta de âmbito meramente linguístico; neste sentido, a relação de igualdade não é, tipicamente, uma relação entre sinais. V) Relação entre sinal, denotação e sentido: qualquer sinal pertencente a um sistema consistente tem um sentido e qualquer denotação é sempre capturada através de um sentido específico; mas daqui não se segue que todo o sentido específico capture uma denotação - com efeito, existem sentidos aos quais nenhuma denotação corresponde. VI) Distinção entre denotação habitual e denotação indirecta e entre sentido habitual e sentido indirecto. VII) A denotação indirecta de um termo singular é o seu sentido habitual.
I. Função e Conceito - 3
24 Fevereiro 2026, 13:00 • António José Teiga Zilhão
Análise e discussão do ensaio de Gottlob Frege Função e Conceito (Funktion und Begriff) de 1891 - 3
I. Função e Conceito - 2
19 Fevereiro 2026, 13:00 • António José Teiga Zilhão