Sumários

Fazer, Observar, Interpretar

18 Maio 2018, 14:00 Anabela Rodrigues Drago Miguens Mendes

MAIO                                    6ª FEIRA                               22ª Aula

 

18

 

Mário Afonso

Práticas sobre o corpo em tempo real

 

As duas sessões que vou orientar este ano vão reunir um conjunto de exercícios práticos na exploração de Fazer, Observar e Interpretar. 

Peço aos participantes que tragam roupa com que se sintam confortáveis para a actividade física, para se moverem livremente.

 

Fazer, Observar e Interpretar

Trabalhar com pessoas implica estar disponível para tudo o que possa surgir vindo do Outro. Certamente será por isso que faço questão em deixar bem claro que não sei o que vai acontecer. No entanto, e para lidar com esse acaso, recorro a um conjunto de ferramentas base, em constante actualização.

Neste contexto de trabalho em artes performativas, tenho em perspectiva o potencial performativo do encontro com esse Outro, bem como a composição de materiais que daí possa eventualmente surgir. Tudo isto para criar um espaço de ressonância no qual nos possamos projectar e reflectir. E se possível prosseguir.

 

Durante esta sessão Mário Afonso leu passagens do ensaio O Terror do Idêntico, da obra abaixo recomendada, e que inspiraram o exercício de escrita como estimulação e sequência. Este material lido presencialmente por cada uma das alunas ficou em reserva para a sessão seguinte.

 

Leitura recomendada:

HAN, Byung-Chul 2018, A Expulsão do Outro, Tradução de Miguel Serras Pereira, Lisboa: Relógio D’Água, pp. 9-18.


Imaginação e movimento. De como desfazermo-nos da "carapaça" muscular (conceito grotowskiano)

15 Maio 2018, 14:00 Anabela Rodrigues Drago Miguens Mendes

MAIO                                    3ª FEIRA                               21ª Aula

 

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O modelo de trabalho apresentado como guião vigorará dinamicamente ao longo das três sessões de natureza prática com enquadramento explicativo inicial. Assinala-se assim a sua prevalência como conjunto. 

 

Nuno Salema

Teatro e Psicologia III

 

Guião da Estrutura das sessões - A Psicologia e o Teatro

com Nuno Salema, Psicólogo Clínico e Psicoterapeuta Corporal, docente e pesquisador no ISPA na área do Teatro e Movimento Expressivo.

• Origem, Fundamentos e Correlações

• O Sonho-Mito e o Inconsciente Pessoal e Colectivo

• A Unidade Psicofísica

• Os Princípios da Comunicação Humana

• Presença, Relação e Encontro – Pressupostos do Agir, do Pensar e do Sentir

• Improvisação teatral – Criatividade, Espontaneidade e Expressividade do Impulso

• O Teatro enquanto Veículo de Auto-Conhecimento e Desenvolvimento Pessoal

• A Criação Artística no Paradigma Emergente da Ciência

 

Nota: 3 sessões de 2h de duração de cariz fundamentalmente prático e experiencial. Trazer

roupa confortável, que possibilite liberdade de movimentos e meias que permitam trabalhar

sem calçado.

 

Terminámos hoje a participação do Prof. Nuno Salema no nosso programa.

Para os alunos que estiveram presentes nas três sessões e que tiveram oportunidade de se confrontarem em termos físicos e anímicos com o cruzamento entre Teatro e Psicologia, esta experiência poderá ter tido alguma utilidade, sempre sabendo nós que é mais tarde que os efeitos da mesma se poderão manifestar.

Tendo eu participado em alguns dos exercícios, embora estivesse prioritariamente na qualidade de observadora, apercebi-me de que durante as três sessões vocês tinham adquirido uma progressiva confiança e de que essa confiança agia sobre cada um em particular e na relação com os outros.

Isso ficou a dever-se a cada um de vocês mas também à qualidade do trabalho e da sensibilidade do Prof. Nuno Salema.

Julgo termos alcançado um bom momento com esta opção de apoio ao nosso crescimento interior e ao relacionamento com os outros. Espero mesmo que quando vierem os justos lamentos de que os nossos cursos se apoiam prioritariamente no exercício crítico da teoria, o que também é importante e verdadeiro, eles permitem que ensaiemos outras formas de cruzamento artístico e científico tão válidas para actores como para estudiosos das artes performativas que não têm de se expor em cena.

 

Ouvimos falar de grandes pensadores e artistas que ajudaram a mudar o teatro do século XX: Constantin Stanislavski, Jerzy Grotowski, Mikhail Chekhov, Peter Brook. De todos eles só Brook está ainda vivo. A sua experiência e sabedoria interessam a António Damásio. São amigos. 


Teatro e Psicologia

11 Maio 2018, 14:00 Anabela Rodrigues Drago Miguens Mendes

O modelo de trabalho apresentado como guião vigorará dinamicamente ao longo das três sessões de natureza prática com enquadramento explicativo inicial. Assinala-se assim a sua prevalência como conjunto. 

 

 

Nuno Salema

Teatro e Psicologia II

 

Guião da Estrutura das sessões - A Psicologia e o Teatro

com Nuno Salema, Psicólogo Clínico e Psicoterapeuta Corporal, docente e pesquisador no ISPA na área do Teatro e Movimento Expressivo.

• Origem, Fundamentos e Correlações

• O Sonho-Mito e o Inconsciente Pessoal e Colectivo

• A Unidade Psicofísica

• Os Princípios da Comunicação Humana

• Presença, Relação e Encontro – Pressupostos do Agir, do Pensar e do Sentir

• Improvisação teatral – Criatividade, Espontaneidade e Expressividade do Impulso

• O Teatro enquanto Veículo de Auto-Conhecimento e Desenvolvimento Pessoal

• A Criação Artística no Paradigma Emergente da Ciência

 

Nota: 3 sessões de 2h de duração de cariz fundamentalmente prático e experiencial. Trazer

roupa confortável, que possibilite liberdade de movimentos e meias que permitam trabalhar

sem calçado.


Teatro e Psicologia I

8 Maio 2018, 14:00 Anabela Rodrigues Drago Miguens Mendes

O modelo de trabalho apresentado como guião vigorará dinamicamente ao longo das três sessões de natureza prática com enquadramento explicativo inicial. Assinala-se assim a sua prevalência como conjunto. 

MAIO                                    3ª FEIRA                               19ª Aula

 

8

Guião da Estrutura das sessões - A Psicologia e o Teatro

com Nuno Salema, Psicólogo Clínico e Psicoterapeuta Corporal, docente e pesquisador no ISPA na área do Teatro e Movimento Expressivo.

• Origem, Fundamentos e Correlações

• O Sonho-Mito e o Inconsciente Pessoal e Colectivo

• A Unidade Psicofísica

• Os Princípios da Comunicação Humana

• Presença, Relação e Encontro – Pressupostos do Agir, do Pensar e do Sentir

• Improvisação teatral – Criatividade, Espontaneidade e Expressividade do Impulso

• O Teatro enquanto Veículo de Auto-Conhecimento e Desenvolvimento Pessoal

• A Criação Artística no Paradigma Emergente da Ciência

 

Nota: 3 sessões de 2h de duração de cariz fundamentalmente prático e experiencial. Trazer

roupa confortável, que possibilite liberdade de movimentos e meias que permitam trabalhar

sem calçado.


Um ignorante pode ensinar a outro ignorante o que ele próprio não sabe

4 Maio 2018, 14:00 Anabela Rodrigues Drago Miguens Mendes

 

MAIO                                    6ª FEIRA                               18ª Aula

 

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Estabelecemos um quadro de pressupostos, a partir do ensaio O Espectador Emancipado de Jacques Rancière, com a intenção de esclarecer, por um lado, o que significa para Rancière produzir emancipação intelectual no sujeito como criação de espaço mental próprio em acções individuais e colectivas, exemplificado na história de Joseph Jacotot e dos seus alunos flamengos: «um ignorante podia ensinar a outro ignorante aquilo que ele próprio não sabia.» (Rancière, 2010: 7) Esta intuição, chamemos-lhe assim, tem como base uma experiência real: O modelo de partida deriva de um acto pedagógico e científico, nunca até então treinado nem posto à prova na comunidade docente, desenvolvido por Joseph Jacotot, professor do ensino secundário, ao tempo em Lovaina, quando corria o ano de 1818. Jacotot e os seus alunos empenharam-se em pôr em prática um método de aprendizagem que se baseava em quatro pressupostos: todos os seres humanos possuem a mesma inteligência; todo o ser humano recebeu de Deus a faculdade de ser capaz de se instruir a si próprio; podemos ensinar o que não sabemos; tudo está em tudo.

Por outro lado, Rancière transpõe e adequa a experiência desse exemplo para o modo como se podem relacionar espectador e actor através da representação/apresentação, constituindo esta a mediação (tradução, narração, escuta, criação ou não de empatia) que ocorre no espaço cénico.

A proposta contida neste último pressuposto anuncia o programa estético, pedagógico e político do autor em relação à qualificação do espectador. É seu objectivo que toda e qualquer barreira física, mental, cultural, artística possa ser ultrapassada pelos participantes em acção (quem está em cena e que observa essa cena), apesar de toda e qualquer heterogeneidade que entre eles possa existir. É em nome de um bem comum: a preservação e a implementação de valores, anseios e realizações dentro da própria comunidade que o relacionamento entre as partes deverá ser equidistante. E esta equidistância só pode ser alimentada por produtividade intelectual e afectiva de ambas as partes. Parece simples mas não é. Não existe do ponto de vista de Rancière a supremacia de um plano sobre o outro. Chama o autor a este modelo «um novo palco, um palco de igualdade, no qual performances heterogéneas se traduzem umas nas outras. Porque em todas estas performances trata-se de ligar o que se sabe com o que se ignora;» (Rancière, 2010: 35) O que é exequível, o que é representável e aquilo que parecendo não o ser, tem afinal fundamento.

A adaptação deste ideário ao comportamento intelectual e afectivo do espectador na sua relação com quem faz o espectáculo constitui então o fundamento da atitude emancipatória daí decorrente. Nesta óptica, de que desenvolveremos leitura de algumas páginas da outra obra do pensador francês, O Mestre Ignorante, confrontar-nos-emos com uma proposta estético-filosófica de cariz utopista, ainda que frequentemente aplicada em núcleos sociais restritos e que se presentifica na ligação entre Teatro e Comunidade.

 

Leitura recomendada:

- RANCIÈRE Jacques 2010, O espectador emancipado, tradução de José Miranda Justo, Lisboa: Orfeu Negro, pp. 7-36.