Sumários

Tempo (2)

30 Outubro 2024, 11:00 Ricardo Santos

Um problema epistémico para a teoria do bloco crescente: como podemos saber que agora é o presente objectivo (i.e., a última fatia do bloco temporal)? Aparentemente, o mais provável é que estejamos algures no passado. A réplica do ‘passado morto’: o facto de estarmos conscientes prova que estamos no presente; se estivéssemos no passado, não teríamos estados mentais conscientes, seríamos zombies. Discussão desta réplica.

A relatividade da simultaneidade pode ser usada como prova de que existem tempos e acontecimentos futuros. A perspectiva eternista: todos os tempos são igualmente reais; “passado”, “presente” e “futuro” são indexicais; o tempo é como o espaço. Será possível viajar no tempo? Podem ser descritas formas paradoxais de viagens para o passado, em que o viajante faz algo de onde resulta necessariamente a sua inexistência no momento da partida; por exemplo, o viajante comete auto-infanticídio.


Tempo (1)

28 Outubro 2024, 11:00 Ricardo Santos

A ontologia do tempo. A teoria presentista: só existem as coisas presentes (Markosian). A ideia intuitiva de que as coisas (inteiramente) passadas já não existem e de que as coisas (inteiramente) futuras ainda não existem. A crítica de Prior ao uso de uma noção relativizada de existência (existir na mitologia grega, na mente humana, num mundo possível, no passado, etc.) e a defesa de operadores temporais (de passado e de futuro). A passagem do tempo. O presentismo propõe uma visão dinâmica: o presente muda, ou seja, diferentes presentes sucedem-se uns aos outros. O que é futuro torna-se presente e depois passado. A inexistência do futuro explica a ideia comum de que o futuro está em aberto. Mas como pode o presentismo explicar que o passado esteja encerrado e seja imutável? Uma alternativa ao presentismo: a teoria do bloco crescente, que diz que existem as coisas passadas e presentes (Broad). Com a passagem do tempo, a realidade ganha novas partes, mas não perde nenhuma. Uma dificuldade séria para ambas as teorias: a teoria da relatividade restrita implica que a simultaneidade é relativa a um quadro de referência e que por isso não existe um presente objectivo, único e universal.


Causalidade (2)

24 Outubro 2024, 11:00 Ricardo Santos

A teoria contrafactualista da causalidade (Lewis). As condições de verdade das contrafactuais: “Se A fosse o caso, C seria o caso” é verdadeira no mundo actual se e somente se ou (i) nenhum mundo-A é possível ou (ii) algum mundo A-e-C é mais próximo do mundo actual do que qualquer mundo A-e-não-C. Definição de dependência causal: se C e E são dois acontecimentos actuais distintos, E depende causalmente de C se e somente se, se C não ocorresse E não ocorreria. Os casos especiais de causalidade por ausência. Nos casos de ‘pre-emption’ (causa preterida), há causalidade sem dependência causal. O ancestral de uma relação. A causalidade é o ancestral da relação de dependência causal: C é uma causa de E se e somente se existe uma cadeia causal que leva de C a E (i.e., uma sequência finita de acontecimentos tais que cada um depende causalmente do anterior). A assimetria temporal (as causas precedem os efeitos) como aspecto contingente. Alegados contra-exemplos à transitividade da causalidade. Processos causais probabilísticos (não-deterministas ou que envolvem acaso).


Aula cancelada

23 Outubro 2024, 11:00 Ricardo Santos

A aula foi cancelada devido à participação do docente numa reunião do Conselho de Escola da FLUL.


Causalidade (1)

21 Outubro 2024, 11:00 Ricardo Santos

A causalidade e a sua importância teórica para explicar e prever. A sua importância prática para agir e manipular. A sua importância filosófica: teorias causais do conhecimento (como resposta ao problema de Gettier), da percepção, da acção, etc. O que é a causalidade? A análise conceptual redutiva de Hume, que deu origem à teoria regularista da causalidade (TRC). A definição de Hume. O argumento negativo de Hume contra a conexão necessária. O empirismo de Hume. A premissa segundo a qual a conexão necessária não é experienciável. Formulação positiva da TRC: a causalidade é prioridade temporal, contiguidade e conjunção constante. O diagnóstico: a ilusão de conexão necessária resulta do hábito. Problemas para a TRC. Como diferenciar as regularidades acidentais das regularidades causais? Como explicar as excepções às regularidades causais? Como explicar as relações causais de ‘caso único’? Algumas respostas: causalidade e leis da natureza; determinismo vs. leis probabilísticas. A análise das causas em termos de condições INUS (“an insufficient but necessary part of an unnecessary but sufficient condition”) (Mackie).