Sumários

“Invasões bárbaras” e etnicidade: migração, integração e construção de identidades

12 Março 2026, 09:30 Rodrigo Furtado

1.     Edward Gibbon e os seus antecedentes. O papel do Cristianismo.

2.     Alexander Demandt e as duzentas razões para a queda de Roma: fatores ambientais, económicos, políticos, militares e culturais - invasões bárbaras, corrupção política, crises económicas, diminuição das receitas fiscais, crescimento do cristianismo, alterações climáticas ou epidemias.

3.     O contacto com os “bárbaros”: fenómeno de longo prazo, com raízes anteriores:

3.1  Longo convívio proporcionado pelos rios;

3.2  Frequentes combates/invasões/migrações (e.g. s. II, s. III, s. IV);

a)                     Reacção A: confronto militar;

b)                     Reacção B: Estabelecimento frequente de populações dentro do Império, que normalmente acabavam integradas com o tempo: sobretudo ao longo das fronteiras do Reno e do Danúbio.

1.     Augusto: 50 mil Getas no Danúbio;

2.     Tibério: 40 mil prisioneiros germanos no Reno;

3.     Nero: 100 mil “transdanubianos” nos Balcãs;

4.     Marco Aurélio: Quados, Vândalos, Jaziges, Marcomanos.

5.     Aureliano: Godos;

6.     Constâncio Cloro: atribuição de terras a bárbaros.

7.     Constantino: Francos na Gália; 300 mil Sármatas na Trácia, Macedónia e Itália;

8.     350-360: Sármatas, Alamanos: Gália, Itália.

4.     A barbarização do exército?

4.1  As tropas auxiliares/mercenários: peregrinos ou bárbaros (voluntários; através de tratados - foederati); o que é um mercenário?   

4.2  A prática desde o s. I a.C.: César, Augusto, Tibério, Marco Aurélio.

4.3  O aumento do número de mercenários na Antiguidade tardia.

4.4  A importância dos líderes militares de origem “não romana”. Exemplos de bárbaros que foram integrados; de 2.ª/3.ª geração.

a)                     306: o Alamano Croco e o auxílio a Constantino;

b)                     Malobaudes: comes domesticorum de Graciano (375-383); franco.

c)                     Bautão: magister militum de Valentiniano II (383-392); cônsul (385); pai da imperatriz Eudóxia (mulher de Arcádio); franco.

d)                    Estilicão (Vândalo); comes; magister utriusque militiae (393); cônsul (400, 405); casou com Serena, sobrinha de Teodósio; as filhas, Maria e Termância, casaram com Honório.

e)                     Constâncio III (Dácio): magister militum (411); cônsul (414, 417, 420); casou com Gala Placídia (417); co-imperador (421).

f)                      Écio (Cita); Ricimero (Suevo); Aspar (Alano); Gundobaldo (Burgúndio); Zenão (Isáurio); Odoacro (Esciro); Teodorico (Ostrogodo).

4.5  Militarização da fronteira; desmilitarização do Mediterrâneo.

 

 

 

5.     Na Antiguidade Tardia, no entanto, há várias coisas que vêm mudar situação na fronteira:

5.1  The frontier crisis faced by the western empire in 405–408 was the result of an equally large, if not actually much bigger, crisis beyond the frontier itself. Something profound must have been going on beyond Rome’s frontiers to cause all these groups to relocate west of the Carpathians, even before they made their better-documented moves onto Roman soil (P. Heather).

5.2  Bárbaros que atravessam o rio: + 50 mil em 376; ca. 100 mil em 406;

6.     Etnogénese (Herwig Wolfram): são os próprios Romanos que impedem inicialmente identificação plena com Roma:

6.1  Os “Godos” de 376 e o tratado de 382;

Rodrigo Furtado

Bibliografia Sumária

Halsall, G. (2005), ‘The Barbarian invasions’, The New Cambridge Medieval History. 1. 500-700, Cambridge University Press, 2005, 35–55

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Halsall, G. (2012), The barbarian migrations and the Roman west, Oxford, 165-283.

-------

Burns, Th. S. (2003), Rome and the Barbarians, 100 BC - A.D. 400, Baltimore, Md..

Cameron, Av. (2012), ‘The empire and the barbarians’, The Mediterranean World in Late Antiquity AD 395-700, 2nd ed. New York, 39-57.

Demandt, A. (1984), Der Fall Roms: die Auflösung des römischen Reiches im Urteil der Nachwelt, Beck.

Gillett, A. (2009), ‘The Mirror of Jordanes: Concepts of the Barbarian, Then and Now’, A Companion to Late Antiquity, Malden M.A. and Oxford, 392-408.

Goffart, W. (2010), ‘The technique of barbarian settlement in the fifth century: A personal, streamlined account with ten additional comments’, Journal of Late Antiquity 3.1, 65-98

Halsall, G. (2014), ‘Two Worlds Become One: A “Counter-Intuitive” View of the Roman Empire and “Germanic” Migration’, German History 32.4, 515–532.

Halsall, Guy (2010), ‘The technique of barbarian settlement in the fifth century: A reply to Walter Goffart’, Journal of Late Antiquity 3.1, 99-112.

Heather, P. J. (2010), Empires and Barbarians: The Fall of Rome and the Birth of Europe, Oxford.

Heather, P. J. (2018), ‘Goths’, The Oxford Dictionary of Late Antiquity, Oxford, 673.

Wood, I. (1998), ‘The barbarian invasions and first settlements’, Cambridge Ancient History 13. The Late Empire A.D. 337-425, Cambridge, 516-537.

Wood, I. (2008), ‘Barbarians, historians, and the construction of national identities’, Journal of Late Antiquity 1.1, 61-81.

 


“Invasões bárbaras” e etnicidade: migração, integração e construção de identidades

10 Março 2026, 09:30 Rodrigo Furtado


1.     Edward Gibbon e os seus antecedentes. O papel do Cristianismo.

2.     Alexander Demandt e as duzentas razões para a queda de Roma: fatores ambientais, económicos, políticos, militares e culturais - invasões bárbaras, corrupção política, crises económicas, diminuição das receitas fiscais, crescimento do cristianismo, alterações climáticas ou epidemias.

3.     O contacto com os “bárbaros”: fenómeno de longo prazo, com raízes anteriores:

3.1  Longo convívio proporcionado pelos rios;

3.2  Frequentes combates/invasões/migrações (e.g. s. II, s. III, s. IV);

a)                     Reacção A: confronto militar;

b)                     Reacção B: Estabelecimento frequente de populações dentro do Império, que normalmente acabavam integradas com o tempo: sobretudo ao longo das fronteiras do Reno e do Danúbio.

1.     Augusto: 50 mil Getas no Danúbio;

2.     Tibério: 40 mil prisioneiros germanos no Reno;

3.     Nero: 100 mil “transdanubianos” nos Balcãs;

4.     Marco Aurélio: Quados, Vândalos, Jaziges, Marcomanos.

5.     Aureliano: Godos;

6.     Constâncio Cloro: atribuição de terras a bárbaros.

7.     Constantino: Francos na Gália; 300 mil Sármatas na Trácia, Macedónia e Itália;

8.     350-360: Sármatas, Alamanos: Gália, Itália.

4.     A barbarização do exército?

4.1  As tropas auxiliares/mercenários: peregrinos ou bárbaros (voluntários; através de tratados - foederati); o que é um mercenário?   

4.2  A prática desde o s. I a.C.: César, Augusto, Tibério, Marco Aurélio.

4.3  O aumento do número de mercenários na Antiguidade tardia.

4.4  A importância dos líderes militares de origem “não romana”. Exemplos de bárbaros que foram integrados; de 2.ª/3.ª geração.

a)                     306: o Alamano Croco e o auxílio a Constantino;

b)                     Malobaudes: comes domesticorum de Graciano (375-383); franco.

c)                     Bautão: magister militum de Valentiniano II (383-392); cônsul (385); pai da imperatriz Eudóxia (mulher de Arcádio); franco.

d)                    Estilicão (Vândalo); comes; magister utriusque militiae (393); cônsul (400, 405); casou com Serena, sobrinha de Teodósio; as filhas, Maria e Termância, casaram com Honório.

e)                     Constâncio III (Dácio): magister militum (411); cônsul (414, 417, 420); casou com Gala Placídia (417); co-imperador (421).

f)                      Écio (Cita); Ricimero (Suevo); Aspar (Alano); Gundobaldo (Burgúndio); Zenão (Isáurio); Odoacro (Esciro); Teodorico (Ostrogodo).

4.5  Militarização da fronteira; desmilitarização do Mediterrâneo.

 

 

 

5.     Na Antiguidade Tardia, no entanto, há várias coisas que vêm mudar situação na fronteira:

5.1  The frontier crisis faced by the western empire in 405–408 was the result of an equally large, if not actually much bigger, crisis beyond the frontier itself. Something profound must have been going on beyond Rome’s frontiers to cause all these groups to relocate west of the Carpathians, even before they made their better-documented moves onto Roman soil (P. Heather).

5.2  Bárbaros que atravessam o rio: + 50 mil em 376; ca. 100 mil em 406;

6.     Etnogénese (Herwig Wolfram): são os próprios Romanos que impedem inicialmente identificação plena com Roma:

6.1  Os “Godos” de 376 e o tratado de 382;

Rodrigo Furtado

Bibliografia Sumária

Halsall, G. (2005), ‘The Barbarian invasions’, The New Cambridge Medieval History. 1. 500-700, Cambridge University Press, 2005, 35–55

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Halsall, G. (2012), The barbarian migrations and the Roman west, Oxford, 165-283.

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Burns, Th. S. (2003), Rome and the Barbarians, 100 BC - A.D. 400, Baltimore, Md..

Cameron, Av. (2012), ‘The empire and the barbarians’, The Mediterranean World in Late Antiquity AD 395-700, 2nd ed. New York, 39-57.

Demandt, A. (1984), Der Fall Roms: die Auflösung des römischen Reiches im Urteil der Nachwelt, Beck.

Gillett, A. (2009), ‘The Mirror of Jordanes: Concepts of the Barbarian, Then and Now’, A Companion to Late Antiquity, Malden M.A. and Oxford, 392-408.

Goffart, W. (2010), ‘The technique of barbarian settlement in the fifth century: A personal, streamlined account with ten additional comments’, Journal of Late Antiquity 3.1, 65-98

Halsall, G. (2014), ‘Two Worlds Become One: A “Counter-Intuitive” View of the Roman Empire and “Germanic” Migration’, German History 32.4, 515–532.

Halsall, Guy (2010), ‘The technique of barbarian settlement in the fifth century: A reply to Walter Goffart’, Journal of Late Antiquity 3.1, 99-112.

Heather, P. J. (2010), Empires and Barbarians: The Fall of Rome and the Birth of Europe, Oxford.

Heather, P. J. (2018), ‘Goths’, The Oxford Dictionary of Late Antiquity, Oxford, 673.

Wood, I. (1998), ‘The barbarian invasions and first settlements’, Cambridge Ancient History 13. The Late Empire A.D. 337-425, Cambridge, 516-537.

Wood, I. (2008), ‘Barbarians, historians, and the construction of national identities’, Journal of Late Antiquity 1.1, 61-81.

 


Perspectivas locais e regionais: transformações e continuidades – urbanismo, sociedade e economia.

5 Março 2026, 09:30 Rodrigo Furtado


I.        Um mundo de cidades.

1.     Uma auto-percepção: a cidade como organizadora do espaço político, regional, económico e mental:

2.     Um estatuto: autonomia administrativa - ca. 2000 cidades autónomas no Império. As novas fundações.

3.     O carácter tipificado da cidade romana. A relativa uniformidade. A uniformização dos estatutos: os municipia.

4.     O espaço demográfico: 80% de população rural – uma contradição?

5.     As regiões mais urbanizadas: o Mediterrâneo vs. Continente; Oriente vs. Ocidente.

6.     A organização da cidade: polis; ciuitas.

i.  O centro: boulê; curia.

ii. A elite: bouleutai/politeuomenoi; decuriones/curiales.

iii.                 Uma estrutura de enorme estabilidade.

 

II.              A máquina administrativa e fiscal de Diocleciano-Constantino e as suas consequências.

1.     A desmultiplicação de lugares oferece novas formas supra-locais de competição e promoção pessoal e familiar.

2.     Formas de escapar ao serviço decurial: carreira administrativa; carreira militar; carreia eclesiástica.

3.     Um bom indicador: a diminuição da epigrafia. Porquê?

4.     Uma consequência: a legislação para forçar as obrigações curiais: a hereditariedade mais do que a eleição/co-optação.

5.     Reconfiguração do poder local: oficiais imperiais; homens de estatuto senatorial isentos do serviço curial; bispo. As novas elites e as modificações no funcionamento das estruturas urbanas.

6.     O papel do bispo como líder local – o carácter vitalício do lugar.

 

III.            O aspecto das cidades.

1.     A diversificação da evolução das cidades na Antiguidade Tardia: Oriente vs. Ocidente; Mediterrâneo vs. Continente.

i.  Síria, Palestina, Egipto: enorme vitalidade e prosperidade; poucos sinais ou ausência de sinais de crise;

ii. Grécia: contracção de Corinto – no s. VI já havia sepultamentos na ágora;

iii.                 Balcãs: óbvia contracção sobretudo nas regiões de fronteira;

iv.                 África: mantém-se próspera, mas modificam-se as cidades – a invasão das partes públicas por construções privadas ou comerciais;

v. Ibéria/Gália: diferenças regionais W/E e N/S: construção de muralhas/diminuição das cidades; a conquista do espaço público por novo espaço privado ou comercial;

vi.                 Itália: maior prosperidade, durante mais tempo, mas menor opulência, pelo menos até à invasão de Justiniano.

2.     Grandes cidades: Roma, Milão, Cartago, Constantinopla, Antioquia, Alexandria. A diversidade de tamanho: Roma (ca. 300mil habitantes); no Egipto (média das cidades: ca. 25 mil hab.).

3.     As grandes alterações nas cidades (Wichkam, 2005: 672-3). Como interpretar? Declínio ou transformação?

i.                      A descentralização/desmonumentalização do forum;

ii.          Menor construção de edifícios monumentais;

iii.         Destruturação ou fragmentação do espaço das cidades;

iv.         Divisão de grandes edifícios em edifícios mais pequenos; as construções em pórticos e edifícios/espaços públicos

v.           Simplificação das técnicas de construção (a reutilização de spolia);

vi.         Abandono ou descuido de edificios e espaços públicos e o abandono/não reparação de sistemas complexos de canalização, esgotos, etc;

vii.        Sepultamentos intra-muros e frequentemente no forum;

viii.      Abandono de áreas urbanas e substituição por áreas agrícolas/pastagem.

 

4.     A Cristianização das cidades e a despaganização do espaço urbano.

i.                       Novos templos/igrejas; o abandono/substituição dos templos pagãos; o novo evergetismo.

ii.                     O abandono dos equipamentos culturais (mais na periferia que no centro do Império): teatros e anfiteatros; a manutenção do circo.

Rodrigo Furtado

Bibliografia Sumária                                                                                                                    

Lee, A. D. (2013), ‘Urban continuity and change’, From Rome to Byzantium AD 363 – 565, Edinburgh, 199-222.

..………………………………………

Loseby, S. T. (2009), ‘Mediterranean Cities’, A Companion to Late Antiquity, Blackwell, 2009, 139-155

..………………………………………

Cameron, Av. (20122), ‘Urban change and the Late Antique countryside’, The Mediterranean World in Late Antiquity AD 395-700, Abingdon and New York, 146-167.

Christie, N., Loseby, S., eds. (1996), Towns in transition: urban evolution in Late Antiquity and the Early Middle Ages, Aldershot.

Curran, J. (2000), Pagan city and Christian capital: Rome in the fourth century, Oxford. 2000.

Garnsey, P., Whittaker, C.R. (1998), ‘Trade, industry and the urban economy’, Cambridge Ancient History 13. The Late Empire A.D. 337-425, Cambridge, 312-337.

Harris, W.V., ed. (1999), ‘The Transformations of Urbs Roma in late antiquity’, Journal of Roman Archaeology, supplement no. 33.

Holum, K. G. (2005), ‘The classical city in the sixth century’, The Cambridge Companion to the Age of Justinian, Cambridge, 87–112.

Liebeschuetz, J. H. W. G., The Decline and Fall of the Roman City, Oxford.

Loseby, S. T. Loseby (2009), ‘Mediterranean cities’, A Companion to Late Antiquity, Oxford, 139–55,

Loseby, S.T. (2011), ‘Reflections on urban space: streets through time’, Reti Medievali Rivista 12.1, 1- 23.

Matthews, J. (2000), ‘The Roman Empire and the proliferation of elites’, Arethusa 33.3, 429-446.

Rich, J., ed. (1992), The City in Late Antiquity, London.

Saradi, H. G. Saradi (2006), The Byzantine City in the Sixth Century, Athens.

Ward-Perkins, B. (2006), The fall of Rome and the end of Civilisation, Oxford.

Wickham, Ch. (2005), Framing the Early Middle Ages: Europe and the Mediterranean, 400–800, Oxford, 591–692.


Uma máquina para a eternidade: uma nova estrutura político-administrativa para um novo império?

3 Março 2026, 09:30 Rodrigo Furtado


 

I.       Porquê uma máquina?

1.     O orçamento militar e administrativo e as necessidades fiscais.

2.     O sistema fiscal: um sistema mais dependente da tributação interna e não da conquista externa.

a. Iugatio-capitatio;

b. Os pagamentos em género e em trabalho;

c. A criação de uma administração fiscal e o desaparecimento dos publicanos.

d.                  Principado: ca. 11% em média do rendimento de subsistência anual de um cidadão fora de Itália ia para impostos; talvez 5% da média de rendimento de um cidadão “médio”.

e. Antiguidade tardia: ca. 10-20% dependendo da região.

f.  O orçamento: ca. 50%-75% era gasto em despesas militares (incluindo abastecimento)

 

II.     Máquina para a eternidade: Notitia omnium dignitatum et administrationum tam ciuilium quam militarium.

1.   A hierarquia da administração civil do império: a separação entre administração civil e militar.

1.1  Os prefeitos do pretório: um poder civil quase absoluto. Tetrarquia: um por cada Augusto; Constantino: entre 2 e 5, um por cada Augusto+Césares; depois: 4 perfeituras regionais.

1.2  Os vigários (uicarius agens praefectorum praetorio): a geometria das doze dioceses.

1.3  Os consulares, correctores e praesides. Os três proconsules.

1.4  Ca. 20 mil funcionários administrativos+ 10 mil militares.

 

2    A hierarquia da administração militar.

2.1  Magister peditum e magister equitum/magister militum: o comando militar do império.

2.2  Os comites rei militaris e os duces;

 

3    A corte imperial e o consistorium.

3.1  O magister officiorum: o ‘primeiro ministro’; a supervisão dos sacra scrinia.

3.1.1      Scrinium memoriae: anotações imperiais; resposta às petições;

3.1.2      Scrinium epistolarum: apelos de tribunais menores;

3.1.3      Scrinium libellorum: “negócios estrangeiros”; relação com dioceses/províncias/cidades.

3.1.4      Os agentes in rebus e o controlo da administração.

3.2  O quaestor sacri palatii: ministro para os assuntos legais; respostas às petições.

3.3  O comes sacrarum largitionum e o comes rei priuatae: os ministros das finanças.

3.4  O praepositus sacri cubiculi e os castrenses/cubicularii.

 

III.           Uma sociedade de estatutos e títulos.

1.     Os Senados

1.1  A exclusão dos cargos civis e militares ca. 260. A recuperação com Constantino.

1.2  Roma: características. Relevância e irrelevância. O cursus honorum: a morte dos edis e dos tribunos.

1.3  Constantinopla: o segundo senado. As diferenças iniciais de estatuto.

1.4  Senador e estatuto senatorial: hereditariedade; cerca três mil cargos que passam a ter estatuto senatorial.

1.5  A titulatura: Vir clarissimus; uir claris. Uma nova hierarquia: uir illustris; uir spectabilis; uir clarissimus.

 

A necessidade de integração das elites provinciais.

Rodrigo Furtado

Questões de estudo                                                                                                                      

1.     Que mudanças administrativas e burocráticas caracterizam o governo imperial romano no século IV?

2.     De que modo as reformas dos séculos III–IV contribuíram para reforçar o poder central do imperador sobre as províncias e as elites locais?

3.     Quais as funções do senado romano no século IV? Quem eram os seus membros?

 

Bibliografia Sumária                                                                                                                    

Kelly, Ch. (2006), ‘Bureaucracy and government’, The Cambridge Companion to Constantine, Cambridge, 183-204.

..………………………………………

Bransbourg, G. (2015), ‘The later Roman Empire’, Fiscal regimes and the political economy of premodern states, Cambridge University Press, 2015, 258-281.

..………………………………………

Delmaire, R. (1995), Les institutions du Bas-Empire romain de Constantin à Justinien, Paris.

Demandt, A. (1989), Die Spätantike. Römische Geschichte von Diocletian bis Justinian. 284.565 n.Chr., Berlin.

Gwynn. D. N., ed. (2008), A. H. M. Jones and the Later Roman Empire, Leiden-Boston.

Haldon, J. F. (2006), ‘Economy and administration: how did the Empire work?’, Tne Cambridge Companion to the age of Justinian, Cambridge, 28-59.

Jones, A. H. M. (1964), The Later Roman Empire: a social, economic and administrative survey, 2 vol., Oxford.

Kelly, C. M. (2004), Ruling the Later Roman Empire, Cambridge, MA.

Löhken, H. (1982), Ordines Dignitatum, Köln..

Mitchell, S. (2015), A History of the Later Roman Empire, AD 284-641, Malden, MA, Oxford, Chichester, West Sussex.

Porena, P. (2003), Le origini della prefettura del pretorio tardoantico, Roma.

Slootjes, D. (2006), The governor and his subjects in the later Roman empire, Leiden-Boston.


Ciceronianus e/ou Christianus? ‘Onde estiver o teu tesouro, aí está também o teu coração’.

26 Fevereiro 2026, 09:30 Rodrigo Furtado


        I.         O combate ao paganismo?

1.1   Constantino: um homem entre dois mundos.

a)     a manutenção dos rios cívicos;

b)     os templos da deusa Tiquê (Thychê) e dos Dióscuros em Constantinopla;

c)      Roma: uma cidade pagã. O contraste com Milão ou Constantinopla.

1.2   A violência anti-cristã no século IV.

a)     O caso do Serapeum de Alexandria.

b)     “[Ao longo do século IV], na Trácia, um cristão foi queimado vivo pelo governador da província. Na Síria, a tortura de um bispo incluiu ser espetado pelos estiletes dos estudantes. Se forem verdade, estes foram factos terríveis, mas seria enganador tomá-los pelo seu valor facial ou vê-los como representativos do modo como pagãos e cristãos interagiram neste período” (J. Maxwell, 2012, ‘Paganism and christianization’, The Oxford handbook of Late Antiquity, Oxford.).

1.3   A violência anti-pagã no século IV.

a)     a proibição aos cristãos de participarem nos ritos e sacrifícios cívicos (321 d.C.);

b)     Edicto de Constante (ou Constâncio II) (341): que acabe a superstição e que a irracionalidade dos sacrifício seja abolida (cod. Theod. 16.10.2): a proibição dos rituais da religio pagã.

c)      A proibição constante dos sacrifícios em Roma ao longo do século IV;

d)     Visita de Constâncio II a Roma (357): respeito pelos templos da cidade: ao ponto de ser ele próprio apresentado por Símaco como modelo para Valentiniano II;

e)     Notícias esporádicas de conflito; mas ausência de uma política consequente até à época de Teodósio; mesmo depois, não há uma perseguição massiva;

f)      Teodósio e o edicto de 391.

o   De novo: proibição dos sacrifícios.

o   A extinção do fogo do Templo de Vesta e a proibição das Vestais. O de uirginitate de Ambrósio de Milão;

o   A proibição da religião familiar;

o   O abandono/destruição dos templos?

1.4   Números

o   Gália: 2,4% templos destruídos;

o   Norte de África: apenas destruições em Cirene;

o   Ásia Menor: apenas um exemplo de destruição;

o   Grécia: apenas um exemplo de destruição (pelos Godos de Alarico);

o   Itália: apenas um exemplo de destruição;

o   Britânia: três exemplos de destruição;

o   Egipto: sete exemplos de destruição;

o   Síria-Palestina: vinte e um exemplos de destruição

o   TOTAL: 43 destruições.

 

2.     A educação clássica e a doctrina christiana.

2.1   Educação e novos desafios.

                                               i.     A educação clássica ao serviço da vida política: o triuium.

                                              ii.     Saberes úteis e inúteis : em função da cidade.

 

2.2   As ‘escolas’ cristãs de Alexandria e de Antioquia no século III; o direito dos Cristãos poderem aceder à educação;

‘Quero pedir-te que extraias da filosofia dos Gregos o que pode servir como um plano de estudo ou uma preparação para o cristianismo, e da geometria e astronomia o que servirá para explicar as Sagradas Escrituras, para que o que todos os filhos dos filósofos costumam dizer sobre geometria e música, gramática, retórica e astronomia, como companheiros auxiliares da filosofia, possamos dizer nós, sobre a própria filosofia, em relação ao cristianismo. Talvez algo deste tipo esteja suposto no que está escrito no Êxodo, da boca de Deus: que ele ordenou aos filhos de Israel que pedissem aos seus vizinhos e àqueles que habitavam com eles, vasos de prata e ouro e vestes, de modo a que, ao espoliarem os egípcios, eles pudessem ter material para a preparação das coisas que pertencem ao serviço de Deus’. (Orígenes, Carta a Gregório)

‘Não devemos errar em defender que todas as coisas necessárias e proveitosas para a vida nos vieram de Deus, e que a filosofia foi mais especialmente dada aos Gregos, como uma aliança especial com eles - sendo, como é, um degrau para a filosofia que existe de acordo com Cristo’. (Clemente de Alexandria, Stromata 8)

‘Apresentarei os melhores contributos dos filósofos dos Gregos, porque tudo o que há de bom foi dado aos homens de cima por Deus’ (João Crisóstomo, Capítulos Filosóficos, Prefácio).

 

2.3   A Doctrina Christiana de Agostinho de Hipona.

2.4   Claudiano : um poeta egípcio em Roma ao serviço de Estilicão. O maravilhoso pagão como adereço.

2.5   Os Saturnalia de Macróbio: ambiente simposiástico que pretende recuperar os modelos clássicos: discussão em torno de Vergílio;

2.6   As bases de uma cultura de segunda mão: manuais, breviários e comentários. O triunfo de uma visão enciclopédica da cultura clássica, de segunda mão, baseada em manuais e em repertórios de exemplos.

 

3.     Jerónimo.

3.1   O círculo feminino de Jerónimo.

3.2   A tradução da Vulgata.

3.3   Ciceronianus, non Christianus

Jerónimo, Epístola XXII a Eustóquio, 30: ‘Há já muitos anos, embora tivesse, por causa do Reino dos Céus, cortado todas as relações com a minha casa, os meus pais, irmã, parentes e, o que é mais penoso do que isto, com o hábito dos lautos banquetes [...], não podia passar sem a biblioteca que coligira para mim, em Roma, com grande zelo e trabalho. Assim eu, infeliz, antes de ler Cícero, jejuava. Depois das ininterruptas vigílias nocturnas [...], tomava Plauto nas minhas mãos. Se porventura, caindo em mim, começava a ler um profeta, a linguagem rude horrorizava-me [...].

Quase a meio da Quaresma, uma febre, infundida nas minhas entranhas mais recônditas, invadiu o meu corpo esgotado e, sem qualquer descanso [...], devorou os meus infelizes membros ao ponto de eu mal permanecer preso aos meus ossos. [...] De repente, arrebatado em espírito, sou arrastado até ao tribunal do Juiz, onde era tanta a luz e tanto o brilho oriundos do esplendor dos que se encontravam de pé ao meu redor, que, lançado por terra, não ousava olhar para cima. Interrogado acerca da minha condição, respondi que era Cristão. Mas aquele que presidia disse: «Mentes. És Ciceroniano, não Cristão; «onde estiver o teu tesouro, aí está também o teu coração» [Mat. 6, 21].

            Calei-me de imediato e, entre vergastadas – efectivamente, tinha ordenado que eu fosse flagelado – era ainda mais torturado pelo fogo da minha consciência, reflectindo para comigo naquele versículo, ‘no inferno porém, quem te louvará?’ [Ps. 6, 6b]. Comecei então a gritar e a dizer entre lamentos: ‘Tem piedade de mim, Senhor, tem piedade de mim’ [Ps. 56, 2]. [...] Fui libertado, voltei à superfície e, perante a admiração de todos, abro os olhos, inundados por uma tamanha chuva de lágrimas que convenciam da minha dor os incrédulos. [...] A partir de então li os livros divinos com um empenho maior do que aquele com que antes tinha lido os livros dos mortais.

 

4.     Tradição literária e novos conteúdos : pseudomorfose cultural.

4.1   Juvenco e os Euangelii libri.

4.2   Proba e o centão de Vergílio In laude Christi.

Rodrigo furtado

 

 

Questões para estudo:

1.     Em que medida a cristianização do Império Romano no século IV implicou a supressão efectiva das práticas pagãs, e até que ponto subsistiram formas de convivência, adaptação ou continuidade religiosa entre pagãos e cristãos?

2.     Como utilizaram autores cristãos do século IV a categoria de “paganismo” na construção da identidade cristã e na definição das fronteiras entre ortodoxia, heresia e tradições religiosas tradicionais?

3.     Qual a atitude dos intelectuais cristãos em relação à cultura clássica, durante o século IV? Dê vários exemplos.

 

Bibliografia sumária:

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