Sumários

Avaliação final

19 Junho 2018, 16:00 Anabela Rodrigues Drago Miguens Mendes

JUNHO                        3ª FEIRA                                        27ª Aula

 

 

19

 

 

Entrega e correcção do segundo teste de avaliação de conhecimentos. Apresentação da avaliação final ponderada a partir de todos os elementos disponibilizados pelos alunos.

 

 

Aulas previstas em Junho – 2

Aulas dadas em Junho – 2

Saídas culturais - 0

 

Total de aulas previstas entre Fevereiro e Junho - 27

Total de aulas dadas entre Fevereiro e Junho - 27

Total de saídas culturais e de campo entre Fevereiro e Junho – 7

 

 

"Be the change you want to see in the world" (M.K. Gandhi)


Realização do segundo teste de avaliação de conhecimentos com consulta.

1 Junho 2018, 16:00 Anabela Rodrigues Drago Miguens Mendes

Realização do segundo teste de avaliação de conhecimentos com consulta.


Corpo antigo - corpo contemporâneo em Dimitris Papaiouannou

29 Maio 2018, 16:00 Anabela Rodrigues Drago Miguens Mendes

MAIO                                    3ª FEIRA                                          25ª Aula

 

 

29

 

Dedicámos a aula de hoje a uma plausível interpretação do trabalho de Dimitris Papaiouannou em Primal Matter (Matéria prima). Este foi o vídeo mais longo que tivemos oportunidade de visionar: 17 minutos. Conscientes dos condicionalismos a que estávamos expostos por se tratar de uma montagem e não da sequenciação natural da coreografia, arriscámos produzir pensamento sobre o que vimos. O pequeno vídeo foi revisto integralmente e, após esse visionamento, parcelámos cada pequena sequência para lhe apormos comentário.

Acercámo-nos do espaço quase vazio e despojado, percorrido por dois bailarinos da esquerda para a direita e em sentido inverso. Um estava nu e o outro vestia um fato preto completo que poderíamos associar à representação de um burocrata. Com esta opção definia-se o horizonte entre o natural e o civilizacional. Mas não só este traço os distinguia. O homem de preto dirigia o homem nu e sobre ele exercia violência. Nada que não compreendêssemos com facilidade.

Os movimentos em cena obedeciam a relações com transporte, manipulação e sustentação de grandes pranchas integradas pelos corpos de ambos. A criação artística ia ocorrendo à vista do espectador, como se estivéssemos perante telas (de cor creme e negra) sobre as quais mas também debaixo das quais a matéria-prima (o corpo humano) dava aso a diferentes imagens características da estética de Papaiouannou: jogo com a mutilação de membros, entrelaçamento dos corpos a vários níveis e em várias direcções, experimentação do movimento lento e preciso, atléticas construções que exigiam colaboração. Neste plano, o colaborativo, vão-se atenuando as distâncias entre o homem natural e o homem civilizacional. É dentro deste espírito que o homem vestido invoca no homem despido a presença da cultura grega antiga através da sua estatuária como modelo do belo e sublime que justificou a estética clássica e neo-clássica da representação do corpo e que ainda hoje nos surpreende. Talvez o coreógrafo grego tenha conhecimento da verdade oculta que a brancura dos corpos antigos ora representados na sua arte desestrutura. Parece ser dominante a negritude e com esta a liberdade de ser que o homem branco compõe com o seu defecar. A limpeza do seu corpo é alcançada pelo raspar da pele que não deve conter qualquer impureza extra. Dos seus pés nasce a imagem da sua identidade multissecular, a do caminhante geracional da espécie que integra a que uma cultura cristã apõe a representação sacrificial.

 

https://aeon.co/essays/when-homer-envisioned-achilles-did-he-see-a-black-man

 

Não parece haver nesta coreografia de Dimitris Papaiouannou o desejo de tornar a matéria-prima num produto acabado com refinamento. O que vemos e é pouco justifica um juízo de valoração muito crítico sobre a espécie humana. Deste ponto de vista, as criações do artista grego problematizam a realidade dos homens numa permanente intercepção de opções.

 

Leitura aconselhada:

EMCKE, Carolin, Change as a form of Survival – notes regarding the coreographies of Sasha Waltz in: Sasha Waltz, Cluster, Berlin: Henschelverlag, s. d., pp. 69-75.

 

 

Aulas previstas em Maio – 8

Aulas dadas em Maio – 8

Saídas culturais - 0

Saídas cá dentro - 0

 


Papaiouannou e as suas ideosincrisias

25 Maio 2018, 16:00 Anabela Rodrigues Drago Miguens Mendes

MAIO                                    6ª FEIRA                                          24ª Aula

 

 

25

 

Introduzimos hoje no nosso estudo dedicado à dança um novo coreógrafo, Dimitris Papaioannou, de origem grega. Tal como Sasha Waltz, Papaiouannou desenvolve a sua arte soberana, a dança, em directa articulação com outras artes. No seu caso, a formação primeira nas artes plásticas, agrega-o a uma capacidade meticulosa de observação e criação de imagens que desenha para cena e que os seus bailarinos executam de forma rigorosa. Acresce dizer que Papaioannou dança quase sempre nas suas coreografias. De que tratam elas? Podemos dizer que de muita coisa, porque o espaço de representação, exterior e interior, é um mundo de pequenos mundos entre si associados e que reflectem formas de conflitualidade humana no quotidiano, com enquadramento mitológico muitas vezes, nomeadamente a partir de mitos da civilização ocidental, como reflexão sobre a arte pictórica de distintas épocas, sobre a arte cinematográfica como criação de utopias em que o ser humano se projecta mas de cuja realização apenas se abeira no reconhecimento da sua incompletude. E é desta incompletude que são feitas as coreografias de Papaiouannou. A vida e a morte planeiam juntas os labirintos entre o orgânico e o mecânico, entre o corpo plástico e o corpo-prótese, entre as singularidades de uma cadeia humana que sustenta o mito da Criação ou a amplitude do espaço sideral onde navega um touro-Europa empurrado pelas poalhas cósmicas.

A riqueza imaginativa do coreógrafo, que a partir de 2004 alcança o reconhecimento internacional, está associada a uma leitura do nosso tempo de grande relevância crítica. O seu comprometimento estético próprio e singular propõe obra que incentiva o pensamento dos seus espectadores. É por isso que a citação nas suas composições coreográficas se vem tornando cada vez mais frequente. Tudo vale por si mesmo e tudo vale na extensão da troca com outras imagens e objectos.

Na impossibilidade de termos tido acesso a obras completas, optámos por visitar pequenos vídeos que nos ajudassem a comprovar apenas uma pequena dimensão da obra deste coreógrafo grego contemporâneo.

 

Vídeos visionados:

https://vimeo.com/papaioannou

https://vimeo.com/100021239

https://vimeo.com/38186013

https://vimeo.com/190056876


Observar Waltz por dentro

22 Maio 2018, 16:00 Anabela Rodrigues Drago Miguens Mendes

                   3ª FEIRA                               23ª Aula

 

22

 

Optámos por rever o DVD dedicado aos ensaios de Waltz com os seus bailarinos e na presença dos músicos e cantores que integram muitos dos espectáculos criados pela coreógrafa. Esse segundo visionamento, agora na totalidade do vídeo, permitiu que tivessemos um melhor contacto com aquilo que normalmente não é do domínio público.

A ideia desta revisitação permitiu que nos apercebêssemos da liberdade que todos os criadores têm na execução do seu desenho de movimento e de como este recebe sequencialmente o toque da coreógrafa. A sugestão segue-se execução, a execução segue-se apuro. O trabalho coreográfico é visto por nós como uma progressão conversada e treinada. A fixação do desenho de movimento acontece dentro de um quadro colaborativo, por vezes divertido e psicologicamente distendido. O enriquecimento de cada cena decorre da relação dos bailarinos com a amplitude do espaço, em interior e exterior, dos jogos que entre si estabelecem. Waltz, dizem, comporta-se como uma orquestradora. E assim parece ser. O seu olhar clínico abrange toda uma sequência e sobre ela opera retocando a versão final da sequência que será dançada com rigor e alma.

Acompanhámos a coreógrafa em fato de trabalho, saltando de um lugar para o outro, posicionando-se sobre uma cadeira ou pegando numa esfregona e num balde de água. Indiscutíveis momentos de ansiedade também ocorreram no decurso do seu pensar artístico: dedos na boca, sobrancelhas descidas sobre um rosto fechado, observação de cabeça para baixo dos corpos de bailarinos que se cobriam de tinta ao acaso. E sobre esse acaso era decidido qual o aspecto matricial desses corpos pintados. Ela própria deitava novo pigmento na tina com espessura de lama.

Waltz é uma presença activa, por vezes inesperada, durante o processo de criação. Os seus abraços aos bailarinos no fim de cada dia de trabalho expressam o muito amor que ela lhes tem. São muitos aqueles que com ela trabalham há dezenas anos. Os mais velhos continuarão até poderem, mas é ela que também os aconselha a explorarem as suas qualidades como professores e coreógrafos.

A ideia que persiste é a de que Sasha Waltz & Guests é uma família indestrutível, tal como acontece com a agregação dos seus mais directos familiares no trabalho da companhia.

O visionamento de Jardim das Delícias veio reforçar o nosso conhecimento do percurso artístico de Waltz desde os anos 80 até 2008.

Waltz continua agora e ainda como uma coreógrafa de âmbito internacional. As suas coreografias possuem uma marca autoral construída ao longo do tempo, muitas vezes a contrapêlo do que outros coreógrafos vão apresentando, porque é uma mulher imaginosa e determinada. De certo modo, ela será sempre uma discípula de Pina Bausch. Não pela opção estética, também não pelo tempo histórico que cada uma carrega consigo. Waltz é discípula de Bausch pela integridade do seu gesto artístico, pela dimensão ética que a percorre, pelo amor e humanidade que espalha à sua volta e entre os mais directos colaboradores.

 

DVD visionados:

KRAMER, Brigitte, Sasha Waltz – Rehearsal, ARTHAUS MUSIK, 2014, Rehearsal, 20 mins.

KRAMER, Brigitte, Sasha Waltz – Garten der Lüste (Jardim das Delícias), ARTHAUS MUSIK, 2014, Rehearsal, 59 mins.