Sumários

Catastrofistas vs. Continuistas.

26 Março 2026, 09:30 Rodrigo Furtado


1.     Factos arqueológicos (s. V-VI):

a.     simplificação económica: s. V (periferias); s. VI (Europa W Mediterrânea);

a.     regresso a estruturas agrícolas de subsistência ou de produção regional;

b.     menor especialização da produção artesanal entre os s. V-VI: o abandono das salgas de peixe do Tejo-Sado;

c.     menor comércio a longa distância; o mercado de luxo mantem-se de forma muito limitada;

b.     grandes diferenças nas elites: em gerais mais pobres; desaparece a rica aristocracia senatorial (s. VI);

c.     simplificação das estruturas urbanas (abandono e atrofiamento):

*      O caso de Roma.

a. ca. 1 d.C.: 1 milhão de habitantes;

b. ca. 300 d.C.: 800 mil habitantes;

c. ca. 420 d.C.: 300 mil habitantes;

d.                  ca. 600 d.C.: 150 mil habitantes;

e. ca. 800 d.C.: 30 mil habitantes.

*      diferenças regionais:

- Norte da Gália: encolhimento das cidades/desaparecimento das uillae; produção/distribuição mantém-se regional, como sempre tinha sido;

-Hispânia: interior e o Ocidente simplificam-se no s. V; a costa do Mediterrâneo só a partir de 550;

- Itália: impacte urbano no s. VI, mas mantém comércio e vida urbana;

- África: exportações diminuem após 450 (Vândalos); mas mantêm estruturas urbanas e cidades até s. VII.

2.     A fundiarização + militarização da aristocracia. A revolução da aristocracia tardia – adaptação ou colapso?

3.1  A retracção urbana.

3.2  O colapso do “estado central” + colapso do sistema fiscal + colapso dos sistemas de abastecimento urbanos

3.3  A aproximação da aristocracia regional aos novos senhores. A onomástica.

3.4  A centralidade das instituições eclesiásticas: bispos e mosteiros como elementos polarizadores. A associação e esbatimento nobreza / igreja – prestígio da terra + prestígio militar + prestígio espiritual

 

3.     A decadência – calcular o índice de “desenvolvimento social”: os dados de Ian Morris.

a.     Energy capture (comida, combustíveis, matéria-prima).

b.     Vida urbana (malha urbana; tamanho das casas; técnicas de construção; abastecimento; infraestruturas). 

c.     Capacidade militar (número/tecnologia).

d.     Tecnologia de informação (literacia, tecnologia, velocidade).


 

4.     Para lá do Mediterrâneo: o triunfo da regionalização do Império:

4.1  A diversidade do Império: geografia/ecologia; economia; línguas; administração local; étnicas;

4.2  A secundarização de Roma, as capitais imperiais (Trier-Arles, Milão-Ravena, Tessalónica, Nicomédia, Antioquia) e Constantinopla; a Palestina (Jerusalém/Belém);

4.3  Uma outra leitura das usurpações: regiões vs. Império;

4.4  A derrota da Central Romanness e a vitória de uma/várias Local Romannesses (e não do ‘barbarismo’): o triunfo da provincialização do império vs. Incapacidade de manter o ideal de império em face dos localismos. Os bárbaros serão instrumentais.

4.5  A chegada dos bárbaros e o exacerbamento da regionalização do império e das necessidades de reorganização em termos de regiões/locais.

Rodrigo Furtado

Bibliografia:

Brown, P. (2013), ‘Virtutes sanctorum … strages gentium: “Deeds of Saints … Slaughter of Nations”’, The Rise of Western Christendom Triumph and Diversity. A.D. 200–1000, Blackwell, 2nd ed. rev. 93-122.

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Os reinos ocidentais: Francos.

24 Março 2026, 09:30 Rodrigo Furtado

1. A Gália do século V:

1.1  Francos:

1.1.1      Desde o século III: vários ‘tipos’ de Francos, dos dois lados da Fronteira; os Francos estabelecem-se na Belgica na época de Magnêncio: os corpos de soldados francos a combater pelo império.

1.1.2      Francos e imperadores: a usurpação de Silvano em 353; Arbogasto e o apoio a Eugénio

1.1.3      Francos no século V: a confusão das primeiras décadas do século V; o apoio a Aécio contra os Hunos;

1.1.4      Arbogasto (470’s) e o domínio de Trier;

1.1.5      Riotamo (>*Rigotamos, ‘Grande rei’ em Bretão Antigo) (Loire);

1.1.6      Childerico (457-481/2) e os Francos Sálios em Tournay. A imitação do mundo romano. O tesouro de Childerico. O paludamentum. 

1.2  Egídio e Siágrio e o ‘reino’ de Soissons: Syagrius rex Romanorum.

1.3  Burgúndios e Alamanos (430’s-440’s).

1.4  A Aquitânia visigótica.

1.5  O abandono de Trier e a nova centralidade de Arles.

 

2.     Clóvis (481/2-511).

2.1  A guerra:

2.1.1      Siágrio (487; guerra contínua até 507)

2.1.2      Alamanos e Tolbiac (Natal de 508);

2.1.3      Alarico II e Vouillé (507); a intervenção de Teodorico em torno da Provença;

2.1.4      Os vários reges francos derrotados: Ragnachar; Chararico; Sigiberto; Cloderico; 

2.2  A relação com Constantinopla.

2.2.1      O consulado honorário e o título de patricius (508).

2.3  O baptismo por Remígio de Reims (508).

2.3.1      Significado ideológico, social e cultural.

2.4  O estabelecimento em Paris. Por que não em Toulouse ou Bourdéus? Um sinal de ruptura?

2.5  A continuidade entre o palatium imperial e o palatium régio: a imitação imperial ideológica e administrativa.

 

 

Bibliografia:

Fouracre, P. (2020), ‘From Gaul to Francia: The impact of the Merovingians’, The Oxford Handbook of the Merovingian World, Oxford University Press, 35-51.

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Hen, Y. (2020), ‘The Merovingian polity: A network of courts and courtiers’, The Oxford Handbook of the Merovingian World, Oxford University Press, 2020, 217-237.

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Os reinos ocidentais: Ostrogodos

19 Março 2026, 09:30 Rodrigo Furtado


 

1.     O complicado século V na Europa Ocidental: a queda do Império Romano no Ocidente e os reinos bárbaros.

 

2.     Pode haver mundo sem Roma?

 

3.     A Itália da Antiguidade tardia:

3.1  Um sítio própspero mas estruturalmente em regressão.

3.2  Roma: a cidade dos monumentos e do senado. O senado romano: em vias de ‘empobrecimento’; as magistraturas, a prefeitura da Cidade e a prefeitura do pretório de Itália;

3.3  Roma: uma cidade em encolhimento demográfico.

ca. 1 d.C.: 1 milhão de habitantes;

ca. 300 d.C.: 800 mil habitantes;

ca. 420 d.C.: 300 mil habitantes;

ca. 600 d.C.: 150 mil habitantes;

ca. 800 d.C.: 30 mil habitantes.

3.4  A Itália rural e o impacte da conquista de Cartago pelos Vândalos.

 

4.     Odoacro e a chegada dos Ostrogodos.

4.1  O papel do suevo Ricímero (magister militum 457-472); do burgúndio Gundobaldo (472-474), de Odoacro (476-493) e de Teodorico (489-526); a continuidade.

4.2  Odoacro e a sua posição política em Ravena: patricius e rex; as nomeações consulares; o controlo do consulado e o apoio senatorial; ‘nada muda’; o abandono do Nórico;

4.3  A chegada de Teodorico:

4.3.1      Os Godos dos Balcãs e a conflitualidade interna;

4.3.2      Um homem educado em Constantinopla que sabia mais Grego que a maioria dos Itálicos;

4.3.3      Repetir a estratégia para com Alarico: empurra-los para Ocidente;

4.3.4      Os títulos de patricius e de rex;

4.3.5      A guerra contra Odoacro (488-493).

 

5.     O valor da estabilidade e a ‘conquista’ da aristocracia senatorial: prosperidade e crescimento económico na primeira metade do s. VI.

5.1  Distinção funcional entre Godos (militares) e Romanos (administração civil);

5.2  Persistência do Senado, da Igreja e da administração romana;

5.3  A ciuilitas goda; a imitação romana;

5.4  Formalmente um rex; na prática um Augustus. O restauro e construção de monumentos; panes et circenses; o aduentus  e os tricennalia em Roma do ano 500; semper Augustus;

5.5  A participação do senado na administração imperial: Símaco, Boécio (cônsul em 510, magister officiorum em 522) e Cassiodoro;

5.6  A lei romana: o Edicto de Teodorico.

Rodrigo Furtado

Bibliografia:

Moorhead, J. (2008), ‘Ostrogothic Italy and the Lombard invasions’, The New Cambridge Medieval History 1. 500-700, Cambridge University Press, 2008, 140-161

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Wickham, Ch. (2005), ‘The form of the state’, Framing the Early Middle Ages. Europe and the Mediterranean. 400–800, Oxford University Press, 2005, 56-150.

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James, E. (1988), The Franks, Oxford.

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Wood, I. N. (1985), ‘Gregory of Tours and Clovis’, Revue Belge de Philologie et d’Histoire 63, 249–272.

Wood, I. N. (1994), The Merovingian Kingdoms 450–751, London-New York.

 

 


O que aconteceu em 476?

17 Março 2026, 09:30 Rodrigo Furtado


1.     A fraqueza do trono imperial: enfraquecimento do trono imperial era congénito da própria existência do Império:

1.1  Nove usurpações no século IV (depois de Constantino): ‘the true “killing fields” of the fourth century were not along the frontiers. They were in northern Italy and the Balkans, where sanguinary battles were regularly fought between rival emperors’ (Brent Shaw).

1.2  Século V: usurpações e ‘invasões’ quase sempre relacionadas (entre 406-414, houve oito ‘usurpadores’/’Augustos’ no Ocidente): usurpadores que se auto-proclamam devido à instabilidade militar (tal como no século III); usurpadores que usam forças bárbaras; forças bárbaras que aproveitam a fraqueza causada pelas usurpações.

 

2.     Os imperadores crianças e as lideranças e redes militares:

2.1 Arcádio (395-408) e Honório (395-423); Teodósio II (408-450); Valentiniano III (425-455);

2.2 Os “regentes”: Rufino (395); Eutrópio (395-399); Estilicão (395-408); Constâncio III (411-421); Aécio (429-454); Ricimero (461-472); Gundebaldo (472-73/4).

 

3.     A conjuntura 450-458:

3.1  A “terrível” ameaça dos Hunos: é a única ameaça externa verdadeiramente capaz de desestruturar o Império Romano no Ocidente. O regresso do imperador a Roma, quase 200 anos depois.

3.2  Os Campos Cataláunicos (451) e as suas consequências: a instabilidade a norte do Loire a partir de 450-60: Egídio (Soissons); Arbogasto (Trier); Riotamo (Bretanha); os Francos.

3.3  A invasão huna da Gália Cisalpina (452); a morte de Átila (453).

3.4  Os assassínio de Aécio (454) e de Valentiniano III (455).

3.5  O regresso da instabilidade: Petrónio Máximo (455); o saque de Roma pelos Vândalos (455); Avito (455- Out. 456); o papel de Majoriano e de Ricimero; o interregno de 14 meses até Dez. 457.

3.6  Majoriano (457-461) e a tentativa de recomposição do império: Ilírico, Gália e Hispânia. A sabotagem da frota pelos vândalos. O regresso a Itália e o assassínio.

3.7  Ricimero como kingmaker: porque não quis ser imperador? A sua “sucessão” por Gundebaldo (472-73/74).

3.8  Os últimos imperadores: Líbio Severo (461-Nov. 465), Antémio (Abr. 467-472), Olíbrio (Julho-Nov. 472), Glicério (Mar. 473-474), Júlio Nepote (474-480), Rómulo Augústulo (475-476).

3.9  476: o que aconteceu? Sinal de fortaleza ou reagrupamento de forças?

 

Nome

Datas

Causa da morte

Motivo da morte

Relação com imperadores

Relação com Oriente

Valentiniano III

23/10/425-16/3/455

assassinado

motivo interno

Filho de Constâncio III e de Gala Placídia

Reconhecido pelo Oriente

Petrónio Máximo

17/3-31/5/455

assassinado

motivo interno/externo (saque de Roma)

Casa com Licínia Eudóxia; o filho, Paládio casa com Eudócia

Não reconhecido

Avito

9/7/455-17/10/456

deposto

motivo interno

apoio dos visigodos

Não reconhecido

Majoriano

28/12/457-2/8/461

assassinado

motivo interno

revolta contra Avito

Não reconhecido (pelo menos inicialmente)

Líbio Severo

19/11/461-14/11/465

causas naturais

-

escolha de Ricímero

Não reconhecido

Antémio

12/4/467-11/7/472

derrotado e executado

motivo interno

escolha de Leão I; casado com Márcia Eufémia

Reconhecido

Olíbrio

11/7-2/11/472

causas naturais

-

escolha de Ricímero e Geserico; casado com Placídia

Não reconhecido

Glicério

3/473-24/6/474

deposto

motivo interno

escolha de Gundebaldo

Não reconhecido

Júlio Nepote

24/6/474-28/8/480

assassinado

motivo interno

escolha de Leão I; casado com sobrinha de Leão I

Reconhecido

Rómulo Augústulo

31/10/475-4/9/476

deposto

motivo interno

filho de Orestes

Não reconhecido

 

4.     Por que motivo caiu o Império Romano do Ocidente?

Rodrigo Furtado

Bibliografia:

Wijnendaele J. W. P. (2023), ‘The final Western emperors, Odoacer and Late Roman Italy’s resilience’, Late Roman Italy: imperium to regnum, Edinburgh University Press, 86-107.

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Salzman, M. R. (2021),’Why Gibbon was wrong’, The falls of Rome: Crises, resilience, and resurgence in Late Antiquity, Cambridge University Press, 197–242.

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Wood, I. N. (1998), ‘The barbarian invasions and first settlements’, CAH 13, Cambridge, 516-537.


“Invasões bárbaras” e etnicidade: migração, integração e construção de identidades

12 Março 2026, 09:30 Rodrigo Furtado

1.     Edward Gibbon e os seus antecedentes. O papel do Cristianismo.

2.     Alexander Demandt e as duzentas razões para a queda de Roma: fatores ambientais, económicos, políticos, militares e culturais - invasões bárbaras, corrupção política, crises económicas, diminuição das receitas fiscais, crescimento do cristianismo, alterações climáticas ou epidemias.

3.     O contacto com os “bárbaros”: fenómeno de longo prazo, com raízes anteriores:

3.1  Longo convívio proporcionado pelos rios;

3.2  Frequentes combates/invasões/migrações (e.g. s. II, s. III, s. IV);

a)                     Reacção A: confronto militar;

b)                     Reacção B: Estabelecimento frequente de populações dentro do Império, que normalmente acabavam integradas com o tempo: sobretudo ao longo das fronteiras do Reno e do Danúbio.

1.     Augusto: 50 mil Getas no Danúbio;

2.     Tibério: 40 mil prisioneiros germanos no Reno;

3.     Nero: 100 mil “transdanubianos” nos Balcãs;

4.     Marco Aurélio: Quados, Vândalos, Jaziges, Marcomanos.

5.     Aureliano: Godos;

6.     Constâncio Cloro: atribuição de terras a bárbaros.

7.     Constantino: Francos na Gália; 300 mil Sármatas na Trácia, Macedónia e Itália;

8.     350-360: Sármatas, Alamanos: Gália, Itália.

4.     A barbarização do exército?

4.1  As tropas auxiliares/mercenários: peregrinos ou bárbaros (voluntários; através de tratados - foederati); o que é um mercenário?   

4.2  A prática desde o s. I a.C.: César, Augusto, Tibério, Marco Aurélio.

4.3  O aumento do número de mercenários na Antiguidade tardia.

4.4  A importância dos líderes militares de origem “não romana”. Exemplos de bárbaros que foram integrados; de 2.ª/3.ª geração.

a)                     306: o Alamano Croco e o auxílio a Constantino;

b)                     Malobaudes: comes domesticorum de Graciano (375-383); franco.

c)                     Bautão: magister militum de Valentiniano II (383-392); cônsul (385); pai da imperatriz Eudóxia (mulher de Arcádio); franco.

d)                    Estilicão (Vândalo); comes; magister utriusque militiae (393); cônsul (400, 405); casou com Serena, sobrinha de Teodósio; as filhas, Maria e Termância, casaram com Honório.

e)                     Constâncio III (Dácio): magister militum (411); cônsul (414, 417, 420); casou com Gala Placídia (417); co-imperador (421).

f)                      Écio (Cita); Ricimero (Suevo); Aspar (Alano); Gundobaldo (Burgúndio); Zenão (Isáurio); Odoacro (Esciro); Teodorico (Ostrogodo).

4.5  Militarização da fronteira; desmilitarização do Mediterrâneo.

 

 

 

5.     Na Antiguidade Tardia, no entanto, há várias coisas que vêm mudar situação na fronteira:

5.1  The frontier crisis faced by the western empire in 405–408 was the result of an equally large, if not actually much bigger, crisis beyond the frontier itself. Something profound must have been going on beyond Rome’s frontiers to cause all these groups to relocate west of the Carpathians, even before they made their better-documented moves onto Roman soil (P. Heather).

5.2  Bárbaros que atravessam o rio: + 50 mil em 376; ca. 100 mil em 406;

6.     Etnogénese (Herwig Wolfram): são os próprios Romanos que impedem inicialmente identificação plena com Roma:

6.1  Os “Godos” de 376 e o tratado de 382;

Rodrigo Furtado

Bibliografia Sumária

Halsall, G. (2005), ‘The Barbarian invasions’, The New Cambridge Medieval History. 1. 500-700, Cambridge University Press, 2005, 35–55

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Halsall, G. (2012), The barbarian migrations and the Roman west, Oxford, 165-283.

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