Sumários
Justiniano e a reconquista do Ocidente.
12 Maio 2026, 09:30 • Rodrigo Furtado
I. O contexto
1. As origens do imperador Justiniano: os regimentos palatinos e a ascensão de Justino.
2. O contexto geopolítico do mediterrâneo no início do século VI:
2.1 Os imperadores em Constantinopla continuavam a governar a maior potência militar e económica do mediterrâneo.
2.2 Hegemonia militar, mas também simbólica do Império sobre os reinos pós-romanos do mediterrâneo ocidental. Deferência simbólica face ao imperador: a cunhagem de moeda pseudo-imperial.
II. Cultura e ideologia no Império Romano do tempo de Justiniano
1. Cristianismo e política religiosa
1.1 A política religiosa de Justiniano:
- O papel do imperador como guardião do Reino de Deus na terra. Seguir a posição teológica do Imperador intersecta-se com lealdade política.
- uniformização do credo: a tentativa de encontrar uma posição comum com os monofisitas.
- entrincheiramento do que serão os grandes grupos de cristãos do mediterrâneo medieval, cada um com a sua língua litúrgica: latina, grega, copta, arménia e siríaca.
1.2 Cristianismo e a herança cultural da Antiguidade
- Debate entre conservadores que queriam preservar o currículo herdado da Antiguidade e os que defendiam que este deveria ser completamente cristianizado. A repressão ao neoplatonismo.
2. O “Enciclopedismo”: esforço de recolha e compilação do conhecimento da Antiguidade
2.1 O exemplo do trabalho de João, o Lídio.
2.2 Uma tendência espelhada na própria actuação de Justiniano: o Código de Justiniano
III. Conquistas e eventos militares do tempo de Justiniano
1. Procópio de Cesareia (Edifícios 2.6.6):
Então veio o imperador Justiniano, ao qual Deus confiou a missão de velar pelo Império Romano e de o reconstituir na medida do possível.
2. A conquista do reino vândalo
2.1 Casus belli – a lei de sucessão de Genserico; Hilderico (r. 523-530) e a imperialização da monarquia vândala; o golpe de Gelimero (r. 530-533).
2.2 Campanha de Belisário e a batalha de Ad Decimum.
3. A guerra gótica em Itália
3.1 Casus belli- a sucessão de Teodorico: a morte do sucessor, Eutarico; o reinado de uma criança, Atalarico; a influência da mãe, Amalasunta; os conflitos com Teodato.
3.2 Uma guerra longa, c. 535-554
- 20 anos de conflito, guerra só termina por volta de 554, durante os quais as principais cidades trocam de mãos várias vezes. Destruição urbana, fomes e doenças.
- Ruína da velha aristocracia senatorial italiana.
4. Conquistas na Hispânia. O confronto entre Ágila e Atanagildo.
Rodrigo Furtado
Bibliografia:
Heather, P. (2018), ‘The western empire of Justinian’, Rome resurgent. War and empire in the age of Justinian, Oxford University Press, 269-302.
Lee, A. D. (2005), ‘The empire at war’, The Cambridge Companion to the Age of Justinian, Cambridge University Press, 113-133.
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Abulafia, D. (2012), The Great Sea: a human history of the Mediterranean, Oxford, 226-233.
Bowes, K. D.-Kulikowski, M. (2005), Hispania in Late Antiquity: current perspectives, Leiden.
Büntgen, U., Myglan, V., Ljungqvist, F. et al. (2016), ‘Cooling and societal change during the Late Antique Little Ice Age from 536 to around 660 AD’ Nature Geoscience 9, 231–236.
Cameron, Av. (1996), Procopius and the Sixth Century, London, 1996.
Cameron, Av. (2012), ‘Justinian and reconquest’, The Mediterranean World in Late Antiquity AD 395-700, 2nd ed., Abingdon and New York, 104-127.
Evans, J.A.S. (2002), The Empress Theodora - Partner of Justinian, Austin.
García Moreno, L. A. (2008r), Historia de España visigoda, Madrid.
Gillett, A., ed. (2002), On Barbarian Identity: Critical Approaches to Ethnogenesis Theory, Turnhout.
Goetz, H.-W., Jarnut, J. Pohl, W., eds. (2003), Regna and Gentes: The Relationship Between Late Antique and Early Medieval Peoples and Kingdoms in the Transformation of the Roman World, Leiden.
Haldon, J. et al. (2018), ‘Plagues, climate change, and the end of an empire: A response to Kyle Harper’s The Fate of Rome (3): Disease, agency, and collapse,” History Compass 16:
Harper, K. (2017), The Fate of Rome: Climate, Disease and the End of An Empire, Princeton.
Heather, P. (1998), The Goths, Oxford.
Heather, P. (2015), ‘La creación de los visigodos’, Cuadernos Medievales-Cuadernos de Cátedra 2,1-44.
Heather, P., ed. (1999), The Visigoths from the Migration Period to the Seventh Century: An Ethnographic Perspective, Rochester, NY.
Horden, P. (2005), ‘Mediterranean Plague in the Age of Justinian’, The Cambridge Companion to the Age of Justinian, Cambridge, 134-60.
O triunfo de Constantinopla: o império romano no ano 500.
7 Maio 2026, 09:30 • Rodrigo Furtado
Depois da dinastia de Teodósio: a incapacidade de assegurar uma dinastia.
1. O domínio da corte imperial pelo alano Aspar (magister militum) – a reprodução no Oriente do sistema ocidental com Ricímero e Gundebaldo. Apoia Marciano, que era seu domesticus; intervém na escolha de Leão I.
2. Leão I (457-474)
3.1 Novas ameaças: Godos nos Balcãs e Isaúrios na Ásia Menor.
3.2 Conflito com Aspar;
3.3 Apoio a Isáurios (Zenão); excubitores.
3.4 O assassínio de Aspar (471).
3. Zenão (474-491).
4.1 Isáurio.
4.2 Tarasikodissa e a mudança de nome. A prefeitura do pretório do Oriente.
4.3 O casamento com Ariadne, filha de Leão I.
4.4 O conflito entre os Godos: uma guerra civil nos Balcãs?
· Vários grupos de godos nos Balcãs: Teodorico Estrabão e Teodorico
· A oposição dos dois Teodoricos e a guerra de 474-483.
· A morte de Teodorico Estrabão (481)
· A nomeação de Teodorico como magister militum praesentialis (483) e o consulado de Teodorico o Grande (484).
· Repetir a estratégia usada com Alarico: empurrar os godos para o Ocidente.
4. Anastácio I (491-518).
3.1 Ariadne: figura central na legitimação do poder.
3.2 Funcionário palatino (silentiarius); originário de Dirráquio (Balcãs); sem experiência militar; reputação de piedade.
3.3 60 anos e o casamento com Ariadne.
3.4 Um principado próspero e estável.
· Recuperação das finanças imperiais; excedente do tesouro imperial
· Restaurador do poder imperial no Oriente depois de Zenão.
· Bases da expansão de Justiniano.
· Alguma dubiez em relação a Calcedónia.
Rodrigo Furtado
Bibliografia:
Lee, A. D. (2013), ‘Anastasius and the resurrection of imperial power’, From Rome to Byzantium AD 363 to 565, Edinburgh University Press, 159-177.
Lee, A. D. (2001), ‘The Eastern empire: Theodosius to Anastasius’, The Cambridge Ancient History. 14. Late antiquity. 425-600, Cambridge University Press, 33-62.
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Cameron, Av. (1996), Procopius and the Sixth Century, London, 1996.
Cameron, Av. (2012), ‘Justinian and reconquest’, The Mediterranean World in Late Antiquity AD 395-700, 2nd ed., Abingdon and New York, 104-127.
Evans, J.A.S. (2002), The Empress Theodora - Partner of Justinian, Austin.
Greatrex, G. (2005), ‘Byzantium and the East in the Sixth Century’, Cambridge companion to Justinian, Cambridge, 477-509.
Maas, M., ed. (2005), Cambridge Companion to the Age of Justinian, Cambridge, 2005.
Mitchell, S. (2007), A History of the Later Roman Empire, AD 284-641, Oxford.
O Império de Teodósio II no Oriente.
5 Maio 2026, 09:30 • Rodrigo Furtado
1. O século V no Oriente: A separação progressiva entre o Oriente e o Ocidente;
1.1 A transformação do poder imperial
1.2 A política religiosa.
1.3 A pressão externa: Godos, Vândalos e Hunos.
1.4 O governo imperial, entre a unidade, a separação e a estabilidade.
2. A nova figura do imperador: a dinastia de Teodósio I (395-457).
2.1 A sucessão de Teodósio I: os imperadores crianças. O triunfo do governo pelo magister officiorum e pelos cubicularii. O lugar simbólico do imperador.
2.2 A rivalidade Ocidente/Oriente: Estilicão vs. Rufino/Eutrópio.
2.3 O princeps clausus: a abdicação do comando militar; entre a fragilidade, a distância e a sacralidade – os casos de Arcádio (395-408) e de Teodósio II (408-450). Cf. Honório (395-423) e Valentiniano III (425-455).
2.4 Mais um passo na transformação da ideologia imperial: a perda teórica da acessibilidade. A importância crescente dos “mediadores”.
2.5 A transformação da relação entre o imperador e as elites tradicionais no Oriente: uma hierarquia que depende da proximidade ao imperador. A ritualização do acesso ao imperador.
3. A política religiosa.
3.1 O conflito com João Crisóstomo e o exílio do patriarca em 403: a afirmação do imperador como líder da igreja.
3.2 A piedade no centro da representação do imperador e das suas irmãs: Teodósio II teria tornado o palácio num mosteiro e Constantinopla numa Igreja (Sócrates). A virgindade das irmãs de Teodósio II: Pulquéria, Marina e Arcádia.
3.3 Questões teológicas: a humanidade e a divindade de Cristo - Cirilo de Alexandria vs. Nestório e a escola de Antioquia. Pode dizer-se que “Deus nasceu”, que “Deus sofreu” ou que “Deus morreu”? O Logos uniu-se ou habitou um ser humano? Quantas naturezas há em Cristo?
3.4 O problema mariano: Christotokos vs Theotokos.
3.5 Os concílios de Éfeso (431, 449) e Calcedónia (451).
Éfeso (431) | Éfeso (449) | Calcedónia (451) |
Cirilo de Alexandria vs. Nestório de Constantinopla (não presente) João de Antioquia (chega atrasado) | Êutiques e Dióscuro de Alexandria vs. Flaviano de Constantinopla | Êutiques e Dióscuro de Alexandria vs. Nestorianismo vs. Anatólio de Constantinopla |
4. O governo oriental: a procura da estabilidade
4.1 A estabilidade do império oriental: o governo de Antémio (pref. pret. 405-414), Hélion (mag. off. 414-427); Ciro de Panópolis (pref. pret. e pref. cidade 439-442); Crisáfio (eunuco 442-450); Aspar (magister militum ?-471).
4.2 Um governo nas mãos de quem controla o acesso ao imperador.
4.3 O Código de Teodósio (438): a compilação de leis.
4.4 O problema sucessório no Ocidente em 423-425: a imposição de Valentiniano III.
4.5 O problema sucessório: o casamento de Pulquéria e Marciano (450-457) e o fim da dinastia.
5. Os problemas militares.
5.1 O problema “Alarico” depois de 395: onde o assentar?
5.2 As novas muralhas de Constantinopla em 413: assegurar a inexpugnabilidade da cidade.
5.3 A estabilidade no Eufrates + pressão militar bárbara no Ocidente: a razão para a sobrevivência do Oriente.
5.4 Os problemas militares:
5.4.1 A conquista vândala de Cartago e o fim da unidade imperial no Mediterrâneo; a expedição falhada de 441.
5.4.2 A “confederação” dos Hunos no Danúbio: destruição na Trácia e Balcãs (422; 441-2; 447). Evitar o confronto: o pagamento de tributos. A alteração de política sob Marciano (451) – porquê?
6 A estabilidade económica e fiscal do Oriente.
Rodrigo Furtado
Bibliografia:
Elton, H. (2018), ‘The Early Fifth Century, 395–455’,The Roman Empire in Late Antiquity, Cambridge University Press, 2018, 151-194.
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Icks, M. (2020) ‘Kept in the Dark: Narratives of imperial seclusion in Late Antiquity’, Gaining and losing Imperial favour in Late Antiquity, Brill, 173-192.
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Cameron, Av. (1996), Procopius and the Sixth Century, London, 1996.
Cameron, Av. (2012), ‘Justinian and reconquest’, The Mediterranean World in Late Antiquity AD 395-700, 2nd ed., Abingdon and New York, 104-127.
Evans, J.A.S. (2002), The Empress Theodora - Partner of Justinian, Austin.
Maas, M., ed. (2005), Cambridge Companion to the Age of Justinian, Cambridge, 2005.
Mitchell, S. (2007), A History of the Later Roman Empire, AD 284-641, Oxford.
Educação e cultura na Hispânia visigoda. O caso de Isidoro de Sevilha.
30 Abril 2026, 09:30 • Rodrigo Furtado
I. PROBLEMA HISTÓRICO: COMO EXPLICAR O “RENASCIMENTO ISIDORIANO”?
1. Paradoxo central
1.1 Século IV: vitalidade cultural – Potâmio de Lisboa, Prudêncio, Juvenco.
1.2 Séculos V–VI: quase vazio cultural
1.3 Século VII: produção intelectual excepcional
1.4 Necessidade de explicar a ruptura
II. O PONTO DE PARTIDA: UMA PAISAGEM INTELECTUAL FRÁGIL
1. Cultura e Antiguidade tardia.
2. E depois do Império : a multiplicidade de caminhos.
2.1 A ‘inutilidade’ da cultura clássica para a salvação.
2.2 A ‘utilidade’ da cultura : a administração e as leis. O papel da Igreja: os especialistas – na escola; na administração ; na interpretação das Escrituras.
2.3 Uma escola que não está ao serviço da polis antiga ou da ciuitas; uma educação que não serve como elemento de promoção ou emulação social. Para que serve a educação?: ler; interpetar; ensinar; administrar.
2.4 O triunfo de uma visão enciclopédica da cultura clássica, de segunda mão, baseada em manuais e em repertórios de exemplos.
2.5 As bases de uma cultura de segunda mão: manuais, breviários e comentários. Por que razão se perdem livros?
3. Declínio pós-romano: desarticulação cultural: escassez de produção literária.
III. MECANISMOS DE TRANSFERÊNCIA CULTURAL NA SEGUNDA METADE DO SÉCULO VI
1. Contactos com Constantinopla: mobilidade de elites (ex. Leandro de Sevilha; João de Bíclaro)
2. Migração africana (factor decisivo):
2.1 Clero, monges e comunidades; transporte de bibliotecas. Fluxo unidireccional África - Hispânia
2.2 Causas da migração: Conflitos teológicos (Três Capítulos); instabilidade africana decorrente da reconquista bizantina.
2.3 Crónicas (Victor de Tunnuna); Poesia africana (Coripo, Dracôncio); Tratados teológicos (Agostinho, Fulgêncio); Gramática (Donato, Pompeio)
IV. A RECONFIGURAÇÃO CULTURAL DA IGREJA VISIGÓTICA
1. Nova elite intelectual
1.1 Bispos como autores e actores políticos: Leandro e Isidoro de Sevilha, Bráulio de Saragoça, Ildefonso, Eugénio e Julião de Toledo.
1.2 Troca de textos e cartas: espaço intelectual alargado (Sevilha, Toledo, Zaragoza)
2. Relação com o poder régio
2.1 Integração entre cultura e poder
V. ISIDORO DE SEVILHA (CA. 560-636).
1. Família de hispano-romanos de Cartagena. Uma família de religiosos: Leandro de Sevilha, Fulgêncio de Écija, Florentina.
VI. CULTURA E FUNCIONALIDADE SOCIAL.
1. formação escolar;
2. preservação do saber suficiente: ‘le dessein de cette oeuvre [d’Isidore] est de répondre aux exigences premières d’une culture religieuse fondée sur une instruction intellectuelle et théologique, mais aussi et d’abord morale et spirituelle’ (Fontaine, 1986 : 132).
VII. OBRA:
1. As Etymologiae ou Origenes (615-636).
1.1 Compêndio do saber;
1.2 Livros 1-5: artes liberais (trívio e quadrívio) – gramática, retórica, dialéctica, matemática, geometria, astronomia, música + medicina, direito;
1.3 Livros 6-8: Antigo e Novo Testamento, sobre Deus e os cargos da Igreja, sobre as heresias e as religiosidade pagã;
1.4 Livro 9: línguas, os povos, as relações de parentesco;
1.5 Livro 10: dicionário;
1.6 Livros 11-20: os animais, a geografia e fenómenos celestes, as construções e edifícios, minerais e metais, a guerra e os espectáculos, a navegação e vestuário, utensílios domésticos e agrícolas;
1.7 Fontes: autores cristãos (Agostinho, Jerónimo, Ambrósio, Cassiodoro); autores de escola da Antiguidade Tardia (Sérvio e outros comentadores, Donato e outros gramáticos, Lactâncio Plácido, Nónio Marcelo, Solino, Marciano Capela).
VIII. Os Auctores clássicos:
1. Abundância de citações e remissões para os autores clássicos: Varrão, Cícero, Salústio, Énio, Vergílio, Estácio, Séneca.
2. CONTUDO: acesso à cultura clássica em segunda mão: ‘en el mejor de los casos, los autores paganos eran consultados, no leídos; o dicho con otras palabras, se podía llegar a ellos a través de pequeñas citas, antologías o resúmenes. La gran mayoría de los hombres cultos nunca habían abordado una obra de esta clase para leerla de la primera a la última línea’ (Díaz, 1982: 83-4).
3. Os intermediários : Sérvio, Nónio Marcelo, Lactâncio Plácido, Festo, Agrécio, Agostinho, Ambrósio, Mário Victorino, e outros textos gramaticais e de comentário. GRANDES AUTORES DE MANUAIS DOS SS. IV-V
4. Acesso à cultura clássica em segunda e terceira mão; recurso a comentários, escólios, obras gramaticais e escolares da Antiguidade Tardia; fragmentação dos textos clássicos e descontextualização desses fragmentos; ausência de leitura do texto completo; estatuto gramatical da sua funcionalidade; alarde de erudição.
Rodrigo furtado
Bibliografia sumária:
Collins, R. (2004), ‘Books and readers’, Visigothic Spain, 409-711, Oxford University Press, 147–173.
..................
Díaz y Díaz, M. C. (1976), ‘Introducción general’, San Isidoro. Etimologías, Editorial Católica, 11-55.
..................
Arnold, J. et alii, ed. (2016), A companion to Ostrogothic Italy, Leiden-Boston.
Brown, P.(2013rev.), The rise of Western Christendom. Triumph and diversity. AD 200-1000, Malden, MA-Oxford, West Sussex
Browning, R. (2000), ‘Education in the Roman empire’, The Cambridge Ancient History. 14. The Late Antiquity: Empire and Sucessors, A.D. 425-600, Cambridge, 855-883.
Cazier, P. (1994), Isidore de Seville et la naissance de l’Espagne catholique, Beauchesne, Paris.
Díaz y Díaz, M. C. (1976a), ‘Penetración cultural latina en Hispania en los siglos VI-VII’, De Isidoro al siglo XI. Ocho estudios sobre la vida literaria peninsular, Barcelona, 11-20.
Díaz y Díaz, M. C. (1976b), ‘La cultura de la España visigótica del siglo VII’, De Isidoro al siglo XI. Ocho estudios sobre la vida literaria peninsular, Barcelona, 23-56.
Fontaine, J. (19832), Isidore de Séville et la culture classique dans l’Espagne wisigothique, 3 vols., Paris,
Fontaine, J. (1986), Culture et spiritualité en Espagne du IVe au VIIe s., Aldershot.
Fontaine, J. (1988), Tradition et actualité chez Isidore de Seville, Aldershot.
Fontaine, J. (2000), Isidore de Séville. Genèse et originalité de la culture hispanique au temps des Wisigoths, Turnhout.
Fontaine, J. (2008), ‘Education and learning’, New Cambridge Medieval History 1, Cambridge, 735-759.
Inglebert, H. (2001), ‘Interpretatio Christiana’. Les mutations des savoirs (cosmographie, géographie, ethnographie, histoire) dans l’Antiquité chrétienne (30-630 après J.-C., Paris.
Kaster, R. A. (1988), Guardians of Language: The Grammarian and Society in Late Antiquity, Berkeley – Los Angeles – London.
Marrou, H.-I. (1977), Décadence romaine ou antiquité tardive?: IIIe-VIe siècle, Paris.
Riché, P. (1962), Éducation et culture dans l’Occident barbare. VI-VIIIe siècles, Paris.
Smith, J. M. H. (2005), Europe after Rome : a new cultural History 500–1000, Oxford.
Vrbs regia Toletana: territorialização e institucionalização do reino visigodo
28 Abril 2026, 09:30 • Rodrigo Furtado
I. Das lideranças militares à monarquia territorial
1. Origem em estruturas militares e chefias pessoais (sécs. IV–V)
2. Ausência inicial de uma concepção estável de realeza territorial
3. Processo gradual de fixação e territorialização que talvez se verificasse já na Aquitânia, foi interrompido e lentamente ocorreu depois na Hispânia.
II. A construção do reino hispânico (568-628).
1. Leovigildo e a adopção dos regalia imperiais.
2. Recaredo e o III Concílio de Toledo (589).
a. O teatro do poder em Toledo: princeps, rex, Flavius, gloriosus.
b. O discurso de Leandro de Sevilha e o casamento entre a Hispânia e os Godos.
3. Monarchia imperii: a conquista do Levante por Suíntila (626-8).
III. A Consolidação do modelo político visigótico
1. Ideologia e poder real.
1.1 Simbologia do Poder
1.1.1 Regalia I: púrpura e diadema;
1.1.2 Regalia II: ceptro cruciforme e trono
1.1.3 A influência bizantina: imitatio imperii.
1.2 Legitimação divina:
1.2.1 Poder derivado de Deus (in Dei nomine)
1.2.2 Unção real (sacramental)
1.2.3 Metáfora do corpo (rei como cabeça)
1.3 Propaganda e prestígio:
1.3.1 Moeda autónoma e titulatura. Afirmação da autonomia. Instrumento de difusão ideológica.
1.3.2 Fundação de cidades (Recópolis)
1.3.3 Toledo como urbs regia. O paralelo com Constantinopla.
IV. Instituições e integração política
1. O modelo de interpretação tradicional (MoNo: Monarchy vs Nobility)
1.1 Formação do reino como processo de centralização e unidade
1.2 Monarquia vs. nobreza como oposição estrutural
1.3 Conflito intra-aristocrático como dinâmica dominante
1.4 Século VII interpretado como processo de desagregação
2. O modelo alternativo: central-local powers (C-LP)
2.1 Ênfase nas relações entre poder central e poderes locais
2.2 Dinâmicas de comunicação, colaboração e consenso vs. autonomia, fragmentação e oposição
2.3 Igreja como mediadora fundamental
3. O governo conciliar em Toledo: negociação do poder e consenso.
3.1 A convocatória, a cerimónia de abertura, o tomus e a presença régia;
3.2 O IV Concílio de Toledo: a eleição do rei;
3.3 Os treze concílios de Toledo (IV-XVI) entre 633-702;
3.4 Os concílios regionais.
V. Contradições e fraquezas:
1. Um governo de cidades, nobres, bispos e do rei, em Toledo. A falta de unidade. Um poder constantemente negociado.
2. Dois últimos episódios: a instabilidade crónica do poder.
3.1 Vamba (672-680): a revolta de Paulo na Septimânia;
3.2 A deposição.
3. A crise do final do século VII.
4.1 A instabilidade: desde Recaredo, vários reis foram depostos ou assassinados: Liúva II (603); Viterico (610); Sisebuto? (621); Suíntila (631); Tulga (642); a repressão de Chindasvindo (642-646); Vamba (680). Várias conjuras entre 672-711.
4.2 A subida ao poder de Rodrigo e de Ágila II (710/711).
Rodrigo Furtado
Bibliografia Sumária
Collins, R. (2004), Visigothic Spain, 409-711, Oxford, 197-246.
Díaz, P., Valverde Castro, M. R. (2000), ‘The theoretical strength and practical weakness of the Visigothic monarchy of Toledo’, Rituals of Power: From Late Antiquity to the Early Middle Ages, Leiden, 59–93.
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Alvárez Palenzuela, V. A., ed. (2005), Edad Media. Historia de España, Barcelona.
Collins, R. (19952), Early Medieval Spain: Unity in Diversity, 400-1000, New York.
García Moreno, L. A. (2008r), Historia de España visigoda, Madrid.
King, P. D. (1972), Law and Socety in the Visigothic Kingdom, Cambridge.
Martin, C. (2003), La géographie du pouvoir dans l’Espagne visigothique, Lille.
Valverde Castro, M. R. (2000). Ideología, simbolismo y ejercicio del poder real en la monarquía visigoda: un proceso de cambio, Salamanca.